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Especialistas discutem uso de transporte multimodal como vetor de desenvolvimento

A importância econômica e ambiental do transporte fluvial foi o foco do debate que reuniu nesta segunda-feira (7), em Petrolina (PE), especialistas e representantes do poder público e da sociedade civil no Workshop Socioambiental do Corredor Multimodal do rio São Francisco – evento promovido pela Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba) e pelo Banco Mundial, em parceria com Ministério da Integração Nacional, Ministério dos Transportes, Antaq, Dnit e governos dos estados da Bahia, Minas Gerais e Pernambuco.
publicado: 07/04/2014 19h25, última modificação: 20/06/2018 17h24

A importância econômica e ambiental do transporte fluvial foi o foco do debate que reuniu nesta segunda-feira (7), em Petrolina (PE), especialistas e representantes do poder público e da sociedade civil no Workshop Socioambiental do Corredor Multimodal do rio São Francisco – evento promovido pela Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba) e pelo Banco Mundial, em parceria com Ministério da Integração Nacional, Ministério dos Transportes, Antaq, Dnit e governos dos estados da Bahia, Minas Gerais e Pernambuco.

O workshop pretendeu discutir, disseminar e consolidar informações que ajudarão as esferas pública e privada a tornarem realidade um projeto de corredor multimodal de transportes no país, que integraria hidrovia, ferrovias e estradas. Os benefícios seriam redução de tempo com a logística do transporte de cargas, redução da emissão de gases poluentes como o CO² e promoção do desenvolvimento regional com a implantação de novas cadeias produtivas.

O debate foi aberto pelo superintendente da Codevasf em Pernambuco, João Bosco Lacerda de Alencar, que representou o presidente da instituição, Elmo Vaz. João Bosco ressaltou a importância de o poder público pensar em questões ambientais e frisou que a Codevasf tem desenvolvido ações de revitalização do rio São Francisco que somam cerca de R$ 2,5 bilhões em investimentos desde 2004, num esforço permanente para assegurar a saúde e a navegabilidade do rio.

“A Codevasf vem tratando da questão da revitalização da bacia do rio São Francisco através da construção de sistemas de esgotamento sanitário, de gestão de resíduos sólidos e dos projetos de desassoreamento do rio. Essas ações melhoram a qualidade de vida do povo da região e também preservam a fauna e a flora ao despoluir o rio”, destacou João Bosco.

O representante do Ministério da Integração Nacional no worshop, Luiz Paulo Oliveira Silva, que é especialista em políticas públicas, disse que, para o ministério, o corredor multimodal é uma oportunidade de desenvolvimento e que o rio São Francisco tem importância secular e papel preponderante. "O transporte fluvial é ambientalmente menos impactante e é o que traz maior benefício entre todos os modais de transporte. É a melhor forma que existe para conservar um rio, utilizando-o de maneira responsável, tornando o rio navegável”, frisou.

Luiz Ribeiro, secretário de política nacional de transporte do Ministério dos Transportes, enfatizou a importância ambiental do modal fluvial e elogiou a atenção que o governo passou a dar ao transporte hidroviário do país. “No planejamento da nova matriz de transportes para o Brasil essa discussão tem sido feita mais intensamente. Esse reequilíbrio da matriz de transportes, que hoje tem predominância rodoviária, com as ações no transporte hidroviário e ferroviário, fará com que se reduzam custos logísticos e de transporte que são extremamente importantes para a economia brasileira”, assinalou o secretário.

O modelo projetado pelos técnicos do Bird segue exemplos de três grandes rios do mundo: o rio Danúbio, na Europa; o Mississipi, nos Estados Unidos; e o Yang Tzé, na China. São modais hidroviários que promoveram o desenvolvimento com preocupação socioambiental nas suas execuções. O economista do Bird Lincoln Flor disse que os estudos avançam e que a execução do corredor no São Francisco dependerá do governo federal e do envolvimento dos governos dos estados envolvidos: Bahia, Pernambuco e Minas Gerais. “O envolvimento reúne desde a parte da infraestrutura até as questões ambientais; e os benefícios para o setor privado tornam os negócios mais rentáveis com o modal. A empresas ganham em infraestrutura com o incentivo da navegação. Todos os esforços devem estar envolvidos, pois dessa forma mais empresas estarão interessadas na região”, disse.

Convergência de opiniões

Na primeira parte do evento, especialistas do Banco Mundial apresentaram políticas ambientais e sociais do Banco, impactos socioambientais de hidrovias e potenciais benefícios econômicos do Corredor Multimodal do rio São Francisco, com base em experiências internacionais.

Na parte final, todas as prioridades ambientais e sociais foram categorizadas pelos participantes em plenária. Esse resultado servirá de subsídio para o desenvolvimento do Plano de Ação do Corredor Multimodal do São Francisco, no que tange à dimensão estratégica de meio ambiente. “É muito interessante ver que, pela primeira vez, existe convergência de opiniões, ao invés de divergência”, analisou Antônio Alberto Valença, assessor chefe da Secretaria do Planejamento do Governo da Bahia, que há 16 anos trabalha com questões de desenvolvimento do rio.

Participaram dos debates, entre outros, o analista de desenvolvimento regional da Codevasf Rafael Siqueira, o engenheiro do USACE Calvin Creech; o analista ambiental do Ministério do Meio Ambiente Fábio Abreu; o professor Benito Muiños Juncal, da Universidade Federal da Bahia; o secretário do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco, José Maciel Nunes de Oliveira; e o especialista em segurança viária Paulo Guimarães, do Observatório Nacional de Segurança Viária.

Veja fotografias no perfil da Codevasf no Flickr:

https://www.flickr.com/photos/codevasf/sets/72157643602513103/