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Codevasf desenvolve projetos de carcinicultura no interior de Pernambuco e Sergipe; ação está sendo apresentada em feira do setor

publicado: 18/11/2021 12h22, última modificação: 23/11/2021 17h02

CamarãoProjetos de carcinicultura desenvolvidos pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e instituições parceiras, em Pernambuco e Sergipe, têm apresentado resultados positivos quanto à viabilidade técnica e econômica do cultivo de camarões marinhos em água doce e em relação ao repovoamento no Velho Chico com o camarão-pitu, espécie nativa do rio. As informações e detalhes técnicos dos projetos estão sendo divulgados no estande da Companhia na 17ª Feira Nacional do Camarão - Fenacam 21, que acontece nesta semana e será encerrada nesta sexta-feira (19), em Natal (RN).

O cultivo experimental dos camarões marinhos ocorre em água doce mineralizada do rio São Francisco, no Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Bebedouro (3ª/CIB), em Petrolina (PE). O projeto teve início em março de 2020, em parceria com o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS).

Os crustáceos foram aclimatados e colocados em tanques escavados devidamente preparados. Durante todo ciclo produtivo, foram realizados monitoramento da qualidade da água e biometrias semanais com o objetivo de acompanhar o crescimento dos camarões juvenis, o que permitiu o cálculo do ganho de peso de cada animal ao longo do período de produção.

Após mais de quatro meses de cuidados constantes, foram realizadas, em outubro, as primeiras despescas dos camarões. Ao todo, foram produzidos 650kg, com média de 90% de sobrevivência. O peso dos animais variou entre 12g e 18g. Para o camarão de 12g, foi alcançada uma produtividade recorde de 24 ha/ano.

O resultado mostra que é possível criar camarões na região e que essa metodologia de cultivo pode servir como fonte de renda para as populações do sertão. “A interiorização da atividade permite a geração de até 1,89 empregos/ha em regiões carentes de condições de fixação do homem no campo com atividade econômica ambientalmente sustentável, que pode aproveitar águas salobras subterrâneas, bem como promover a integração com a agricultura irrigada ao utilizar seus subprodutos para incrementar a produção de camarão”, explica Rozzanno Antonio de Figueiredo, chefe do Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Bebedouro.

Os primeiros ciclos, realizados em tanques de 1.000 m², foram para desenvolver e testar a metodologia que, a partir de agora, será replicada em propriedades de comunidades em Petrolândia e Cabrobó, também em Pernambuco, simulando com mais precisão a realidade rural local. “Com a implantação das Unidade de Observação e Demonstração (UOD) de cultivo de camarões de água salgada em água doce, do rio São Francisco, e de poços salobros, nos municípios de Petrolina, Cabrobó e Petrolândia, estamos avançando para a comprovação da viabilidade técnica e econômica da atividade no interior de Pernambuco”, acrescenta Figueiredo.

André Brugger, coordenador do Núcleo de Aquicultura e Pesca Sustentáveis do IABS, destaca o caráter inovador do projeto que vai além do aspecto social, contribuindo, também, com a mitigação das mudanças climáticas. “A possibilidade de uso das águas interioranas para atividades de cultivo pode diminuir a pressão nas áreas costeiras e manguezais, preservando os ecossistemas com maior taxa de sequestro de carbono da atmosfera", destaca.

Repovoamento

Em outra frente, a Codevasf desenvolve projeto em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) com o objetivo de estimular o repovoamento do rio São Francisco com o camarão-pitu, espécie de água doce que, devido às mudanças ambientais provocadas pelos barramentos ao longo do rio, encontra-se em risco de extinção. Os trabalhos tiveram início em 2018 com a instalação de um laboratório para o desenvolvimento e validação de tecnologias de reprodução e larvicultura do crustáceo no Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura do Betume (4ª/CIB), unidade da Codevasf em Neópolis (SE).

A infraestrutura instalada contou com equipamentos e materiais adquiridos pelo Laboratório de Bioecologia e Cultivo de Organismos Aquáticos da Ufal, por meio de projetos de pesquisas financiados, e com recursos da Codevasf. “É uma transferência de tecnologia e de conhecimentos para a Codevasf, já que técnicos foram capacitados para atuar no projeto, que já produziu cerca de 20 mil pós-larvas dessa espécie”, destaca o professor Iru Guimarães, da Ufal, que integra a equipe de pesquisadores do projeto.

Para iniciar a produção, matrizes e reprodutores de camarão-pitu são capturados em ambientes naturais, na região do baixo São Francisco, com uso de armadilhas tipo covo. As armadilhas são verificadas diariamente e os animais capturados são transferidos em caixas de transporte com água e oxigenação até o laboratório, onde é feito o processo de aclimatação e posteriormente sua reprodução.

Neste ano, foram realizadas três ações de repovoamentos no rio São Francisco, nos municípios de Nossa Senhora de Lourdes, Canindé de São Francisco e Propriá, totalizando 6,7 mil juvenis de camarão-pitu produzidos em cativeiro.

FenacamFenacam 2021

A Codevasf participa da 17ª Fenacam com estande para divulgação de ações da empresa na área de carnicicultura. No local, foi montado um aquário com camarões da mesma espécie que está sendo produzida em cativeiro no Centro no Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Bebedouro. Além disso, a Companhia está divulgando o trabalho de repovoamento do rio São Francisco com camarão-pitu desenvolvido conjuntamente com a Ufal.

Com informações da Ufal e do IABS