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Com apoio da Codevasf, piscicultura é alternativa de renda no Piauí

A produção de pescado tem se apresentado como alternativa econômica no semiárido nordestino. No Piauí, a atividade ganha destaque dentre as ações promovidas pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), por meio do programa de apoio à estruturação de Arranjos Produtivos Locais (APLs).
publicado: 31/10/2012 16h49, última modificação: 20/06/2018 17h14

A produção de pescado tem se apresentado como alternativa econômica no semiárido nordestino. No Piauí, a atividade ganha destaque dentre as ações promovidas pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), por meio do programa de apoio à estruturação de Arranjos Produtivos Locais (APLs).

Nos últimos quatro anos, a empresa já investiu mais de R$ 3 milhões na área da piscicultura no estado. O foco principal é a piscicultura em tanques-rede por meio das associações e cooperativas, com a capacitação e treinamento de produtores e o fornecimento de tanques-rede e ração para os primeiros ciclos de criação. As ações são desenvolvidas juntamente com o Ministério da Integração Nacional, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Regional, governo do estado, prefeituras, outros órgãos públicos e iniciativa privada.

“No meio rural é necessário buscar alternativas de produção que diversifiquem as atividades, gerando renda e oportunidades paralelas para o produtor, considerando o potencial da região e as vocações locais. A criação de peixes em tanques-rede é uma atividade econômica que vem atraindo muitos empreendedores para a região Nordeste. As condições climáticas locais aliadas aos abundantes recursos hídricos de boa qualidade disponíveis reduzem o tempo de cultivo de várias espécies de peixes em relação às outras regiões do Brasil e proporcionam um rápido retorno financeiro ao piscicultor”, explica o engenheiro de pesca da Codevasf, Hermano Santos.

No Piauí, encontra-se um exemplo bem-sucedido de apoio à atividade piscícola. Trata-se da Cooperativa Aquícola Regional de Picos (COAP), uma das primeiras entidades apoiadas pelos projetos de piscicultura em tanques-rede da Codevasf. A COAP funciona na Barragem de Bocaina, no município de mesmo nome, a 350 km de Teresina. O açude, que ocupa 1,1 mil hectares e capacidade para 106 milhões de m³ de água, antes era apenas área de lazer. Hoje, o local transformou-se num importante polo de criação de pescado graças ao incentivo da Codevasf e o trabalho organizado dos piscicultores. “Sentimos a necessidade de nos organizarmos principalmente para aquisição de ração e alevinos. Hoje, somos referência devido ao esforço do grupo e o apoio da Codevasf, que alavancou nosso trabalho”, explica João Francisco da Luz, tesoureiro da entidade.


Incentivo à organização


O empreendimento teve início em 2005, com o fornecimento, por parte da Codevasf, de 70 tanques-rede e insumos. A partir daí, o arranjo produtivo local de piscicultura se consolidou. Atualmente, a COAP conta com 43 piscicultores cooperados dos municípios de Picos, Sussuapara, Bocaina e região. Juntos, eles produzem anualmente cerca de 320 toneladas de tilápia, contando com cerca de 510 tanques-rede.

A produção é comercializada nos municípios de Teresina, região de Picos e até em estados vizinhos, como o Ceará e Pernambuco. O volume de venda diário chega a cerca de 800kg. “Além disso, o Programa de Aquisição de Alimentos, do governo federal, também tem ajudado a gente”, explica João Francisco. O programa é coordenado e executado com recursos dos Ministérios do Desenvolvimento Agrário (MDA) e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), em parceria com estados, municípios e com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Os piscicultores cooperados estão satisfeitos com os resultados. “Depois que entrei na Cooperativa a minha vida melhorou. Antes era trabalhador assalariado. Hoje, consigo uma renda de até dois salários e meio”, explica o piscicultor José Antônio de Araújo Luz, integrante da COAP há oito anos. Com a atividade da piscicultura em tanque-rede, ele sustenta uma família de quatro pessoas.
Para o presidente da COAP, Francisco José da Luz, a piscicultura regional de Picos tem duas historias: uma antes dos parceiros, principalmente a Codevasf, e outra depois. “Não tínhamos a prática de criar peixes em cativeiro. A Codevasf aceitou esse desafio conosco. Hoje, somos referência no estado não apenas pelo número de tanques-rede, mas também pela sua taxa ocupacional (95%), sem querer menosprezar as demais cooperativas e associações com as quais nós temos um vínculo muito importante”, explica Francisco José.

Fortalecimento da atividade


Desde 2004, a Codevasf implanta e mantém unidades de capacitação de criação de peixes em tanques-rede em barragens/açudes e em tanques escavados, tendo como objetivo a formação de mão-de-obra qualificada, além de incentivar o crescimento da atividade piscícola, seja com recurso próprio ou de parceiros. Muitas associações já não dependem do apoio de recursos do governo federal, sendo a aquicultura a principal fonte de renda dos associados.

“Um fator limitante da produção é o alto custo da ração e, dependendo da região, o baixo custo de venda da produção, o que pode desestimular os pequenos produtores e dificultar a vida dos menos organizados. Dessa forma é importante que haja uma mobilização de pequenas comunidades visando à constituição de associações e cooperativas no intuito de fortalecer a cadeia produtiva local”, avalia Leandro Aguiar de Oliveira, Engenheiro de Pesca do Escritório de Apoio Técnico de Oeiras da Codevasf.

Além de Bocaina, atualmente outros 18 projetos de piscicultura em tanques-rede são apoiados pela Codevasf no estado do Piauí e estão localizados nos municípios de Campo Maior, Joaquim Pires, Luzilândia, Parnaíba, Uruçuí, Piracuruca, Murici dos Portelas, Sigefredo Pacheco, Paulistana, Patos do Piauí, Itaueira, Jardim do Mulato, Guadalupe, São Francisco do Piauí e Conceição do Canindé.

Segundo o Diretor da Área de Revitalização da Codevasf, José Augusto Nunes, o Piauí tem ainda um grande número de municípios que podem ter na piscicultura uma atividade para geração de renda e desenvolvimento social e é função da Companhia apoiar esses municípios.

O apoio aos produtores faz parte das ações da Codevasf na área de revitalização das bacias hidrográficas do São Francisco e do Parnaíba. Além da pesquisa e reprodução de peixes para repovoamento do rio, as ações fomentam a aquicultura comercial, atuando como base de apoio e desenvolvimento da aquicultura nos estados de atuação da Codevasf. Para isso, fornecem ração e alevinos para unidades demonstrativas de pescado, capacitam e prestam apoio e assistência técnica a pequenos produtores, incentivando o associativismo e cooperativismo.

Atualmente, a empresa apoia cerca de 50 unidades de piscicultura em tanques-rede, canais de irrigação e tanques escavados. O pescado produzido pelas unidades apoiadas tem diferentes destinações: pode ser vendido diretamente ao consumidor final ou para unidades de beneficiamento onde a carne do pescado terá seu valor agregado. Além disso, pode ser utilizado na merenda de escolas municipais, por ser um alimento de alto valor proteico e com boa aceitação pelas crianças.

“Em alguns casos, a produção de peixes em tanques-rede atrai empresas maiores, o que gera desenvolvimento àquela região. A inserção de piscicultores na atividade de criação de peixes, além de gerar renda, também diminui a pressão sobre os estoques pesqueiros”, explica a gerente de substituta de Desenvolvimento Territorial da Codevasf, Izabel Aragão.