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Missão de Moçambique visita perímetros públicos de irrigação da Codevasf

A experiência de gestão dos perímetros públicos de irrigação mantidos pela Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) em Alagoas e em Petrolina (PE) está sendo conhecida esta semana por uma missão formada por representantes do governo de Moçambique. O objetivo da missão - que teve início com reuniões de trabalho na sede da Codevasf, em Brasília -, é conhecer as experiências em agricultura irrigada do Brasil e os modelos de implantação e gestão de empreendimentos públicos de irrigação como forma de subsidiar o processo de criação do Instituto Nacional de Irrigação (Inir) do país africano.
publicado: 04/07/2012 11h02, última modificação: 20/06/2018 17h13

A experiência de gestão dos perímetros públicos de irrigação mantidos pela Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) em Alagoas e em Petrolina (PE) está sendo conhecida esta semana por uma missão formada por representantes do governo de Moçambique. O objetivo da missão - que teve início com reuniões de trabalho na sede da Codevasf, em Brasília -, é conhecer as experiências em agricultura irrigada do Brasil e os modelos de implantação e gestão de empreendimentos públicos de irrigação como forma de subsidiar o processo de criação do Instituto Nacional de Irrigação (Inir) do país africano.

A missão esteve na segunda (02) em Alagoas e é formada pelo chefe do Departamento de Engenharia Hidráulica do Ministério da Agricultura de Moçambique Aurélio Antônio Nhabetse, e pelo técnico do mesmo departamento Almeida José Almeida. Na quinta-feira (05), os representantes do governo moçambicano irão conhecer o perímetro irrigado Nilo Coelho, que a Codevasf mantém em Petrolina e que possui destaque internacional pelo cultivo de frutas, especialmente uvas, e pela produção de vinhos em pleno semiárido nordestino.

Perímetros irrigados em Alagoas - Durante a visita, o gerente regional de Empreendimentos de Irrigação da Codevasf em Alagoas, engenheiro agrícola Geraldo Mota, apresentou no auditório do Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Itiúba - centro tecnológico da companhia em Porto Real do Colégio -, informações e dados sobre a estrutura, produção e gestão dos três perímetros públicos de irrigação mantidos pela empresa pública do governo federal em Alagoas: o de Itiúba, em Porto Real do Colégio, de Boacica, em Igreja Nova, e do Marituba, em Penedo.

“Os perímetros de irrigação implantados no Baixo São Francisco, nos estados de Alagoas e Sergipe, possuem foco na agricultura familiar. Para manutenção dos perímetros, o governo federal, por meio da Codevasf, investe na infraestrutura de irrigação e drenagem, no fornecimento de energia elétrica e na disponibilização de assistência técnica e extensão rural (Ater)”, explicou Geraldo Mota. Ele ainda ressaltou a necessidade de buscar alternativas para geração de energia elétrica na fase de elaboração do projeto de irrigação. “A energia elétrica é um fator limitante e deve-se pensar em alternativas de fornecimento durante a concepção do projeto de irrigação. Sem formas mais eficientes de fornecimento de energia, o projeto poderá ter riscos em sua sustentabilidade. Pode-se pensar na geração de energia eólica ou térmica, por exemplo”, observou o engenheiro agrícola.

O chefe do Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Itiúba, engenheiro de pesca Alexandre Delgado, também fez uma exposição sobre o centro tecnológico da Codevasf nas áreas de aquicultura e recursos pesqueiros. Técnicos que prestam assistência técnica e extensão rural nos perímetros da Codevasf em Alagoas apresentaram os trabalhos desenvolvidos junto aos agricultores familiares.

As apresentações contaram com a participação de agricultores dos perímetros irrigados, que também relataram suas experiências com agricultura irrigada a partir da infraestrutura pública de irrigação e drenagem. “Se não fosse a implantação desses projetos de irrigação no Baixo São Francisco, a pobreza seria generalizada. Meus pais trabalharam como meeiros nas terras de outros proprietários. Com a implantação do perímetro do Itiúba, no final dos anos de 1970, passamos a trabalhar no lote de nossa família. Hoje tenho 40 anos de trabalho e criei meus filhos aqui. Tenho filho que hoje faz faculdade, tudo tirado do meu trabalho no Itiúba. Isso não seria possível sem o perímetro implantado pela Codevasf”, defendeu o agricultor João Roque, que detém lotes no Perímetro Irrigado do Itiúba, no qual produz arroz e cana-de-açúcar e desenvolve atividades de piscicultura.

Após as apresentações, os membros da missão conheceram a infraestrutura de irrigação e drenagem do Perímetro Irrigado do Itiúba e visitaram alguns lotes para ouvir a opinião dos agricultores sobre o projeto de irrigação. O perímetro do Itiúba possui 854 hectares de área irrigada, dividida em 227 lotes, que produzem arroz, cana-de-açúcar e desenvolvem atividades de piscicultura. Em 2010, a receita total bruta foi de cerca de R$ 3,5 milhões. São 75,4 km de rede de irrigação e 70,1 km de rede de drenagem. No local, os dois moçambicanos também puderam acompanhar o processo de preparação da terra para plantio do arroz da safra inverno 2012 e tirar dúvidas sobre pragas e técnicas na rizicultura com os agricultores.

De acordo com Almeida José Almeida, técnico do Ministério da Agricultura de Moçambique, a proposta de envio de uma missão de técnicos moçambicanos ao Brasil surgiu quando o governo daquele país tomou conhecimento que o Brasil iria criar a Secretaria Nacional de Irrigação (Senir). “Viemos pegar aqui a experiência do Brasil na área de irrigação. A visita nos permitiu identificar como são feitas as planificações da irrigação, as técnicas e tecnologias e a gestão e organização dos agricultores. O Instituto Nacional de Irrigação de Moçambique tem muita semelhança com o trabalho desenvolvido pela Codevasf. No caso da produção de arroz, nós também temos uma cultura forte, mas ainda somos muito dependentes da comprar no exterior. Com as experiências que vimos aqui, queremos aumentar nossa produção”, declarou.

Para a assessora técnica da Secretaria Nacional de Irrigação do Ministério da Integração Nacional, Adriana Oliveira, que acompanha a missão moçambicana no Brasil, a visita representa o reconhecimento internacional da proposta brasileira de ter na estrutura do Governo Federal uma secretaria de atuação nacional para estruturar e fomentar a agricultura irrigada no país. Ela ainda destacou os desdobramentos que a vinda da missão terá na relação entre os dois países. “Há lugar para parcerias entre os dois países na área de irrigação, e é isso que pretendemos. A visita e o interesse da missão moçambicana fortalece esse intercâmbio técnico entre Brasil e Moçambique”, afirmou.