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Famílias do semiárido mineiro já têm suas cisternas cheias

Cisternas cheias, abastecidas pelas águas de chuvas recentes, já são uma realidade para famílias do semiárido mineiro que receberam os reservatórios do programa Água para Todos e agora poderão enfrentar o próximo período de estiagem com mais tranquilidade.
publicado: 19/12/2012 15h20, última modificação: 20/06/2018 17h15

Cisternas cheias, abastecidas pelas águas de chuvas recentes, já são uma realidade para famílias do semiárido mineiro que receberam os reservatórios do programa Água para Todos e agora poderão enfrentar o próximo período de estiagem com mais tranquilidade.

De acordo com a área de meteorologia da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), no norte e no nordeste do estado, onde se concentra a maior parte de seu semiárido, choveu 66 milímetros em dois dias na semana passada, perto de 30% do esperado para todo o mês - o que propiciou o abastecimento de cisternas instaladas pela Codevasf nos terreiros das casas de famílias da região.

"As chuvas recentes foram suficientes para prover essas famílias de água pelo período que vai de abril a outubro, quando não chove. Algumas instalações são recentes, apenas por isso há cisternas ainda sem água", explica Antônio Pereira Santana, coordenador pela Codevasf das ações do Água para Todos na região.

"A água que bebíamos vinha de um poço localizado a três quilômetros daqui. É uma água salgada e regrada", diz Israel dos Santos, de 53 anos, que vive com a esposa e os quatro filhos a 19 km da área urbana de Verdelândia.

Ele atribui seu problema de rins ao sal e a outros elementos presentes nessa água. Uma cisterna foi instalada na casa dele antes do período de chuvas, que teve início há aproximadamente um mês. De acordo com Israel, o reservatório está praticamente cheio.

"Por causa do meu problema de saúde, bebemos em casa hoje em dia somente a água da chuva, que recolho em tambores, ou a que compro; são cinco reais por cinquenta litros. A água aqui é muito limitada e a cisterna vai ser muito útil", diz. Em Verdelândia, 136 famílias receberam cisternas no âmbito do programa Água para Todos. No município vizinho de Porteirinha foram instaladas outras 276 cisternas.

Laurita Rodrigues da Silva, de 51 anos, recebeu uma cisterna em sua casa há uma semana e está ansiosa para que ela seja abastecida. "Temos um poço aqui, mas temos dificuldades para pegar a água quando falta energia. E o rio mais próximo fica bem vazio e ameaça secar na estiagem", diz Laurita, que mora na zona rural de Verdelândia, a 15 km da sede, com o marido e os dois filhos.

O abastecimento das cisternas ocorre durante o período chuvoso. A água da chuva é aparada pelo telhado da casa da família beneficiada e então conduzida, por meio de um sistema de calhas e canos, para o interior da cisterna. O reservatório armazena até 16 mil litros, quantidade capaz de suprir as necessidades fundamentais de uma família de cinco pessoas por um período de estiagem de até oito meses.

Com cuidados básicos, a água captada é própria para se beber e para o preparo de alimentos. "É importante que a água seja retirada do interior das cisternas com o auxílio de bombas d'água e que a vasilha utilizada para retê-la esteja sempre limpa. Além disso, a água da primeira chuva deve ser usada para a limpeza do telhado, e não para armazenamento", diz Antônio Pereira Santana.

Para garantir a qualidade da água, as famílias devem ainda manter as cisternas sempre fechadas e submeter a água a um processo de tratamento doméstico, que pode ser feito com hipoclorito de sódio ou água sanitária. O hipoclorito é obtido gratuitamente com agentes comunitários de saúde.

As cisternas do programa Água para Todos – coordenado pelo Ministério da Integração Nacional (MI) e executado pela Codevasf em sua área de atuação – beneficiaram até o momento 39.329 famílias do semiárido de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Piauí e Maranhão.

"São populações difusas que estão na linha da pobreza ou da extrema pobreza; algumas delas encontram-se isoladas", afirma o coordenador do Água para Todos na Codevasf, Carlos Hermínio de Aguiar Oliveira.

O programa integra o Plano Brasil sem Miséria e tem como principal meta universalizar o acesso à água no semiárido brasileiro, levando cisternas para 750 mil famílias até 2014. As famílias beneficiadas participam de um curso de Gestão de Água que as instrui a utilizar adequadamente as cisternas e a água armazenada.


Crédito da Foto: Divulgação/MI