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Codevasf participa de fórum de aquicultura em Angola

As ações de aquicultura foram tema de debate no 1º Fórum Nacional da Pesca Artesanal e da Aquicultura realizado este mês em Luanda, capital de Angola. A engenheira de pesca Janleide Costa representou a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e o Ministério da Integração Nacional (MI) no evento, e fez uma apresentação sobre a atuação da empresa na área.
publicado: 11/07/2013 18h04, última modificação: 20/06/2018 17h17

As ações de aquicultura foram tema de debate no 1º Fórum Nacional da Pesca Artesanal e da Aquicultura realizado este mês em Luanda, capital de Angola. A engenheira de pesca Janleide Costa representou a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e o Ministério da Integração Nacional (MI) no evento, e fez uma apresentação sobre a atuação da empresa na área.

“Foi uma excelente oportunidade para a Codevasf mostrar para outros países o que tem sido realizado na área de inclusão social e produtiva da população, de forma especial, piscicultores e pescadores ribeirinhos”, avaliou o diretor da Área de Revitalização das Bacias Hidrográficas, José Augusto Nunes.

Na ocasião, a engenheira visitou o Centro de Apoio a Pesca Artesanal, localizado na comunidade de pescadores de Cabo Ledo, na província de Bengo, a 95 km de Luanda. Janleide participou da aula prática de salga do pescado com as mulheres da cooperativa. “A Angola reduziu pela metade a mortalidade em decorrência da fome e desnutrição no país na última década. O destaque é para mulheres processadoras que desempenham papel preponderante na atividade de pesca e aquicultura", afirmou.

“A aquicultura comunal está sendo defendida como estratégia para erradicar a fome e a pobreza – 90% dos pescadores na Angola são artesanais, possuem alto índice de analfabetismo nas comunidades piscatórias, são pouco organizados e faltam profissionais formados em pescas e aquicultura no país e nas instituições”, explicou Janleide Costa. "Temos muito o que contribuir com a Angola com nosso conhecimento e experiência no setor", completou.

Por meio de parceiros como Ministério da Integração Nacional (MI), Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e emendas parlamentares, desde 2003, já foram investidos mais de US$ 6,6 milhões na aquicultura. Neste ano, serão alocados mais US$ 4,57 milhões.

De 2007 a 2010, início do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), já foram investidos mais de US$ 9 milhões para as obras e aquisição de equipamentos visando a implantação dos Centros Integrados de Recursos Pesqueiros e Aquicultura. Para a segunda etapa do PAC (2011-2014), estão sendo investidos mais US$ 5,3 milhões para a conclusão das obras. De 2007 a 2010, com recursos próprios, a Codevasf investiu em suas ações de aquicultura e pesca por volta de US$ 7 milhões.

Centros Integrados

A Codevasf possui sete Centros Integrados de Recursos Pesqueiros e Aquicultura ao longo da bacia do rio São Francisco: Três Marias e Gorutuba (MG); Ceraíma e Xique-Xique (BA); Bebedouro (PE); Betume (SE); e Itiúba (AL). Além desses, o Centro de Referência em Aquicultura e Recursos Pesqueiros na bacia do rio Parnaíba, localizado em Parnaíba (PI), que será operacionalizado pela Codevasf e pelo Governo do Estado do Piauí.

Em sua apresentação, a engenheira de pesca explicou que nesses centros são implementadas ações de recomposição de recursos pesqueiros e fomento à criação intensiva de peixes em tanques-rede e grandes reservatórios. “Inicialmente ocorre a identificação do público e dos parceiros estratégicos, depois são implantadas as Unidades Demonstrativas. Finalmente há capacitação e treinamento, visitas periódicas, ações para apoio ao processo de licenciamento e apoio à comercialização”, disse.

Os Centros Integrados são referência no desenvolvimento de pesquisas e tecnologias de reprodução, larvicultura e alevinagem de espécies de peixes nativas e produção de alevinos para o repovoamento de mananciais. “As ações beneficiam milhares pessoas todos os anos, por meio da realização de pesquisas, de capacitações, fomento à piscicultura em tanques-rede, realização de peixamentos, acompanhamento e orientação das ações”, destaca a gerente de Desenvolvimento Territorial da Codevasf, Kênia Marcelino.

A infraestrutura básica das unidades é composta por laboratórios de limnologia (estudo da qualidade da água), ictiologia (estudo da biologia dos peixes) e reprodução artificial; viveiros para produção de alevinos, reprodutores e matrizes; escritórios e depósitos.

Cooperativa Aquícola Regional de Picos

Durante o evento, Janleide Costa falou sobre a Cooperativa Aquícola Regional de Picos (PI). “Em 2004 a produção era de 25 toneladas de peixes. Com o projeto implantado em 2005 e com a doação de 70 tanques-rede e ração, hoje possuem 600 tanques-rede e produzem 400 toneladas por ano”.

A engenheira de pesca também falou sobre a importância e a contribuição da piscicultura familiar para eliminar a fome, oferecer renda adicional para as famílias, utilizar recursos produzidos na propriedade, além de diversificar o uso da água, valorizar o trabalho familiar incluindo mulheres e jovens, e fazer com que a renda permaneça na comunidade oferecendo melhores condições de vida.

Sobre a implantação das políticas públicas de apoio à aquicultura, ela citou o fortalecimento da base produtiva, a identificação de áreas e público a ser beneficiado, a implantação de projetos demonstrativos (projetos pilotos), ações de ensino e pesquisa, capacitação continuada, agregação de valor ao pescado.

Dados no Brasil

No Brasil, o pescado produzido chega a 1,2 de milhão de tonelada, dos quais 38% desse volume é cultivado. Os pescadores artesanais são responsáveis pela produção de cerca de 60% do pescado nacional. A atividade envolve 800 mil profissionais entre pescadores e aquicultores, gerando 3,5 milhões de empregos diretos e indiretos. A piscicultura cresceu 60% entre 2007 e 2009, resposta às ações de fomento. Isoladamente, o cultivo de tilápia cresceu 105% entre 2003 e 2009. A aquicultura cresceu 43,8% entre 2007 e 2009. O consumo per capta no Brasil passou de 6,6 para 9,4/kg/ha/ano.

Foto: José Luiz Oliveira / Codevasf