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Arrozes especiais são tema de evento apoiado pela Codevasf no Baixo São Francisco alagoano

Características, manejo, potencialidades e comercialização de variedades de arroz especiais – a exemplo do arroz vermelho – estiveram na pauta, durante toda esta semana, no seminário promovido pelo Sebrae/AL, Embrapa e Arranjo Produtivo Local (APL) Rizicultura no Baixo São Francisco, com apoio da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), entre outros parceiros.
publicado: 24/10/2014 15h52, última modificação: 20/06/2018 17h18

Características, manejo, potencialidades e comercialização de variedades de arroz especiais – a exemplo do arroz vermelho – estiveram na pauta, durante toda esta semana, no seminário promovido pelo Sebrae/AL, Embrapa e Arranjo Produtivo Local (APL) Rizicultura no Baixo São Francisco, com apoio da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), entre outros parceiros.

O evento, realizado em Alagoas, no município de Piaçabuçu, teve a participação de agricultores familiares irrigantes dos perímetros Boacica, em Igreja Nova, e Itiúba, em Porto Real do Colégio, ambos geridos pela Codevasf.

No decorrer do seminário, os pesquisadores da Embrapa – José Manuel Colombari Filho, da unidade Arroz e Feijão, e José Almeida Pereira, da unidade Meio Norte – percorreram áreas de cultivo de arroz no município de Piaçabuçu e nos perímetros irrigados Boacica e Itiúba com o objetivo de conhecer os cultivos. Atividades foram realizadas no Centro Cultural de Piaçabuçu, com palestras dos pesquisadores.

José Manuel Colombari Filho abordou as características, manejo, potencialidades e comercialização de arrozes especiais. Entre os temas discutidos estiveram a qualidade de grãos e as estratégias para promoção do consumo desses tipos de arroz. Para ele, a região do Baixo São Francisco possui características que permitem o cultivo de arrozes especiais.

“Avalio que a região possui potenciais de trabalhar com diversos tipos de arroz. Vejo condições para diversificar os tipos de grãos produzidos e não somente o tipo agulhinha. É um mercado em ascensão que ainda está sendo aberto. Daí a importância de políticas públicas que ajudem a valorizar a produção e a comercialização desse arroz diferenciado. Com isso, abre-se possibilidade de não ficar sempre produzindo um arroz que vai ser o mesmo do Brasil interior e competindo com um arroz que vem do Sul do país”, apontou Colombari Filho.

De acordo com o pesquisador, a região possui particularidades que permitem dar ao produto um valor agregado que pode abrir mercados. “Aqui o produtor pode associar seu produto à cultura e gastronomia locais, mais o ecossistema do Baixo São Francisco, e valorizar a origem do produto. Vemos isso como uma tendência mundial: associar produtos a uma determinada região torna-os diferenciados. Então todas essas características devem ser difundidas”, defendeu o pesquisador da Embrapa Feijão e Arroz.

Arroz vermelho

Já o pesquisador José Almeida Pereira falou sobre características, manejo, potencialidades e comercialização do arroz vermelho. Segundo ele, a produção esse tipo de arroz especial está concentrada especialmente em duas bacias hidrográficas da Paraíba, as do Vale do rio do Peixe e do Vale do Piancó, e em uma bacia hidrográfica do Rio Grande do Norte, o Vale do rio Apodi. Para ele, a região do Baixo São Francisco apresenta características que a habilitam ao cultivo do arroz vermelho. Ele também alertou para determinadas orientações sobre o cultivo nos perímetros irrigados da Codevasf.

“A região e os perímetros irrigados da Codevasf que visitamos possuem plenas condições para o cultivo desse tipo de arroz. No entanto, é necessário que se faça um planejamento, pois trata-se de um tipo de arroz diferenciado, e as áreas atuais tradicionalmente cultivam o arroz branco, que implica em um cuidado redobrado para que não haja a mistura de variedades nas áreas”, defendeu Pereira.

Para ele, as melhores áreas para cultivo do arroz vermelho, entre as visitadas durante do seminário, estão situadas em Piaçabuçu, devido ao isolamento de outros cultivos de arroz branco e também porque há mais de uma década não há cultivo nesses locais – como em uma ilha situada na região da foz do rio São Francisco. “Entre as áreas visitadas, encontramos em Piaçabuçu os melhores locais para cultivo no sentido de preservar a pureza varietal de qualquer arroz, e com operacionalização do cultivo muito mais fácil”, observou o palestrante.

O gerente do Distrito de Irrigação do perímetro Itiúba, Amilton Rodrigues, também acredita que, na região do Baixo São Francisco, a área mais indicada está situada em Piaçabuçu. Para ele, os produtores que apostarem na produção de arrozes especiais devem pensar inicialmente em exportar a produção para outros estados enquanto não há um mercado interno maior.

“Esta é uma oportunidade muito grande para a região, e acredito que será mais fácil implantá-la em Piaçabuçu. Mas o mercado inicialmente seria para exportação. Quando ele começar a ser produzido aqui no Baixo São Francisco, aos poucos a população vai conhecer esses arrozes especiais e passar a consumi-los”, avaliou.

Na opinião do agricultor Ionas dos Santos, rizicultor familiar do perímetro irrigado Boacica há cerca de 20 anos, a melhor região para se iniciar o cultivo de arrozes especiais seria Piaçabuçu devido à necessidade de área específica e máquinas agrícolas exclusivas para esses cultivos.

“No Boacica seria necessário fazer investimentos para áreas e máquinas exclusivas, de modo a não misturar os cultivos de tipos de arroz diferentes como o branco e o vermelho, por exemplo. Em Piaçabuçu a situação é diferente. Lá existem algumas ilhas no São Francisco que não cultivam mais arroz há muitos anos, e são próprias para trazer esses arrozes sem misturar as culturas”, analisou.

A Codevasf foi representada no seminário pelo técnico agrícola Paulo Fraga e pelo zootecnista Elias Kleiton, que atuam na Gerência Regional de Empreendimentos de Irrigação da Companhia em Alagoas.

Também participaram do evento o prefeito de Piaçabuçu Dalmo Santana; os secretários municipais de Agricultura de Piaçabuçu, Joaquim Eugênio; de Penedo, Ricardo Góes; e de Igreja Nova, Thiago Gomes; técnicos da empresa contratada pela Codevasf para prestar assistência técnica e extensão rural aos perímetros irrigados Boacica e Itiúba; o gestor do APL Rizicultura no Baixo São Francisco, José Célio Leite; o analista em transferência de tecnologia da Embrapa Raimundo Rabelo; representantes da coordenação do Programa de Arranjos Produtivos Locais (PAPL); além de rizicultores de municípios do Baixo São Francisco alagoano.

Foto: Divulgação/MI

Veja fotos ilustrativas no Flickr da Codevasf:

https://www.flickr.com/photos/codevasf/sets/72157646613200344/