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Banco Mundial estuda transporte multimodal para Vale do São Francisco

A convite do Ministério da Integração Nacional (MI) e da Codevasf, uma comissão do Banco Mundial (BIRD) estuda as potencialidades do corredor multimodal do rio São Francisco.
publicado: 12/04/2011 16h56, última modificação: 20/06/2018 17h10

A convite do Ministério da Integração Nacional (MI) e da Codevasf, uma comissão do Banco Mundial (BIRD) estuda as potencialidades do corredor multimodal do rio São Francisco. Os técnicos da instituição internacional vieram ao Brasil discutir o escopo de trabalho e conhecer in loco a Hidrovia do rio São Francisco, os portos fluviais, as condições de rodovias e ferrovias e a produção que circula na região.

O Projeto Logístico Multimodal do São Francisco visa integrar os três tipos de transportes mais usados para o escoamento da produção agroindustrial do Vale do São Francisco: rodoviário, ferroviário e hidroviário. Para o gerente do projeto Ralf-Michael Kaltheier, especialista em planejamento regional, economia de transporte e transporte ferroviário do Banco Mundial, a vinda ao Vale do Francisco foi importante para levantar informações sobre a logística da região e assim “desenhar o plano de trabalho junto com a Codevasf, Ministério dos Transportes, DNIT, BNDES e governos de Pernambuco e Bahia".

Em Petrolina (PE), os comissários do Banco Mundial visitaram o Porto Fluvial da cidade e reuniram-se com empresários pernambucanos de vários segmentos, do polo gesseiro do Araripe, da avicultura industrial, do transporte e logística, entre outros. Também visitaram o Porto de Suape (PE) e o terminal portuário de Cotegipe (BA).

Na ocasião, o diretor de Negócios e Estratégia da Transnordestina Logística, Marcelo Marques, ressaltou que a integração de Petrolina à linha férrea Nova Transnordestina depende de atuação governamental. “É fundamental que o governo tome a decisão de construir, por meio de suas linhas de crédito e de investimento, e assuma a responsabilidade”, contou Marcelo. Os 186 km de ferrovia entre Petrolina e Parnamirim estão orçados em R$ 800 milhões.

Para os empresários presentes ao encontro, a recuperação da hidrovia vai representar uma redução significativa nos custos com frete rodoviário que, em alguns casos, chega a triplicar a despesa do produtor de gesso, por exemplo. Mas o transporte hidroviário também causa menos impacto ambiental. Segundo estudos da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), uma carreta emite seis vezes mais poluente que um rebocador.

MAIOR COMPETITIVIDADE - Com a integração dos modais rodoviário, ferroviário e hidroviário, os empresários sonham com maior competitividade, já que seus produtos chegariam mais rápido ao consumidor, diminuindo inclusive o tempo de estocagem da produção, uma das maiores fontes de desperdício no Brasil. “As indústrias brasileiras estocam 33 dias a mais que as do Estados Unidos por causa de problema de transporte. Esses dias a mais de estoque representam R$ 233 bilhões parados por ano que poderiam ser aplicados em outros investimentos”, frisou Josimário Gomes Florêncio, da Associação dos Avicultores do Pernambuco (Avipe), acrescentando que o setor avícola é o maior empregador fixo de Pernambuco com 110 mil empregos.

Na avaliação do Sindicato da Indústria do Gesso (Sindusgesso), o corredor multimodal do São Francisco aqueceria as vendas de gesso agrícola para o oeste da Bahia, já que esse insumo é bastante utilizado nas plantações de soja e algodão das cidades baianas de Barreiras e Luís Eduardo Magalhães.

ELEVADO POTENCIAL - De acordo com os levantamentos preliminares do Banco Mundial, o projeto corredor multimodal de transportes do São Francisco apresenta forte vocação para a integração regional, beneficiando vários estados, como Bahia, Piauí, Pernambuco, Sergipe, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte, em setores produtivos importantes, como produção agrícola e segmentos associados, agroindústria e produção de gado. O projeto tem elevado potencial para alargar os mercados internos, reduzindo os custos logísticos por unidade transportada.

Segundo o Plano Nacional de Logística e Transporte (PNLT), a integração de modos de transporte em corredores multimodais favorece modos sustentáveis, como as hidrovias. “A elevada complexidade institucional requer forte coordenação entre atores a nível federal e estadual, influenciando o modelo de desenvolvimento para o corredor multimodal. A chave para o sucesso do corredor é a participação ativa do setor privado desde as primeiras fases”, explica Ralf Kaltheier.