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Apicultura no Piauí será alavancada com novos investimentos da Codevasf

Cerca de 2 mil famílias do semiárido piauiense ganharão impulso novo para alavancar a apicultura. Elas já começaram a receber a visita das equipes técnicas da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf), apoiadas pela Fundação de Planejamento Estratégico (Furplan), que estão fazendo, desde a última semana, trabalhos de diagnóstico, cadastro, seleção, mobilização e qualificação dos apicultores familiares que receberão os equipamentos e insumos apícolas adquiridos pela Codevasf – uma ação que integra o eixo de inclusão produtiva do Plano Brasil sem Miséria e para a qual já estão assegurados R$ 1,8 milhão, somente para o Piauí, até o final de 2013.
publicado: 04/03/2013 17h36, última modificação: 20/06/2018 17h16

Cerca de 2 mil famílias do semiárido piauiense ganharão impulso novo para alavancar a apicultura. Elas já começaram a receber a visita das equipes técnicas da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf), apoiadas pela Fundação de Planejamento Estratégico (Furplan), que estão fazendo, desde a última semana, trabalhos de diagnóstico, cadastro, seleção, mobilização e qualificação dos apicultores familiares que receberão os equipamentos e insumos apícolas adquiridos pela Codevasf – uma ação que integra o eixo de inclusão produtiva do Plano Brasil sem Miséria e para a qual já estão assegurados R$ 1,8 milhão, somente para o Piauí, até o final de 2013.

“A presença da equipe da Codevasf nas comunidades permitirá identificar que tipo de benefício os produtores precisam receber, tendo em vista o objetivo da ação, que é de potencializar a renda dos apicultores, melhorar a qualidade do produto e aumentar sua competitividade no mercado”, explica o gerente regional de revitalização da Codevasf no Piauí, José Ocelo Rocha Júnior.

O trabalho de campo está sendo desenvolvido por meio de convênio assinado na última semana entre Codevasf e Furplan, no valor de aproximadamente R$ 380 mil, e visa potencializar o desempenho dos apicultores ao identificar quais são os itens realmente necessários à execução da atividade de cada grupo – se indumentárias apícolas, colmeias, centrífugas, mesas desorpeculadoras ou tanques decantadores, entre outros. São parceiros desse levantamento o governo do Estado do Piauí – por meio da Secretaria de Desenvolvimento Rural –, a Federação de Apicultura, o Sebrae, as prefeituras, além das cooperativas e associações dos apicultores.

A ação de diagnóstico, cadastro, seleção, mobilização e qualificação dos apicultores piauienses integra o Programa de Desenvolvimento Regional, Territorial Sustentável e Economia Solidária do Plano Brasil sem Miséria, executado em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Regional (SDR) do Ministério da Integração Nacional (MI). O objetivo é estruturar esta atividade da qual a Codevasf é indutora. “As equipes irão selecionar o público-alvo dos investimentos destinados à organização e ao fornecimento de infraestrutura à apicultura, além de identificar os principais gargalos da produção, para que os produtores possam, de fato, impulsionar suas atividades”, observa Ocelo Rocha.

Necessidades diferenciadas

Após o trabalho de identificação das necessidades, as famílias receberão da Codevasf os kits de produção, adquiridos no final de 2012, que somam mais de 50 itens contemplando toda a cadeia produtiva. De acordo com o chefe da gerência regional de revitalização, a depender da região onde a atividade é desenvolvida as comunidades apresentam estágios diferenciados de atividade apícola.

“Algumas já estão com o processo produtivo mais avançado - os apicultores estão capacitados, já utilizam indumentária apícola, como macacões e botas, e dispõem de colmeias suficientes – mas pode existir um problema nos equipamentos de processamento primário, por exemplo. Então, o kit para aquela comunidade vai ser composto por esses itens que eles não dispõem. Já em outras comunidades, as necessidades são mais básicas, como indumentária para proteção ou capacitações. Neste caso, o kit será composto destes pequenos apetrechos, porque as realidades das regiões dentro do Piauí são muito diferentes”, destaca.

Os potenciais beneficiários atendidos pelo programa são pessoas cuja renda per capita familiar é de R$ 70 mensais.

“Os investimentos que serão realizados nas ações de inclusão produtiva terão estratégias diferenciadas de apoio para o meio rural, visando à estruturação da cadeia, incentivo ao associativismo, além de ser uma ótima oportunidade para inserção de novos agricultores familiares na atividade, promovendo o aumento da produção no campo e a geração de renda”, destaca o diretor de Revitalização das Bacias Hidrográficas da Codevasf, José Augusto Nunes.

Polos de apicultura

O Piauí se firmou no cenário nacional por sua destacada participação na produção de mel: são, em média, cinco mil toneladas anuais – desempenho que ficou bastante prejudicado em 2012 por conta da estiagem severa e prolongada. Desde 2004, a Codevasf atua de forma direta na apicultura piauiense, apoiando desde a construção de casas de mel – cuja implantação e estruturação beneficia de 30 a 50 famílias diretamente, cada casa –, fornecimento de colmeias e capacitações em parceria com outros órgãos. O maior desafio, de acordo com Ocelo Rocha, é a implantação de ações de convivência com a seca – como replantio de mudas nativas resistentes ou migração de colmeias –, o que está sendo tocado pela Codevasf com os parceiros do Piauí.

Nesta nova etapa de atuação, dentro do eixo de inclusão produtiva do Plano Brasil sem Miséria, a meta é beneficiar todo o Piauí a partir de polos de apicultura já instalados, como os de Picos, São Raimundo Nonato, Simplício Mendes, Barras, Floriano, Itaueira, Flores, e municípios da região Norte do estado, como Campo Maior, Piripiri e Piracuruca. Outra vertente do trabalho será inserir na cadeia produtiva pessoas com aptidão para a atividade.
Hoje, as cooperativas e associações têm buscado aumentar sua fatia de participação no mercado interno, apesar de ainda existir uma barreira cultural que se reflete no baixo consumo de mel no Brasil em relação a outros países. Os produtores têm tentado se adequar à realidade do mercado, com a comercialização do produto em hotéis, supermercados, restaurantes – o que exige processamento, investimentos e maior grau de qualificação do produtor.

“A gente fica muito mais motivado por saber que a Codevasf está dando oportunidade de melhorar a atividade, que vai ganhar muito com esse incentivo. O apicultor piauiense fica muito satisfeito, porque o mercado só recebe a produção se for dentro de um certo nível de qualidade, e nem todos os apicultores têm as máquinas adequadas dentro do padrão de higienização para fazer o beneficiamento”, aponta José Eusébio de Carvalho, apicultor de Picos, um dos municípios de maior produção de mel no Piauí.