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Sertanejas apostam na criação de tilápia em tanques-rede

Vinte mulheres sertanejas do povoado Porto da Barra, no município alagoano de Delmiro Gouveia, encontraram uma alternativa para complementação da renda familiar com a criação de tilápias em tanques-rede no lago Moxotó, na barragem Apolônio Sales.
publicado: 11/02/2011 16h33, última modificação: 20/06/2018 17h10

Vinte mulheres sertanejas do povoado Porto da Barra, no município alagoano de Delmiro Gouveia, encontraram uma alternativa para complementação da renda familiar com a criação de tilápias em tanques-rede no lago Moxotó, na barragem Apolônio Sales. Enquanto a maioria dos homens das famílias passa a semana fora de casa trabalhando em ocupações como construção civil, as mulheres dividem-se entre as atividades domésticas e o manejo no cultivo de tilápias.

O projeto de criação de tilápias em tanques-rede foi iniciado há quase um mês no povoado de Porto da Barra a partir de uma parceria da Codevasf com a Associação de Agricultores do povoado formado por pouco mais de 140 pessoas descendentes de pescadores. Essa é a primeira unidade de produção do projeto de Porto da Barra.

Segundo o zootecnista Elias Kleiton, analista em desenvolvimento regional da Codevasf em Alagoas e responsável pela assistência e implantação do projeto, foram cedidos pela Companhia três unidades de produção. “Cada unidade possui sete tanques-rede de 4,8 m³, totalizando 21, sendo o cultivo dividido em três fases: cria, recria e engorda. Inicialmente, na fase chamada de cria, em cada unidade de produção são estocados quatro mil alevinos em um tanque-rede berçário. Após 60 dias é realizada a primeira repicagem, que é a divisão dos peixes juvenis em outros dois tanques-rede, fase chamada de recria. Após mais 60 dias da primeira repicagem é realizada a segunda, dividindo novamente os peixes em quatro tanques-rede, fase chamada de engorda, que se desenvolve até a despesca dos peixes, quando os animais já estão com peso entre 600 a 700g”, explicou. Ele acrescentou ainda que ciclo de cultivo tem duração de 6 meses.

O povoamento de cada unidade de produção é realizado com intervalo de 20 dias, objetivando que a cada mês sejam despescados quatro tanques-rede, com produção entre 1.500 a 2.000 kg de peixes. A alimentação das tilápias é realizada cinco vezes ao dia com a colocação de ração nos tanques-rede no intervalo entre 7h e 16h30 e a cada quinze dias também é executado o monitoramento biométrico, que verifica o crescimento dos peixes visando o reajuste da quantidade ração de cada tanque.

Além do apoio com todos insumos necessários para a primeira produção de peixes da associação, a Codevasf disponibiliza assistência técnica visando a transferência de tecnologia para o desenvolvimento sustentável do projeto.


TRABALHO ALTERNATIVO E RENTÁVEL

Cícero Pereira, presidente da Associação dos Agricultores de Porto da Barra, é um dos três únicos homens, no universo de 23 associados que participam do projeto de criação de tilápia. “Aqui as mulheres mandam. A maioria dos homens viaja para trabalhar e elas ficam aqui, tendo que se virar para ter uma renda. Dai surgiu a ideia de criação das tilápias e estamos apostando nisso”, explicou o líder dos associados.

Dona Maria de Lourdes, 55 anos, filha de pescadores de Porto da Barra, cresceu vendo a pesca no rio São Francisco. Segundo ela, antes do represamento do rio para formação do lago Moxotó e construção da hidroelétrica Apolônio Sales, a comunidade vivia da pesca. “Quando a água corria dava mais peixe aqui. Pescava-se de rede, de tarrafa, de batida. Depois dessa represa, os peixes diminuíram”, reclamou. Mas, de acordo com ela, a criação dos peixes em tanques-rede traz ânimo para a comunidade, que passou a sobreviver de agricultura de subsistência e criação de pequenos animais como galinhas. “Ainda pegamos peixes, mas a criação deve trazer uma rendinha para todos nós”, comemorou.

Anilta Sueli, 29 anos, é outra associada que acredita no desenvolvimento do projeto para mudar a realidade das famílias de Porto da Barra. ”O interesse da gente é fazer a criação dar certo. Antes de trazer para cá [a criação em tanques-rede], fomos conhecer os projetos que acontecem no povoado Santa Rita, em Jatobá, Pernambuco. Isso nos deixou bem interessadas”, afirmou a jovem empreendedora.

Para a implantação deste projeto, a Codevasf conta com a parceria do SEBRAE/AL, Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), Secretaria de Estado da Agricultura e Desenvolvimento Agrário de Alagoas (Seagri) e Prefeitura Municipal de Delmiro Gouveia.

Além da Associação de Agricultores do Povoado Porto da Barra, a Codevasf desenvolve projetos de criação de tilápia em tanques-rede com outras oito associações, uma cooperativa e com a Prefeitura Municipal de Pão de Açúcar a partir do Programa de Arranjos Produtivos Locais (APLs) com ações nos municípios de Penedo, Porto Real do Colégio, Arapiraca, Traipu, Olho D’água do Casado, Delmiro Gouveia, Santana do Ipanema e Pão de Açúcar. Para isso, foram investidos, desde de 2007 até o momento, cerca de R$ 600 mil somente na aquisição de equipamentos, a exemplo de tanques-rede e barcos.