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Workshop em Maceió encerra visita de norte-americanos ao Submédio e Baixo São Francisco

Pesquisadores da Universidade de Auburn, sediada no estado do Alabama, nos Estados Unidos, e técnicos da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) participam nessa quarta-feira (13), das 9h às 12h30, em Maceió, de workshop sobre produção de ostras. O evento, que será realizado na sede do Sebrae Alagoas, na Rua Doutor Marinho de Gusmão – Centro, é uma parceria entre Codevasf, Sebrae e Secretaria de Agricultura, Pesca e Aquicultura do Estado de Alagoas.
publicado: 12/04/2016 18h39, última modificação: 20/06/2018 17h34

Pesquisadores da Universidade de Auburn, sediada no estado do Alabama, nos Estados Unidos, e técnicos da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) participam nessa quarta-feira (13), das 9h às 12h30, em Maceió, de workshop sobre produção de ostras. O evento, que será realizado na sede do Sebrae Alagoas, na Rua Doutor Marinho de Gusmão – Centro, é uma parceria entre Codevasf, Sebrae e Secretaria de Agricultura, Pesca e Aquicultura do Estado de Alagoas.

Um dos destaques do workshop “Sistema de produção de ostras no sul dos Estados Unidos” é o professor norte-americano William C. Walton, integrante da equipe de que participa da visita técnica, iniciada em 4 de abril, ao Submédio e Baixo São Francisco com o objetivo de conhecer e realizar diagnóstico sobre o potencial de pesca e aquicultura dessas regiões. A ação faz parte de uma parceria firmada entre a Codevasf e a Universidade de Auburn em 2015.

Na região do Baixo São Francisco, os especialistas norte-americanos conheceram as ações na área de pesca e aquicultura desenvolvidas pela Codevasf nos estados de Alagoas e Sergipe.

Baixo São Francisco alagoano

Alagoas 1A comitiva percorreu diversos pontos no estado de Alagoas. As atividades tiveram início com uma visita à região da foz do rio São Francisco, entre os municípios de Brejo Grande (SE) e de Piaçabuçu (AL). No local, a comitiva conheceu as potencialidades do rio para atividades de cultivo aquícola e de turismo, como a pesca esportiva.

A equipe também conheceu as instalações do Centro Integrado de Aquicultura e Recursos Pesqueiros de Itiúba, um moderno centro tecnológico e científico implantado pela Codevasf às margens do rio São Francisco, em Porto Real do Colégio (AL). O ponto alto das atividades no centro integrado foi o início dos trabalhos para elaboração de um protocolo científico para reprodução artificial do pirá – peixe nativo símbolo do rio São Francisco que, na região do Baixo São Francisco, encontra-se desaparecido há anos.

“Dentro da experiência já desenvolvida pela Codevasf com o pirá no Centro Integrado de Aquicultura e Recursos Pesqueiros da Codevasf em Três Marias (MG), liderada pelo biólogo Yoshimi Sato, que já realizou as primeiras reproduções da espécie no vale do São Francisco nos anos de 1990; da experiência do pesquisador visitante da Universidade de Auburn Fernando Kubitza; e do trabalho do engenheiro de pesca da Codevasf em Alagoas Sérgio Marinho; chegamos a um direcionamento para um protocolo que reúna essas experiências e faça a melhoria dos processos que conhecemos. O foco da reprodução que queremos agora é a larvicultura para que possamos obter resultados em larga escala com maior número de peixes”, adiantou o chefe do centro integrado de Itiúba, Álvaro Albuquerque.

Para o professor John Jensen, que também é diretor-assistente do programa de pesquisas da Universidade de Auburn, as áreas visitadas possuem grande potencial para atividades aquícolas, inclusive para aquelas que ainda não são muito exploradas como a pesca esportiva.

“Vejo que no futuro teremos que manter a pesca comercial. Mas, para isso, tem-se que eliminar a sobrepesca. Não se pode pescar sem limites. Temos que ter mais controle e fiscalização. Também quero dar os parabéns para todos que trabalham com aquicultura na região, pois começaram do nada e estão se expandido e a oportunidade é dez ou vinte vezes maior, pois o mundo está precisando de proteína de peixe. Com uma aquicultura sofisticada, pode-se atender a demanda não somente do Brasil, mas do mundo inteiro”, disse. “E outra oportunidade que não foi completamente explorada é a pesca esportiva. Pensamos que podemos trazer norte-americanos e europeus para pescar. Mas é muito mas que pesca, é também turismo. Outra coisa é proteger o meio ambiente, como no projeto do pirá. Com tantas instituições trabalhando junto, esse projeto será um modelo para o mundo inteiro”, declarou John Jensen.

Ele também ficou bastante empolgado com a estrutura do centro de Itiúba. “A infraestrutura aqui é excelente. Acredito que para as metas do futuro vamos poder utilizar tudo que tem aqui. Exemplo é a fábrica de ração, que são raras, mas importantes para fazer dietas para espécies específicas. Vejo oportunidade de fazer melhoramento genético e de desenvolver outros métodos, além de treinar cientistas e aquicultores da região. Veja a necessidade de treinamento em métodos de extensão”, afirmou.

pirá 1A visita técnica ao vale do São Francisco alagoano foi encerrada com a visita a dois lotes de piscicultores em projetos de irrigação mantidos pela Codevasf em Alagoas, sendo um no Perímetro Irrigado do Boacica, em Igreja Nova (AL), e o outro no Perímetro Irrigado do Itiúba, em Porto Real do Colégio. O contato com os piscicultores da região teve como objetivo avaliar os sistemas de cultivos e o uso de tecnologias.

O diretor de Revitalização das Bacias Hidrográficas da Codevasf, o engenheiro de pesca Eduardo Motta, destacou que esse é o primeiro passo para que as ações do termo de cooperação técnica entre a Codevasf e a Universidade de Auburn possam transformar a realidade da aquicultura e dos recursos pesqueiros na bacia do São Francisco.

“Começamos nesta etapa com as regiões do Submédio e Baixo São Francisco e vamos contemplar, na segunda etapa, as regiões do Médio e Alto São Francisco. Essas etapas correspondem ao levantamento das perspectivas e realidades socioeconômicas e das potencialidades dos recursos pesqueiros, revitalização da ictiofauna e oportunidades de avanço da aquicultura. A partir desse diagnóstico, vamos estabelecer um plano de trabalho composto por vários segmentos. Um deles é a recuperação de diversas espécies nativas que estão em grave processo de extinção, com destaque para o pirá”, pontuou.

“Temos que ter essas espécies como atrativos a pesca esportiva e a reabilitação econômica com a pesca e a aquicultura. Todos esses seguimentos irão compor um plano de trabalho que será firmado pela Universidade de Auburn com o complemento de todas as equipes dos centros de aquicultura da Codevasf”, finalizou Eduardo Motta.

Baixo São Francisco sergipano

Em Sergipe, a comitiva conheceu a Unidade de Beneficiamento de Pescado de Propriá – implantada pela Codevasf em 2005 para estruturar a cadeia produtiva de aquicultura. Em seguida, houve a visita a um lote do perímetro irrigado Propriá onde é realizada a produção de alevinos. Por último, os especialistas norte-americanos conheceram o trabalho desenvolvido pela Companhia no Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Betume, no município de Neópolis.

SergipeO superintendente regional da Codevasf em Sergipe, Said Schoucair, acompanhou a visita e destacou a importância dos trabalhos realizados ao longo dos últimos dias. “Temos um trabalho importante relacionado à piscicultura e esperamos que nossas ações se fortaleçam cada vez mais. Essa parceria reforça a Codevasf como um dos órgãos que são referência nessa atividade e demonstra que podemos seguir evoluindo”, destacou.

As atividades prosseguiram com a visita a projetos de cultivo de ostras no município de Brejo Grande (SE). Durante o encontro, produtores da região tiveram contato com o pesquisador William Walton para a troca de experiências sobre a criação de ostras, apontando as dificuldades e as potencialidades existentes na atividade.

Oscálmi Porto, gerente regional de Revitalização da Codevasf em Sergipe, disse que é fundamental a articulação da Companhia com instituições de pesquisa, como a Universidade de Auburn. “A ação reforça nosso compromisso com o desenvolvimento da aquicultura. É importante, como no caso do cultivo de ostras, o incentivo a novas cadeias produtivas em Sergipe”, afirmou.

Acompanhados de técnicos da Companhia, além de Alagoas e Sergipe, os pesquisadores norte-americanos visitaram projetos e unidades da Codevasf nos estados da Bahia e de Pernambuco.

Integram a comitiva norte-americana os pesquisadores Dennis DeVries, professor e diretor-assistente do programa de pesquisas; John Jensen, professor visitante e diretor; Russel Wright, especialista em extensão e professor; William Walton, especialista em malacologia e professor; e Fernando Kubitza, especialista em aquicultura e pesquisador visitante da Universidade de Auburn.

Veja fotografias ilustrativas no Flickr da Codevasf:
https://www.flickr.com/photos/codevasf/albums/72157666536448120

Ouça as notícias da Rádio Codevasf:
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