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Rio São Francisco recebe um milhão de peixes durante repovoamento promovido pela Codevasf

Cerca de um milhão de peixes juvenis das espécies nativas xira, piau, dourado, matrinxã, pacamã e piaba foram inseridos no final da manhã do último domingo (13), em trechos do rio São Francisco em Penedo (AL), durante a Festa de Bom Jesus dos Navegantes. O peixamento foi realizado pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), em parceria com a Prefeitura Municipal de Penedo, e mobilizou moradores locais e turistas que acompanhavam a tradicional festividade religiosa daquele que é considerado o protetor dos navegantes.
publicado: 14/01/2013 17h53, última modificação: 20/06/2018 17h15

Cerca de um milhão de peixes juvenis das espécies nativas xira, piau, dourado, matrinxã, pacamã e piaba foram inseridos no final da manhã do último domingo (13), em trechos do rio São Francisco em Penedo (AL), durante a Festa de Bom Jesus dos Navegantes. O peixamento foi realizado pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), em parceria com a Prefeitura Municipal de Penedo, e mobilizou moradores locais e turistas que acompanhavam a tradicional festividade religiosa daquele que é considerado o protetor dos navegantes.

Simone Brito Cavalcante veio com a família de Petrolina, município pernambucano localizado às margens do rio São Francisco, conhecer a histórica cidade de Penedo e sua tradicional Festa de Bom Jesus dos Navegantes. No domingo, ela, seus dois filhos, o sobrinho e a cunhada acordaram cedo para acompanhar a movimentação da festa na orla fluvial da cidade e participar do peixamento. "Nunca tinha participado de um peixamento. Apesar de morar em Petrolina, que é banhada pelo São Francisco, ainda não tinha visto esse trabalho. Achei bem interessante para levar vida ao rio, que precisa demais", afirmou.

O estudante Willian Cavalcante, 17 anos, sobrinho de Simone, participou ativamente do peixamento, com a soltura de peixes às margens do rio São Francisco no porto das balsas. "Essa foi uma oportunidade muito boa de participar da revitalização do São Francisco e despertar um pouco, para entender que o rio não irá se revitalizar sozinho. Ele carrega a vida ao redor de todos nós e temos que ajudar também nesse processo de revitalização para que se possa reestabelecer o equilíbrio ecológico", disse. William já havia participado de atividade semelhante, promovida pela escola em que estudava em Petrolina, e possui uma relação bem próxima com o "Velho Chico". "Desde criança, tomo banho nas águas do rio São Francisco em Petrolina. Agora que estou maior, não tenho ido com tanta frequência, mas tenho boas lembranças", relatou o estudante.

Para o superintendente regional da Codevasf em Alagoas, Luiz Aberto Moreira, as ações de peixamento fortalecem o repovoamento que a Companhia realiza durante todo o ano na bacia hidrográfica, em todos os estados banhados pelo São Francisco. "Essa é uma ação fundamental da Codevasf no processo de revitalização do São Francisco. Com esse peixamento, colocamos no rio, em Penedo, cerca de um milhão de peixes nativos. O trabalho que a Companhia realiza rotineiramente a partir de seis centros integrados de aquicultura ao longo da bacia, um deles em Alagoas, o Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Itiúba, vem colhendo frutos nos relatos que ouvimos de pescadores", disse.

Moreira afirmou que a Companhia pretende manter a tradição de realizar grandes peixamentos durante a Festa de Bom Jesus dos Navegantes de Penedo. "Este peixamento realizado pela Codevasf e que tem a parceria da Prefeitura de Penedo já é uma tradição há muitos anos. A tendência é que o façamos cada vez melhor e mais bonito, levando mais vida a esse rio que nos dá tanto retorno", acrescentou.

O peixamento foi acompanhado pelo secretário municipal de agricultura de Penedo, Ricardo Góes, que representou o prefeito Marcius Beltrão na atividade. "Essa parceria da Codevasf com a Prefeitura Municipal de Penedo é muito importante para que possamos trazer desenvolvimento a nossa região. Todos os anos realizamos esse grande peixamento. Sabemos dos problemas ambientais do rio e não vamos deixar que isso aconteça. Esses investimentos da Codevasf em tecnologia, com a produção em laboratório de espécies nativas do São Francisco, contemplam o ribeirinho com essa quantidade de peixes. Agora aguardaremos que eles cresçam e que a comunidade possa se beneficiar dessa ação", pontuou.

Góes pretende estreitar a atuação da Codevasf com a Prefeitura de Penedo para o desenvolvimento regional do município. "A Codevasf tem sido de extrema importância para o desenvolvimento regional do Baixo São Francisco. Pretendemos levar à frente as ações de peixamento, não somente no rio, mas em açudes comunitários e públicos, nos quais pretendemos desenvolver fortemente ações de fortalecimento da piscicultura em nosso município. Sabemos o valor do pescado para a alimentação. Mas o consumo ainda fica a desejar para nós, nordestinos e brasileiros, e os investimentos em piscicultura e pesca podem melhorar essa situação", defendeu o secretário.

Realizado anualmente durante a Festa de Bom Jesus dos Navegantes de Penedo, o peixamento mobilizou no último domingo dezenas de pessoas na orla fluvial da cidade. A atividade foi divida em duas etapas. Na primeira, um caminhão com caixas próprias para o transporte de peixes foi conduzido por uma balsa da empresa Tupan, que apoia a realização do peixamento. Em três trechos do rio em Penedo - em frente à prainha, próximo à Rocheira e em frente ao porto das balsas -, os animais foram inseridos nas águas por meio de uma calha. Em uma segunda, as pessoas que acompanhavam o peixamento puderam participar ativamente, nas margens do rio, da soltura dos peixes.

Os peixes utilizados no peixamento foram produzidos no Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Itiúba, situado no município de Porto Real do Colégio. Esta ação está inserida no Programa de Recuperação e Controle de Processos Erosivos, executado pela Codevasf, que visa monitorar a qualidade da água e recompor a ictiofauna nativa da Bacia Hidrográfica do rio São Francisco, para garantir segurança alimentar à população local e produção comercial de pescado, fixando a população rural no campo.