conteúdo

Jacaré-Curituba

por Valeria Rosa Lopes publicado 27/04/2021 18h01, última modificação 03/05/2021 14h43

Dados gerais

Localização: Municípios de Poço Redondo e Canindé de São Francisco - SE – Baixo São Francisco.
Polo de Desenvolvimento: Baixo São Francisco
Área Irrigável: 1.857 ha
Área Ocupada: 1.857 (lotes familiares)
Fonte hídrica: Rio São Francisco
Vazão outorgada vigente:
Investimentos até 2020: 
Dados da infraestrutura: 52 km de estradas, 37 estação de bombeamento; um reservatório de compensação, 50 km de canais


O projeto Jacaré-Curituba, originalmente, foi concebido por iniciativa do Governo de Sergipe, denominado como Nova Califórnia, previa 134 lotes empresariais (com 26 ha de área média cada lote), dos quais 80 lotes seriam destinados para agricultura irrigada e 54 para desenvolvimento da atividade pecuária.
O projeto foi idealizado em três etapas. A 1ª etapa é caracterizada pela obra que vai desde a tomada d’água, na barragem da usina Hidrelétrica de Xingó, até a estação de bombeamento EB100 (incluindo a construção de tuneis na rocha, sendo a água conduzida por gravidade). A 2ª etapa caracteriza-se a partir das obras da EB100 e canais de adução até o reservatório de compensação (R-1). Já a 3ª etapa compreendia a infraestrutura de uso comum a partir do reservatório de compensação levando água pressurizada até a entrada dos lotes.
Entretanto, quando já haviam sido iniciadas as obras da 1ª etapa do projeto, em 1997, parte da sua área teve sua finalidade redefinida para o assentamento de 682 famílias, sob a responsabilidade do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), para atender as reivindicações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), passando essa área a ser chamada de Projeto Jacaré-Curituba. A CODEVASF assumiu a execução da conclusão de algumas obras da 2º etapa e das obras, aquisição e montagem de equipamentos previstos para a 3ª etapa, até a sua conclusão em outubro de 2014 (Codevasf, 2016).
Como a finalidade original do projeto foi redirecionada, toda a infraestrutura de uso comum foi aproveitada e adaptada para a sua nova destinação, sem alteração dos estudos básicos e do balanço hídrico do projeto. Com isso, cada um dos lotes empresariais projetados para agricultura irrigada, que tinham apenas uma tomada de água e uma unidade eletromecânica para bombeamento pressurizado, foi destinado para um grupo de irrigantes, enquanto cada um dos lotes projetados para a atividade pecuária, que também possui uma só tomada de água, foi destinado para uma família assentada.
Atualmente o projeto possui 643 famílias assentadas, 643 lotes de um total de 750 lotes (subdivisão dos 80 lotes irrigados e 54 de sequeiro).
Os produtores do projeto, encontram-se na região desde 1997, quando foi montado o acampamento do MST.
Os lotes são titulados no nome das chefes de família, característica essa que diferencia esse projeto de irrigação dos demais projetos.
No momento, o projeto dispõe de 4 escolas, 2 postos de saúde, 22 agentes de saúde e 2 equipes do Programa Saúde da Família (PSF). A água para o consumo é água bruta. No total, o projeto conta com 40 agrovilas divididas por nome e, com aproximadamente 9 mil pessoas morando no local.
Em 2015, a CODEVASF contratou a execução da fase de pré-operação e em 2020 os primeiros dados de produção foram obtidos.

Produção Agrícola

 Jacare_culturas.jpg

Figura 1 - Principais espécies cultivadas no projeto Jacaré-Curituba, de acordo com o VBP, no ano de 2020
Fonte: Elaborado com dados da CODEVASF, 2021.

 

Características da produção

Por ser um projeto ainda nos primeiros anos de operação as principais culturas ainda são as temporárias, com destaque para o quiabo, amplamente cultivado na região, que foi responsável por 30% do VBP deste projeto (Gráfico 33). A mandioca é a segunda cultura de maior importância, representando 22% do VBP, seguida pela acerola (19%), milho verde (10%), goiaba (10%), batata-doce (5%) e outras culturas (4%). O VBP desse projeto foi de R$ 12.567.615, em uma área cultivada de 1.202 hectares, gerando uma renda bruta de R$ 10.456 por hectare cultivado.

A cultura do quiabo, que foi descartada nos estudos agronômicos por ser uma cultura com baixo retorno econômico, tornou-se um dos principais produtos do projeto. O preço varia muito ao longo do ano e os produtores sofrem com o excesso de oferta dessa cultura que tem o preço da saca oscilando fortemente. A colheita é feita três vezes por semana e, no período da alta safra, o verão, a diária para a colheita do quiabo também aumenta. Já a mandioca, segunda mais cultivada, normalmente, é cultivada pelo mesmo produtor que cultiva quiabo. Esses produtores, sofrem com a oscilação de preços e são em grande número no projeto.

Já as culturas da acerola e goiaba tem sido boas alternativas e podem ter melhor rendimento para os produtores, assim como o maracujá e a banana.

Além das culturas agrícolas ainda há a atividade bovinocultura de corte e de leite, que em 2020 foi responsável por um VBP de R$ 1,86 milhões (TABELA 1).

Tabela 3 – Espécie, área ocupada, produção e VBP da pecuária de corte e de leite no ano de 2020

Jacaré-Curituba_pecuária.jpgFonte: Elaborada com dados da CODEVASF, 2021.

Potencialidades

Estima-se a geração de 1.202 empregos diretos, 1.803 empregos indiretos e 409 empregos induzidos, com uma produção estimada de 12.170 t de produtos agrícolas e um VBP de R$ 12.567.615, em 2020.