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Workshop sobre ostreicultura encerra visita de pesquisadores norte-americanos ao vale do São Francisco

Comitiva de pesquisadores da Universidade de Auburn, sediada no estado do Alabama (EUA), finalizou na quarta-feira (13) atividades de levantamento das perspectivas e potencialidades dos recursos pesqueiros e da aquicultura nas regiões do Submédio e do Baixo São Francisco com a participação em workshop sobre ostreicultura em Maceió (AL). O evento foi promovido a partir de uma parceria entre a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), a Secretaria de Estado da Agricultura, Pesca e Aquicultura de Alagoas (Seagri/AL) e o Sebrae/AL. O workshop evidenciou as potencialidades de desenvolvimento regional a partir da ostreicultura, inclusive para a área do vale do São Francisco, a exemplo da região da foz, entre Alagoas e Sergipe.
publicado: 14/04/2016 17h32, última modificação: 20/06/2018 17h34

Comitiva de pesquisadores da Universidade de Auburn, sediada no estado do Alabama (EUA), finalizou na quarta-feira (13) atividades de levantamento das perspectivas e potencialidades dos recursos pesqueiros e da aquicultura nas regiões do Submédio e do Baixo São Francisco com a participação em workshop sobre ostreicultura em Maceió (AL). O evento foi promovido a partir de uma parceria entre a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), a Secretaria de Estado da Agricultura, Pesca e Aquicultura de Alagoas (Seagri/AL) e o Sebrae/AL. O workshop evidenciou as potencialidades de desenvolvimento regional a partir da ostreicultura, inclusive para a área do vale do São Francisco, a exemplo da região da foz, entre Alagoas e Sergipe.

O professor da Universidade de Auburn William Walton, especialista em malacologia, foi um dos palestrantes. Em sua exposição, ele apresentou a experiência de implantação e desenvolvimento da ostreicultura no Golfo do México, região em que está localizada a universidade. Walton destacou as tecnologias aplicadas a partir da produção científica e da Universidade de Auburn. Uma das tecnologias aplicadas com suporte dos pesquisadores da Universidade consiste na utilização de cascas de ostra para implantação de camadas de aderência que permitem a ostreicultura em locais em que normalmente não seria possível essa atividade, como áreas de lama.

Walton informou que em 2008 não havia nenhuma fazenda da ostreicultura no Golfo do México. Hoje já são 13 fazendas que cultivam ostras somente no estado do Alabama. Na região, em 2015, foram produzidas cerca de um milhão de ostras.

William Walton apontou como se dá a atuação da Universidade de Auburn para se alcançar esse resultado. “Nossa atuação se dá por meio de pesquisas, de treinamento de interessados no cultivo de ostras em parques de cultivo, na colaboração com agências reguladoras e com indústrias e na comunicação com o setor de gastronomia e produção de mídia sobre o sucesso das novas fazendas de cultivo e acerca da qualidade das ostras produzidas”, afirmou.

Os participantes do workshop também puderam conhecer mais três experiências de cultivo de ostras. A primeira foi apresentada pelo engenheiro de pesca Marcelo Chamas, que expôs uma experiência de avaliação de desempenho de sementes de ostras. A segunda exposição foi realizada pela produtora de ostras Marcia Kafensztok, que mostrou a experiência da fazenda de ostras Primar, localizado no município de Tibau do Sul, no estado do Rio Grande do Norte. A terceira exposição foi realizada pelo engenheiro de pesca Rui Trombeta, que tratou de projetos de cultivo de ostras na Amazônia a partir da experiência do estado do Pará.

Segundo o pesquisador visitante da Universidade de Auburn Fernando Kubitza, especialista em aquicultura e integrante da comitiva, a proposta de realização do workshop surgiu a partir de uma visita técnica de consultores do Sebrae à instituição universitária norte-americana para conhecer projetos de aquicultura e novas tecnologias. “Vimos que existem um grande potencial no Nordeste para cultivo de ostras e o Walton veio trazer um pouco de informações sobre os sistemas de cultivos utilizados por lá para, quem sabe, tornar o Nordeste uma região com grande potencial como hoje já acontece no estado de Santa Catarina”, declarou.

Edson Maruta, da Seagri/AL, afirmou que o Governo de Alagoas trabalha parapromover a  estruturação da atividade de ostreicultura no estado com o aumento da produção e do consumo em parceria com diversas instituições. Ele destacou a parceria com a Codevasf para o fomento a atividades aquícolas como estratégia de inclusão produtiva para geração de trabalho e renda. “Temos que trabalhar em conjunto, unindo ações. Apesar de a Codevasf não poder ter toda a abrangência nas áreas produtoras de ostras em Alagoas, temos regiões produtoras no estado onde ela pode atuar e precisamos desse apoio em áreas como comercialização e de empreendedorismo e, dessa forma, contribuindo com a estruturação da cadeia”, afirmou.

A mesma avaliação sobre a importância da Codevasf para estruturação da cadeia produtiva da ostreicultura é compartilhada pelo Sebrae em Alagoas. “A Codevasf sempre foi um parceiro bastante importante, pois o Sebrae não tem como entrar com investimentos. Então, a Codevasf, além do conhecimento e da especialização que ela possui, a empresa tem o investimento, que é extremamente necessário para que possamos desenvolver essa atividade que tem um potencial enorme em Alagoas. Hoje temos uma base muito sólida de ostreicultura e um potencial grande de expansão. Essa parceria é fundamental para que possamos ter um outro patamar que amplie a geração de trabalho e renda”, indicou o diretor técnico do Sebrae em Alagoas, Ronaldo Moraes.

Na avaliação do diretor de Revitalização de Bacias Hidrográficas da Codevasf, Eduardo Motta, o evento encerra a jornada dos pesquisadores da Universidade de Auburn por duas regiões fisiográficas da bacia do rio São Francisco. “Esse workshop de ostreicultura é justamente o encerramento dessa jornada, na qual esses pesquisadores fizeram todo um diagnóstico e levantamento das potencialidades e de fatores limitantes para o desenvolvimento da aquicultura de forma consolidada, apesar de já existir com força nessa região, e eles se admiraram com o que viram. Mas precisa ter uma gestão empreendedora maior de acordo com as potencialidades existentes, que são gigantescas”, disse durante as atividades do workshop em Maceió (AL).

Eduardo Motta ainda destacou o potencial para q ostreicultura nas áreas de atuação da Codevasf em Alagoas. “A vinda do Dr. William Walton, que é um especialista em moluscos, notadamente na área de ostreicultura, numa parceria da Codevasf com o Sebrae/AL e com o Governo de Alagoas, acontece, pois temos um potencial muito grande, seja na foz do rio São Francisco, tanto no lado sergipano, quanto alagoano, mas que é pouco explorado. Nós levamos o especialista da Universidade de Auburn para conhecer essa potencialidade e ter contato com produtores. Assim, devemos explorar de forma positiva esse ambiente favorável para promover uma alternativa de renda para o Baixo São Francisco, especialmente na região da foz”, concluiu o diretor de Revitalização de Bacias Hidrográficas da Codevasf.

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