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Mão de obra feminina impulsiona produção de pimenta em perímetro irrigado da Codevasf

A agricultura familiar é responsável por cerca de 70% dos alimentos consumidos pelos brasileiros - e a cada ano cresce o papel da mulher nessa atividade. No perímetro irrigado do Marituba, mantido pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) na zona rural de Penedo (AL), às margens do rio São Francisco, as famílias de agricultores estão inovando com a produção de pimenta tabasco cultivada com a participação das mulheres, nos mesmos lotes em que se pratica a bovinocultura leiteira.
publicado: 07/03/2013 16h49, última modificação: 20/06/2018 17h16

A agricultura familiar é responsável por cerca de 70% dos alimentos consumidos pelos brasileiros - e a cada ano cresce o papel da mulher nessa atividade. No perímetro irrigado do Marituba, mantido pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) na zona rural de Penedo (AL), às margens do rio São Francisco, as famílias de agricultores estão inovando com a produção de pimenta tabasco cultivada com a participação das mulheres, nos mesmos lotes em que se pratica a bovinocultura leiteira.

São seis famílias de agricultores do perímetro irrigado do Marituba que integram a Cooperativa Marituba (Coomarituba) e que estão cultivando a pimenta tabasco com apoio da Codevasf e da Cooperativa Pindorama. Algumas, inclusive, já iniciaram a primeira colheita. O destaque são as mulheres, que possuem participação ativa na produção, como é o caso das irmãs Adriana Lúcio dos Santos, 22 anos, e Arlene Lúcio dos Santos, 26 anos.

“Nós vimos nossos vizinhos entrarem nessa atividade e pensei em também fazer. Então disse para minha irmã: Adriana, vamos entrar nesse projeto, porque mulher não é somente para ficar com a barriga no fogão. Tem também que se destacar. Não estou certa? ”, conta a jovem agricultora Arlene, que fez questão de frisar que esse é apenas o início de uma produção de sucesso.

Adriana, irmã de Arlene, também se mostrou bastante entusiasmada com o cultivo de pimenta tabasco. “Vivo na roça há muito tempo ajudando minha família. E quero ver essa plantação crescer cada vez mais. Essa é nossa vida. Temos mais terra aqui para crescer a área plantada e já colocamos mais mudas. Se der certo, tudo isso aqui vai virar pimenteira”, afirmou.

No lote da família, há ainda a criação de gado leiteiro que integra o projeto do governo federal, por meio do Ministério da Integração Nacional e da Codevasf, com a parceria do governo de Alagoas, para implantação de uma bacia leiteira na região sul do estado a partir do perímetro irrigado do Marituba.

A agricultora Maria do Socorro Santos, 59 anos, mora com o marido e três filhos em um dos lotes do perímetro, onde cultivam mandioca, macaxeira e frutas, além da criação de gado leiteiro. Há pouco tempo a família também entrou no projeto e já colhe as primeiras pimentas, tendo a força de trabalho de dona Socorro como fundamental. “Nunca tinha trabalhado com pimenta, mas estou gostando. Já estamos colhendo e isso é muito bom. Agora vamos ver o que vai dar daqui para frente”,disse.


Produção de pimenta tabasco

De acordo com o técnico agrícola da Codevasf, Sandoval Leite, que atua no perímetro irrigado do Marituba, o projeto para estimular a produção de pimenta tabasco no local surgiu da necessidade de diversificar a produção. “A Cooperativa Pindorama está responsável por estruturar o perímetro do Marituba. A principal estratégia de desenvolvimento do perímetro é a bovinocultura leiteira, na qual os agricultores produzem o leite que é completamente adquirido pela Pindorama. Com a produção de pimenta ocorrerá o mesmo. O agricultor familiar produzirá a pimenta tabasco, que será inteiramente adquirida pela Pindorama, gerando renda certa”, disse.

O técnico agrícola da Codevasf estima que, para uma área plantada de 250 m2, cada família retire uma renda mensal média de até R$ 2.250,00. Cada lote, de acordo com ele, está produzindo em média 15 kg de pimenta por dia. Ele acrescenta que somente a produção de pimenta tabasco dos seis lotes iniciais deverá movimentar anualmente cerca de R$ 162 mil no perímetro .

Sandoval Leite explica ainda que o período que vai do plantio à colheita são 110 dias, e que cada pimenteira tem um ciclo de vida útil de 2 anos. “Após esse ciclo, a pimenteira não tem mais a produtividade anterior e deve ser substituída. Para isso, os agricultores, com apoio da Codevasf, da Cooperativa Pindorama e da Coomarituba, já estão se organizando para criar um banco de sementes, que permitirá a continuidade da produtividade atual”, acrescentou.

Para iniciar a produção de pimenta tabasco, os agricultores familiares receberam a doação de mudas da Cooperativa Pindorama, que também forneceu os fertilizantes de forma subsidiada. Ao todo, são seis lotes que estão produzindo a pimenta.

O presidente da Coomarituba, José Nilton Bento, ressalta o intercooperativismo como experiência de sucesso no Baixo São Francisco alagoano e está mudando a realidade dos agricultores familiares do Perímetro Irrigado do Marituba.

“Hoje temos uma parceria que vem dando certo entre a Cooperativa Pindorama e a Cooperativa Marituba, o que chamamos de intercooperativismo. Neste projeto, vinte produtores foram selecionados para a produção experimental da pimenta tabasco. Desse total, seis são cooperados da Coomarituba, que terão a garantia da compra aqui mesmo dentro do lote. É uma semente que está sendo plantada e dará muitos resultados”, afirmou. Ele ainda espera que mais agricultores cooperados da Coomarituba possam integrar o projeto após essa fase experimental.

Segundo o superintendente regional da Codevasf em Alagoas, Luiz Alberto Moreira, os resultados iniciais do projeto com a colheita da primeira safra de pimenta tabasco demonstram o potencial dos agricultores familiares do perímetro. “Quando desafiados a entrar numa cultura desconhecida pela maioria, os irrigantes do Marituba não mediram esforços e se lançaram nesta empreitada. Agora colhem a primeira de muitas safras, comprovando que todo investimento realizado pela Codevasf para estruturação do perímetro irrigado estava no caminho certo”, destacou.


Perímetro irrigado do Marituba

O perímetro está localizado no município de Penedo (AL) numa área de 1.801 hectares e abriga 316 lotes de colonos. A implantação do Perímetro Irrigado do Marituba pela Codevasf teve início na década de 1990. O objetivo era tornar a área um projeto modelo de aproveitamento dos recursos hídricos do rio São Francisco para produção agropecuária.

Em 2010, a Codevasf decidiu apostar em um novo modelo de gestão que pudesse efetivar o perímetro irrigado, tendo como base a Concessão de Direito Real de Uso (CDRU) para uma empresa com comprovado conhecimento técnico e experiência no desenvolvimento de projetos agropecuários. Após processo licitatório, a Cooperativa Pindorama, considerada a maior cooperativa agroindustrial do Nordeste, venceu a disputa.

Como uma das obras prioritárias da Codevasf em Alagoas, o perímetro irrigado do Marituba recebeu cerca de R$ 8 milhões de investimento da primeira versão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A produção agropecuária está especialmente concentrada na bovinocultura do leite e integra a estratégia do governo federal e do governo de alagoas de implantação de uma bacia leiteira na região sul do estado. Para isso, em 2012, os produtores rurais do Perímetro Irrigado do Marituba receberam a cessão de 400 matrizes de bovinos leiteiros, tanques de resfriamento de leite, tratores e um veículo pick up a partir de um convênio assinado entre a Codevasf e o governo do estado, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário de Alagoas (Seagri/AL).

Hoje, o perímetro produz mensalmente cerca de 45 mil litros de leite, que são adquiridos integralmente pela Cooperativa Pindorama.


Ouça a notícia da Rádio Codevasf:

http://www.codevasf.gov.br/principal/promocao-e-divulgacao/central-de-radio/materias-e-entrevistas-2013/12-mao-de-obra-feminina-impulsiona-producao-de-pimenta-em-perimetro-irrigado-da-codevasf.mp3