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Biodiversidade do rio São Francisco é debatida na III Aquapescabrasil

A biodiversidade do rio São Francisco foi tema de uma palestra ministrada pelo biólogo da Codevasf, Yoshimi Sato, na III Aquapescabrasil - Feira Internacional da Pesca e Aquicultura, que se encerra nesta sexta (09), no Centro de Convenções da Bahia, em Salvador. Em sua apresentação, Sato, que atua no Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Três Marias (MG), mostrou um resumo do trabalho desenvolvido para preservação de espécies nativas do chamado rio da integração nacional.
publicado: 09/11/2012 15h35, última modificação: 20/06/2018 17h15

A biodiversidade do rio São Francisco foi tema de uma palestra ministrada pelo biólogo da Codevasf, Yoshimi Sato, na III Aquapescabrasil - Feira Internacional da Pesca e Aquicultura, que se encerra nesta sexta (09), no Centro de Convenções da Bahia, em Salvador. Em sua apresentação, Sato, que atua no Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Três Marias (MG), mostrou um resumo do trabalho desenvolvido para preservação de espécies nativas do chamado rio da integração nacional.

Segundo o biólogo, na bacia do São Francisco, aproximadamente 44% das espécies encontradas são exclusivas do rio (chamadas de endêmicas) e 42% são nativas, isto é, existem em outras bacias hidrográficas. Além disso, há as espécies exóticas (estrangeiras) e as invasoras (marinhas, com maior ocorrência na foz do rio, entre Alagoas e Sergipe).

Entre as espécies endêmicas, estão matrinchã, curimatã pacu, pirá (que está na lista de espécies ameaçadas de extinção, publicada pelo Ministério do Meio Ambiente em 2004), piranha do São Francisco (considerada a única que atinge o maior porte da espécie no país, chegando a 6 ou 7 quilos de peso), pacamã (ou niquim, que hoje é encontrado no exterior como peixe ornamental) e dourado. O surubim, espécie considerada como símbolo do “Velho Chico”, hoje é encontrado em outras bacias brasileiras, sendo que em algumas pode ser conhecido como pintado. Este, na verdade, é uma espécie "nativa".

Na palestra, Sato também chamou a atenção das autoridades para preservação urgente de nosso ecossistema, abalado pela construção de barragens, assoreamento, seca, desmatamento ciliar, mineração, uso de agrotóxicos, despejo de lixo industrial, entre outras atividades nocivas ao meio ambiente. Um problema que preocupa o pesquisador é a inibição da desova das espécies de piracema (peixes migradores), que, devido a construção de barragens, não têm conseguido se reproduzir em virtude das alterações nas condições físicas da água, como a temperatura.

Trabalho pela revitalização

Yoshimi Sato possui doutorado em Ecologia e Recursos Naturais pela Universidade Federal de São Carlos. Ele trabalha na Codevasf desde 1976. Um ano depois de ingressar na empresa, participou da implantação da Estação de Hidrobiologia e Piscicultura em Três Marias, hoje Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura. Foi lá que Sato iniciou estudos e monitoramento da ictiofauna daquela represa e a reprodução artificial de várias espécies de peixes da bacia do São Francisco, além de inúmeros outros trabalhos de pesquisa em biologia pesqueira.

Além disso, como parte das atividades do Centro da Codevasf, ele participa de trabalhos de pesquisa em limnologia e ictiologia; desenvolvimento de tecnologias de reprodução artificial, larvicultura e alevinagem de peixes nativos na bacia do rio São Francisco; realização de peixamentos na região do Alto São Francisco com alevinos de espécies nativas; e promoção de treinamentos a estudantes e graduados em biologia, medicina veterinária, engenharia de pesca, oceanografia, agronomia e zootecnia.

O Centro de Três Marias é administrado pela Codevasf por meio de sua 1ª Superintendência Regional, localizada em Montes Claros (MG) e, desde a década de 90, mantém parceria com a Centrais Elétricas de Minas Gerais (Cemig) para a recomposição da ictiofauna no Alto São Francisco.