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Codevasf investe em desenvolvimento sustentável da Caatinga em Pernambuco

A preservação, a exploração sustentável e a revitalização do bioma Caatinga na região do Araripe, semiárido pernambucano, são alguns dos objetivos do Programa de Desenvolvimento Florestal Sustentável do Araripe, uma parceria da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) com o governo estadual de Pernambuco – por meio da Secretaria de Agricultura e Reforma Agrária (Sara/PE) -, que já está em execução e prevê investimentos de R$ 6,4 milhões até 2014.
publicado: 07/08/2013 17h52, última modificação: 20/06/2018 17h17

A preservação, a exploração sustentável e a revitalização do bioma Caatinga na região do Araripe, semiárido pernambucano, são alguns dos objetivos do Programa de Desenvolvimento Florestal Sustentável do Araripe, uma parceria da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) com o governo estadual de Pernambuco – por meio da Secretaria de Agricultura e Reforma Agrária (Sara/PE) -, que já está em execução e prevê investimentos de R$ 6,4 milhões até 2014.

O foco principal do programa – implantado sob a responsabilidade do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), vinculado à Sara/PE – é subsidiar o planejamento territorial da região do Araripe por meio da reunião de dados e elaboração de um zoneamento agroecológico que permitirá caracterizar, identificar e espacializar áreas com potencialidades para preservação, conservação, recuperação e produção florestal na região.

A primeira etapa do zoneamento, a cartografia, já foi concluída. Agora será feito o levantamento pedológico, que consiste na avaliação das características do solo e que, aliado a outras informações, possibilitará a identificação das aptidões da região no que tange ao desenvolvimento de base florestal. “Essa primeira etapa (a cartografia) é importantíssima para o bom andamento do projeto, pois é a base para o levantamento pedológico e para a elaboração do zoneamento agroecológico na escala 1:10.000 da região do Araripe”, destaca o engenheiro cartógrafo da Codevasf, Kauem Simões.

Nas outras etapas serão elaborados projetos-piloto de recuperação de áreas degradadas, planos demonstrativos de manejo florestal e capacitações – estas últimas em áreas como produção de mudas, técnicas de manejo de florestas nativas e plantadas, técnicas de plantio de florestas nativas e/ou de rápido crescimento, fomento florestal, noções de prevenção e combate a incêndios florestais, recuperação e controle de processos erosivos, educação ambiental e comunicação social.

“Os objetivos do zoneamento agroecológico da região do Araripe são a identificação de áreas favoráveis ao manejo de florestas nativas (Caatinga), visando à exploração de forma ordenada, racional e sustentável desse recurso natural; identificação de áreas degradadas e implantação de projetos para sua recuperação; e identificação de áreas aptas ao plantio de florestas de rápido crescimento visando à produção de energia, de modo a reduzir a pressão sobre a vegetação nativa - que é o principal insumo utilizado como fonte de energia na região”, explica o engenheiro florestal da Codevasf, Antônio José da Silva Neto.

“Esse é um projeto multidisciplinar, por isso há necessidade do envolvimento de diferentes áreas da Codevaf e da Sara/IPA para o bom desenvolvimento do objeto do termo de compromisso”, acrescenta Gildemar de Oliveira Santos, engenheiro florestal da Codevasf e também envolvido no projeto.

Polo gesseiro

O Araripe é uma área de grande pressão sobre os recursos naturais, especialmente os recursos florestais. Na região está situado o principal polo gesseiro do Brasil e 45% da sua área é coberta pela Caatinga. Segundo dados fornecidos pelo Sindicato da Indústria do Gesso do Estado de Pernambuco (Sindusgesso), o polo gesseiro do Araripe é a principal atividade da região, responsável pela geração de 13,2 mil empregos diretos e aproximadamente 66 mil indiretos, resultantes da atuação de 39 minas de gipsita, de 139 indústrias de calcinação e de 726 indústrias de pré-moldados. O faturamento do negócio de gesso na região é estimado em US$ 364 milhões ao ano.

A indústria do gesso é muito dependente da exploração de lenha, o que é desfavorável para a conservação das florestas nativas. “O desmatamento da flora provoca a perda da biodiversidade local e da qualidade do solo, o que pode contribuir com processos de desertificação que já estão ocorrendo em várias regiões da Caatinga”, ressalta Camilo Cavalcante de Souza, engenheiro florestal da Codevasf.

O gestor do termo de compromisso e pesquisador do IPA, Geraldo Majella, explica que a importância do projeto está na execução de atividades que vão reduzir o desgaste ambiental provocado por essa indústria. "Isso tem sido uma demanda grande das pessoas que trabalham com essa atividade na região, e seria uma forma de recuperar e diminuir o desmatamento com a produção de energia com base na recuperação florestal e com o cultivo de outras atividades", diz.

Araripe

A região do Araripe, localizada no noroeste de Pernambuco, na mesorregião do sertão pernambucano, é constituída de 15 municípios: Araripina, Bodocó, Cedro, Dormentes, Exu, Granito, Ipubi, Moreilândia, Ouricuri, Parnamirim, Santa Cruz, Santa Filomena, Serrita, Terra Nova e Trindade.

O Araripe concentra 4,4% da população de Pernambuco, com um total de 386 mil habitantes, sendo 55% estão na zona rural. Os municípios mais populosos são Araripina, com 77 mil habitantes, e Ouricuri, com 64 mil habitantes, segundo o censo do IBGE de 2011.

Caatinga

A Caatinga é um bioma bastante peculiar, uma vez que, mesmo em região semiárida, ainda  apresenta uma fauna e uma flora bastante diversificadas. Este bioma representa cerca de 40% da bacia hidrográfica do rio São Francisco e 11% do território nacional (cerca de 844.453 quilômetros quadrados), porém já perdeu cerca de 46% de sua vegetação original. A Caatinga ocorre nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Sergipe e norte de Minas Gerais, e cerca de 27 milhões de pessoas vivem em seu domínio, sendo que boa parte dessa população depende dos recursos do bioma para sobreviver.

A flora da Caatinga é marcada pela pouca incidência de chuvas na região, o que deixa grande parte das plantas com aspecto seco. Elas geralmente possuem galhos retorcidos e raízes longas para poder alcançar a água necessária no lençol freático, algumas usam recursos como pouca ou nenhuma folhagem e espinhos para diminuir a transpiração e assim a perda de água.

Os estratos presentes na Caatinga são três: herbáceo, com plantas de altura inferior a 2 metros; arbustivo, com plantas que vão de 2 a 5 metros; arbóreo com árvores que podem atingir de 8 a 12 metros de altura. As plantas presentes nas regiões de Caatinga possuem folhagem em tamanho pequeno e são xerófilas, ou seja, estão adaptadas ao ambiente quente e com pouca água; algumas plantas quase não possuem folhas.

A fauna da caatinga é bastante rica e possui espécies variadas como o veado-catingueiro, preá, gambá, asa branca, arara-azul (inclusive ameaçada de extinção), cutia, cachorro do mato, insetos, aracnídeos e roedores diversos. Destaca-se a grande variedade de répteis e anfíbios. São cerca de 45 espécies diferentes de serpentes, 44 espécies de anuros (sapos e rãs), 47 de lagartos e 4 espécies de quelônios (tartarugas, jabutis e cágados).

Com informações: http://www.estudopratico.com.br/caatinga-fauna-flora-e-outras-caracteristicas/#ixzz2ajHdkMJU

http://www.infoescola.com/geografia/caatinga/