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Corredor Multimodal de Transportes do São Francisco é tema de pronunciamento no plenário da Câmara

O projeto de criação de um Corredor Multimodal de Transportes na área do rio São Francisco – objeto de contrato mantido pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do rio São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) com o Banco Mundial – foi tema de pronunciamento na tarde desta quinta-feira (21) no plenário da Câmara dos Deputados.
publicado: 21/02/2013 18h23, última modificação: 20/06/2018 17h16

O projeto de criação de um Corredor Multimodal de Transportes na área do rio São Francisco – objeto de contrato mantido pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do rio São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) com o Banco Mundial – foi tema de pronunciamento na tarde desta quinta-feira (21) no plenário da Câmara dos Deputados.

O deputado Daniel Almeida (PC do B-BA) afirmou que o projeto surge em um momento em que é preciso repensar a estrutura logística do país. "É preciso repensar o atual modelo de transporte brasileiro, que tem demonstrado muita ineficiência, além de alto custo operacional, sob pena de sofrermos uma estagnação em nosso crescimento econômico", avaliou.

Em seu pronunciamento, Almeida fez referências ao trabalho da Codevasf e mencionou o seminário realizado pela Companhia e pelo Banco Mundial para discutir o projeto no início de fevereiro. "O seminário realizado em Salvador procurou se debruçar sobre como podemos alcançar o objetivo de transformar a bacia do São Francisco em uma boa experiência de transporte multimodal, mais seguro, ambientalmente sustentável e economicamente eficiente", disse.

"A Codevasf tem estudos para efetivar aumento do calado e contenção das margens no rio São Francisco. Tem trabalhado também para recuperar a mata ciliar. São ações necessárias que permitem o retorno da utilização do rio São Francisco como ponto de ligação, como foi até a década de 60 do século passado, quando era o principal elo entre o Nordeste e o Sudeste do Brasil", informou o deputado.

 O objetivo do projeto do Corredor Multimodal de Transporte do rio São Francisco é ampliar, integrar e articular as estruturas hidroviária, rodoviária, ferroviária e portuária da bacia hidrográfica do São Francisco. O governo federal instituiu em novembro de 2012 um Grupo de Trabalho Interministerial (GTI) para monitorar e avaliar o projeto realizado pelo Banco Mundial por meio do contrato com a Codevasf. A Companhia integra o GTI ao lado dos Ministérios dos Transportes e da Integração Nacional, do DNIT, da Antaq e do Governo da Bahia – este último como membro convidado. 


Infraestrutura e economia


De acordo com o Banco Mundial, o Corredor Multimodal do rio São Francisco tem potencial para reduzir custos logísticos no fluxo de cargas de regiões como o Oeste baiano em pelo menos 15%, consideradas as atuais condições de navegação e infraestrutura na área do rio São Francisco. Analistas do Banco afirmam que os ganhos poderiam ser ampliados significativamente, além dos 15%, com a implantação de melhorias sugeridas em relatório recente da instituição.

Na avaliação do Banco, o custo do milho, por exemplo, pode ser reduzido, em média, de R$ 200 para R$ 170 por tonelada em uma rota hipotética do Oeste baiano até João Pessoa (PB), nas atuais condições de navegação da hidrovia. O custo do trecho rodoviário no Corredor, no entanto, ainda representaria 74% do frete total, dado que o percurso compreende 1.200 km de rodovia e 600 km de rodovia. Por esta razão o projeto propõe o estabelecimento de novas rotas ferroviárias, entre elas um ramal entre Petrolina (PE) e Salgueiro (PE).

Além de melhorias e ampliações na estrutura ferroviária, em estudos preliminares o Banco sugere a construção e a pavimentação, no Piauí e na Bahia, de 1.545 km de rodovias, a revitalização e o aumento da capacidade de outros 1.331 km e ações de ajuste em mais 1.974 km (instalação de pontes e sistemas de drenagem e correção de problemas de superfície).

Também são indicadas a instalação de terminais hidroviários de diferentes portes em Carinhanha (BA), Remanso (BA), Bom Jesus da Lapa (BA) e Barra (BA), depois da necessária execução de um programa de dragagem, derrocagem e sinalização que garanta navegação no São Francisco durante todo o ano.

A bacia do rio São Francisco cobre uma área de aproximadamente 640 mil quilômetros quadrados e abrange Minas Gerais, Goiás, Bahia, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e o Distrito Federal. O principal meio de transporte de carga na região é o rodoviário. O elevado peso dos veículos de carga leva à rápida degradação das rodovias, o que aumenta os custos totais de produção. Além disso, diversos estudos indicam o transporte hidroviário como mais seguro, ambientalmente sustentável e economicamente eficiente.

O trecho do rio que vai de Pirapora (MG) a Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), de aproximadamente 1.300 km potencialmente navegáveis para fins comerciais, é eixo de grande atividade econômica e deverá crescer com a implantação do corredor. A melhoria da navegação permitirá a otimização, por exemplo, do transporte de produtos como soja, milho e caroço de algodão do Oeste da Bahia para Juazeiro e Petrolina, e desses locais, por rodovia e ferrovia, para os principais portos nordestinos e para pontos de distribuição interna.


Competitividade internacional


O Brasil ocupou em 2012 a 45º posição no Índice de Desempenho Logístico do Banco Mundial. Os cinco primeiros colocados no ranking do índice são Cingapura, Hong Kong, Finlândia, Alemanha e Holanda. Os Estados Unidos aparecem na nona posição. Dados do Bird revelam que o custo de produção de soja nos Estados Unidos, por exemplo, é de US$ 222 por tonelada – no porto, a tonelada custa US$ 239 (os custos de transporte e logística alcançam 8%, portanto); no Brasil, o custo de produção da soja é de US$ 190 por tonelada – no porto, entretanto, o preço sobe para US$ 257 (são 35% de custo com transporte e logística).

Foto: Edsom Leite/Ministério dos Transportes