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Pasto rotativo aumenta produção leiteira em perímetro gerido pela Codevasf em Alagoas

A tecnologia de pasto rotativo, conhecida também como método Voisin, está aumentando a produção leiteira de produtores familiares no perímetro irrigado do Marituba, mantido pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) em Penedo (AL), no Baixo São Francisco alagoano.
publicado: 25/06/2013 16h36, última modificação: 20/06/2018 17h16

A tecnologia de pasto rotativo, conhecida também como método Voisin, está aumentando a produção leiteira de produtores familiares no perímetro irrigado do Marituba, mantido pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) em Penedo (AL), no Baixo São Francisco alagoano.

A primeira experiência de uso do pasto rotativo no perímetro irrigado conseguiu quase triplicar a produção diária de leite por animal. As vacas leiteiras que antes produziam individualmente pouco mais de três litros de leite por dia passaram a produzir dez litros.

Em um lote de 4,57 hectares, Arly Lúcio, 28 anos, cria gado leiteiro da raça girolando utilizando a tecnologia do pasto rotativo, paralelamente ao cultivo da pimenta com a família. “Abandonamos o gado de corte, pois não é atividade para pequeno produtor retirar sua renda diária. Os animais são abatidos a cada seis meses, no mínimo, e nesse tempo não temos como fazer renda. Ficamos esperando o gado chegar no ponto de abate e isso pode levar até dois anos”, explica Arly Lúcio, que teve contato com a tecnologia em visita à Cooperativa Pindorama.

“No contato com os produtores da Cooperativa Pindorama em Coruripe (AL) pude ver que a produção de leite tinha aumentando e decidi trazer para cá o sistema rotativo. Tive o apoio fundamental da Codevasf e da Cooperativa Marituba para levar a ideia à frente”, afirma o produtor.

Antes da implantação da tecnologia do pasto rotativo, Arly possuía quatorze matrizes leiteiras que juntas produziam 50 litros de leite por dia no sistema extensivo, com uso de pasto nativo. Hoje, com o uso dessa tecnologia, o número de matrizes foi reduzida para seis, mas a produção leiteira foi ampliada para 60 litros, o que significa que a produção de leite por animal foi quase triplicada com a utilização do método Voisin. Arly Lúcio pretende ampliar ainda mais sua produção leiteira com a tecnologia. “Quero chegar a produzir 300 litros de leite por dia. Esse é meu projeto”, diz.

O leite produzido por Arly Lúcio e pelos demais produtores familiares do perímetro irrigado é adquirido pela Cooperativa Marituba (Coomarituba), organização que reúne os produtores familiares do perímetro da Codevasf de mesmo nome, que paga o valor líquido de R$ 1,07 por litro. O leite fica armazenado em um tanque de resfriamento e a cada dois dias é coletado pela Cooperativa Pindorama, que realiza o pagamento aos produtores por meio da Coomarituba a cada 15 dias.

Método

Os resultados alcançados por Arly Lúcio foram possíveis devido ao uso de uma tecnologia bastante simples, mas extremamente eficiente no aumento da produção leiteira. Uma área de 1,5 hectare no lote do produtor teve o solo preparado durante 60 dias para receber o gado com a adição de nutrientes e a implantação da pastagem com capim da espécie Mombaça. Em seguida, essa área foi dividida em 28 piquetes com 18 metros quadrados cada um, que são separados por cercas eletrificadas de baixa potência. Assim, o gado leiteiro consome o pasto de modo rotativo, de um piquete por dia, até o vigésimo oitavo dia, finalizando o ciclo e retornando a pastar no primeiro piquete, enquanto o pasto volta a crescer nas outras áreas.

A experiência de Arly Lúcio motivou a implantação de uma unidade piloto da tecnologia de pasto rotativo como forma de estimular a adesão de novos produtores familiares ao método. Funcionando desde o início do mês de maio deste ano, a unidade foi montada pela Codevasf e pela Coomarituba em um lote na Unidade do Projeto Amanhã no local e utiliza 1,1 hectare do lote para criação de 14 vacas leiteiras da raça girolando. A proposta é de que a área seja ampliada para 2,3 hectares e chegue a utilizar 30 matrizes leiteiras.

“A unidade foi implantada a partir de uma sugestão que levei ao chefe da Unidade de Apoio à Produção da Gerência de Empreendimento de Irrigação da Codevasf em Alagoas, Paulo Pantoja. Como resultado do convênio entre a Codevasf e o governo de Alagoas, seriam disponibilizadas para os produtores familiares do Marituba 400 vacas leiteiras. Daí propus que, desse total, 30 animais fossem colocadas numa unidade piloto com a tecnologia do pasto rotativo que serviria para demonstrar aos produtores a viabilidade do projeto”, explica o técnico agropecuário Edgar Soares Júnior.

Adesão de novos agricultores

Uma reunião na sede da Coomarituba apresentou aos cooperados a proposta de implantação da tecnologia de pasto rotativo nos lotes do perímetro como estratégia para ampliar a produção de leite. Segundo o engenheiro de pesca Paulo Pantoja, chefe da Unidade Regional de Apoio à Produção da Gerência de Empreendimento de Irrigação da Codevasf em Alagoas e responsável pela coordenação das ações da Companhia no perímetro irrigado, há uma grande expectativa dos produtores do Marituba em relação à implantação da tecnologia.

“Estamos bastante satisfeitos com os primeiros resultados da produção leiteira usando o sistema de pasto rotativo, conhecido também como Projeto Balde Cheio. Além da utilização da tecnologia, o sucesso no aumento da produção também se deve ao produtor que vem fazendo corretamente o trabalho de controle econômico, zootécnico e climatológico. Por exemplo, no período com aumento das chuvas, ele sabe que não há necessidade de irrigação da pastagem, pois faz um acompanhamento pluviométrico. Tudo isso resulta em maior rentabilidade do empreendimento agropecuário familiar, pois em uma pequena propriedade há uma otimização do uso do pasto e uma diminuição do esforço de trabalho da família”, afirma Paulo Pantoja. De acordo com Pantoka, alguns produtores familiares dos perímetros irrigados de Boacica, em Igreja Nova (AL), e de Itiúba, em Porto Real do Colégio (AL), também estão trabalhando com o sistema “Balde Cheio”.

O chefe da Unidade Regional de Apoio à Produção da Codevasf em Alagoas destacou que para implantação do sistema de pasto rotativo no perímetro do Marituba, a Codevasf contou com o apoio da Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário de Alagoas (Seagri/AL), do Sebrae/AL e da Coomarituba.

Disseminar tecnologia

Para o superintendente regional da Codevasf em Alagoas, Luiz Alberto Moreira, o uso de tecnologia para aperfeiçoar a produção leiteira já é uma realidade no Baixo São Francisco alagoano. “A Codevasf não tem medido esforços para fortalecer a produção familiar em nossa região. Para alcançar esses resultados contamos especialmente com os esforços das famílias do perímetro do Marituba, que acreditaram na bovinocultura leiteira como atividade principal geradora de renda. Agora vamos disseminar essa tecnologia junto a outros produtores familiares atendidos pela Codevasf em Alagoas”, afirma.

O presidente da Coomarituba, José Nilton Bento, também está bastante otimista com a utilização da tecnologia no perímetro irrigado. “Nós estamos nascendo agora na atividade leiteira. Mas colocamos à disposição dos produtores uma área de um hectare em cada um dos lotes para implantar a pastagem rotativa com custo quase zero para eles. As experiências de Arly e de Edgar servem de estímulo para outros produtores”, avalia.

Segundo ele, a Coomarituba está trabalhando para inserir novas famílias na utilização da tecnologia. Para isso, já teve início o trabalho de correção de solo e a aquisição de calcário e sementes de capim Mombaça, que serão utilizadas nos lotes dos produtores do Marituba interessados em aderir à tecnologia.

Marituba

Localizado no município de Penedo (AL), o perímetro irrigado do Marituba ocupa uma área de 1.801 hectares e está dividido em 316 lotes de produtores familiares. Sua implantação pela Codevasf teve início na década de 1990, com a perspectiva de tornar a área um projeto modelo de aproveitamento dos recursos hídricos do rio São Francisco para produção agropecuária.

Em 2010, a Codevasf decidiu apostar em um modelo de gestão que pudesse efetivar o novo perímetro irrigado, tendo como base a Concessão de Direito Real de Uso (CDRU) para uma empresa com comprovado conhecimento técnico e experiência no desenvolvimento de projetos agropecuários. Após processo licitatório, a Cooperativa Pindorama, considerada a maior cooperativa agroindustrial do Nordeste, venceu a disputa.

Foi então criada a Cooperativa Marituba, para organizar os produtores do perímetro irrigado, que passaram a receber a transferência de técnicas e tecnologias da Pindorama no processo de estruturação da atividade agropecuária no local. A produção agropecuária está especialmente concentrada na bovinocultura do leite e integra a estratégia do Governo Federal e do Governo de Alagoas de implantação de uma bacia leiteira na região sul do estado. Hoje o perímetro produz mensalmente cerca de 45 mil litros de leite, que são adquiridos integralmente pela Cooperativa Pindorama.