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Codevasf implantou mais de onze mil barraginhas no noroeste de Minas Gerais

A Codevasf implantou mais de onze mil barraginhas distribuídas em sete municípios da região noroeste de Minas Gerais. Elas integram o Consórcio Intermunicipal do Vale do Urucuia, com o qual a Codevasf celebrou um Termo de Compromisso.
publicado: 26/12/2012 17h46, última modificação: 20/06/2018 17h15

A Codevasf implantou mais de onze mil barraginhas distribuídas em sete municípios da região noroeste de Minas Gerais. Elas integram o Consórcio Intermunicipal do Vale do Urucuia, com o qual a Codevasf celebrou um Termo de Compromisso. As ações foram iniciadas em outubro de 2010 e concluídas em agosto deste ano. Foram investidos cerca de R$ 2,6 milhões de reais oriundos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Quase catorze mil pessoas residentes nas propriedades e comunidades onde foram implantadas as barraginhas foram beneficiadas diretamente.

Indiretamente, a população do conjunto de municípios integrantes do consórcio, aproximadamente 90 mil habitantes, foi beneficiada e, além deles, toda a população localizada à jusante das propriedades onde foram implantadas recebeu os benefícios ambientais dessa ação. As melhorias ambientais são relacionadas à conservação da água, solo, recursos florestais e aumento da disponibilidade hídrica, principalmente, na microrregião de implantação das estruturas.

O produtor rural Ivan Messias de Jesus, da comunidade de Vista Nova, na cidade de Urucuia, foi um dos beneficiados com as barraginhas implantadas. Segundo ele, a diferença foi enorme na melhoria da produção. "Para nós foi uma benção. Nós não tínhamos água nenhuma, a partir do momento que foram feitas essas barraginhas, acima das barragens que já tínhamos, o lençol freático foi molhando e a terra seca melhorou. Eu sou um dos produtores que tem orgulho de falar isso. Por isso, conseguimos até um outro projeto de plantar lá", contou.

A construção de barraginhas visa aumentar a infiltração das águas pluviais no solo, abastecendo o lençol freático, melhorando a qualidade e aumentado a oferta hídrica da região. Essa ação diminui ainda o escoamento superficial das águas pluviais e que sejam carregados sedimentos para os corpos hídricos (rios, lagos, lençóis subterrâneos, etc), contribuindo para redução dos processos de degradação dos solos. Os sete municípios beneficiados são: Arinos, que recebeu 2.205 unidades; Bonfinópolis de Minas (1.430); Buritis (1.835); Chapada Gaúcha (1.810); Formoso (1.480); Riachinho (1.230); Urucuia (1.440).


As barraginhas

As barraginhas ou bacias de captação de águas pluviais são reservatórios em forma de bacia (semicircular ou circular), com dimensões em torno de 16 metros de diâmetro por 1,5 a 2,0 m de profundidade, escavadas no terreno ao longo de estradas vicinais, de talvegues naturais e em propriedades rurais (consorciadas com terraços ou em áreas susceptíveis à processos erosivos).

A finalidade é captar e acumular águas pluviais e também reter sedimentos, a fim de aumentar a infiltração da água (contribuindo para o abastecimento do lençol freático) e reduzir o escoamento superficial, evitando o assoreamento dos cursos d’água e contribuindo para conservação da água e do solo.

O analista em desenvolvimento regional da Codevasf, Antônio José da Silva Neto, explica que as barraginhas podem ser feitas mecanicamente, por meio do uso de trator de esteira, pá carregadeira ou retroescavadeira, sendo construídas considerando-se critérios técnicos, como por exemplo, sua localização, espaçamento e volume e avaliando também a capacidade de infiltração do solo. "Toda bacia de captação, exceto aquelas onde o relevo já permite o escoamento da água para dentro da mesma, deve ser composta de dreno coletor (sulcos) para direcionar a água", acrescenta.

Cada barraginha construída tem capacidade para armazenar, em média, 80 mil litros de água. Em conjunto, elas acumulam mais de 900 milhões de litros d’água quando totalmente cheias. Essa quantidade de água é suficiente para encher 360 piscinas com dimensões olímpicas."Dependendo do índice pluviométrico da região, uma barraginha pode encher várias vezes ao longo do ano, porém, à medida que esta vai assoreando, a capacidade de armazenamento vai diminuindo e, portanto, é necessário que seja feita a manutenção dessas estruturas", destaca o analista.


Qualidade de vida

A construção de barraginhas, informa Antonio José Neto, da Codevasf, beneficia diretamente e indiretamente as populações próximas ao local de sua instalação e esses benefícios se estendem aos habitantes da bacia hidrográfica, pois é uma prática de conservação de água e solo que, ao reduzir a carga de sedimentos provenientes da sub-bacia onde foram implantadas para os cursos d’água, proporciona o aumento da disponibilidade e da qualidade das águas dos rios e lagos na própria sub-bacia e também para toda a área do local de sua implantação.

Além disso, de forma direta, a construção de barraginhas beneficia os agricultores das propriedades onde são instaladas, uma vez que aumentam a oferta de água na superfície e no solo. A água que infiltra mantém o solo úmido, propiciando o desenvolvimento de cultivos agrícolas e a implantação de pastagens com maior produtividade. A água que fica exposta no interior da barraginha pode ser utilizada diretamente pelos proprietários rurais para dessedentação animal, irrigação e outros usos.

A implantação de barraginhas, por manter a umidade do solo elevada mesmo após o período chuvoso (pois a água acumulada continua a infiltrar), além de possibilitar o aumento da produtividade agrícola permite, ainda, que o período de cultivo agrícola se estenda além do início da estação seca.

"De acordo com as características do solo e de outros fatores, uma barraginha, como as construídas no âmbito do termo de compromisso, pode levar até 60 dias para secar completamente. Logo, a implantação de barraginhas pode proporcionar aumento da oferta de alimentos, o que beneficia não só produtores rurais como toda a população rural e urbana da microrregião contemplada pela ação", completa.