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Adutora do Algodão entra em operação e termina racionamento de água em Guanambi

As primeiras gotas da água do rio São Francisco, captada e distribuída via Adutora do Algodão, já começaram a chegar às torneiras das casas das famílias de Guanambi (a 796 km de Salvador), região do Médio São Francisco. Nesta terça (02), para os 56 mil habitantes da sede do município, enfim terminou um racionamento de água que já durava dois anos.
publicado: 02/10/2012 16h23, última modificação: 20/06/2018 17h14

As primeiras gotas da água do rio São Francisco, captada e distribuída via Adutora do Algodão, já começaram a chegar às torneiras das casas das famílias de Guanambi (a 796 km de Salvador), região do Médio São Francisco. Nesta terça (02), para os 56 mil habitantes da sede do município, enfim terminou um racionamento de água que já durava dois anos.

A entrada em funcionamento da primeira etapa da Adutora - executada e concluída por meio de convênio firmado em março de 2011 entre a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), vinculada ao Ministério da Integração Nacional (MI), e a Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) -, também irá acabar, nos próximos dias, com o racionamento de água imposto a Pindaí e Candiba desde 2010, quando a barragem de Ceraíma atingiu níveis críticos em razão da estiagem e dos danos ambientais acumulados no solo da região. Ao todo, Guanambi, Pindaí e Candiba somam mais de 100 mil beneficiados com a obra.

“Esta é mais uma grande obra construída numa parceria do governo federal com o governo estadual dentro do Água para Todos - um programa que começou na Bahia e deu tão certo que foi replicado pelo governo da presidenta Dilma Russef em todos os estados da Federação”, destaca o presidente da Codevasf, Elmo Vaz. “Com essa obra, a região de Guanambi passa a ter segurança hídrica para suprir o abastecimento humano nas zonas urbana e rural, ao mesmo tempo em que libera a barragem de Ceraíma e Poço do Magro para que possamos retomar, aos poucos, o projeto de irrigação na região", disse.

O projeto de irrigação do perímetro de Ceraíma, de responsabilidade da Codevasf, teve que ser interrompido em razão da exaustão da barragem. “A cidade de Guanambi, a partir de hoje, tem um novo marco na História. Muda a vida dos comerciantes, abrem-se novas possibilidades de atração de indústrias e de geração de empregos para a juventude”, afirmou o superintendente da Codevasf em Bom Jesus da Lapa (BA), Lourival Soares Gusmão.

A Adutora do Algodão é a maior obra em andamento na região. São R$ 75,7 milhões repassados à Embasa, e outros cerca de R$ 60 milhões aplicados diretamente pela Codevasf, totalizando R$ 136 milhões somente na primeira etapa, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Nesta primeira etapa, a Adutora do Algodão irá abastecer as casas de mais de 120 mil habitantes dos municípios de Malhada, Iuiu, Palmas de Monte Alto, Candiba, Pindaí, Matina e Guanambi; das localidades de Mutãs (Guanambi) e Pajeú do Vento (Caetité), além de localidades urbanas e rurais situadas ao longo da área de influência do sistema: são 265 km de adutoras, uma estação de tratamento de água, uma estação de tratamento de lodo, seis elevatórias, seis reservatórios e uma vazão de 480 litros por segundo quando a operação alcançar os 100%.

Para a segunda etapa, a previsão é aplicar R$ 42 milhões na implantação do sistema que irá reforçar o abastecimento de água na vizinha Caetité, nos distritos de Maniaçu, Morrinhos e Ibitira - inclusive para a população rural -, totalizando mais 30 mil habitantes beneficiados. “Serão cerca de 156 quilômetros de ampliação, onde teremos oito estações elevatórias e três reservatórios. É uma obra complexa, mas que em 2013 já estará finalizada”, informa o presidente da Embasa, Abelardo de Oliveira Filho.

Moradores comemoraram

Morador do bairro Lagoinha, em Guanambi, Osmar Pereira comemora o início do funcionamento da Adutora e já percebe diferença na qualidade da água fornecida. “Antes a água era muito pesada. A gente vinha sofrendo demais com a falta de água e a qualidade da água de Ceraíma. A água do São Francisco parece água mineral, e tem o dia todo na torneira. É uma bênção de Deus. Bom demais”, diz.

Marilene Flores de Oliveira, moradora do bairro Alvorada e mãe de Ruan, de 1 ano, conta que chegou a ficar 16 dias sem água na torneira de casa. “As crianças sofriam porque não tinha água nem para lavar as fraldas. Quando a Codevasf e a Embasa disseram no rádio que a água ia chegar, dormi do lado da caixa. Botei um colchão do lado da caixa e o marido dizia para eu sair do chão frio, mas não saí. Quando foi meia-noite, ouvi um barulho... a água pingou. Gritei de alegria, cheguei a chorar. Agora tem água o dia todo. Não falta mais. Obrigada ao governo federal por olhar pela gente”, diz a dona de casa.

Edson Luiz Leles, diretor da 30ª Diretoria Regional de Saúde, aposta que a entrada em operação da Adutora do Algodão fará com que as taxas de mortalidade infantil em Guanambi caiam. “Essa água é muito importante para a saúde da população”, destaca.

Para o presidente do Polo Sindical e assessor da Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar, Cosme Nascimento, as atividades econômicas vão ganhar novo impulso. “Os jovens que estavam parados depois que a irrigação de Ceraíma acabou, com a chegada da água do São Francisco para a cidade vão voltar a plantar, a produzir, a fazer a feira da família. O projeto de irrigação de Ceraíma vai voltar a ser um polo de desenvolvimento para a região”, acredita.

Polígono da Seca

Os nove municípios beneficiados pela Adutora do Algodão estão situados no chamado Polígono da Seca, semiárido do sudoeste baiano, onde os rios desaparecem durante a estiagem e o solo se transforma numa grande superfície de evaporação.

Antes da Adutora, os municípios dependiam exclusivamente do sistema de abastecimento de Guanambi, cuja captação era feita através de uma barragem de acumulação na localidade de Ceraíma, cuja água, após tratada, era aduzida para atender aos municípios de Guanambi, Candiba e Pindaí. Mas a estiagem prolongada reduziu o lago de Ceraíma a níveis críticos e, para evitar colapso no abastecimento, uma interligação emergencial do lago Poço do Magro com o sistema de abastecimento de Guanambi foi feita em 2008 por meio de convênio firmado entre Embasa e Codevasf.

Apesar de ter evitado o colapso, a solução emergencial não resolveu o problema. Isto porque o lago de Ceraíma, que tem capacidade nominal para 58 milhões de metros cúbicos de água, em janeiro de 2011 apresentava somente 2,5 milhões de metros cúbicos. O lago de Poço do Magro, por seu turno, com capacidade nominal de 37 milhões de metros cúbicos, já se encontrava com sua capacidade esgotada, não contribuindo com o sistema.

A escassez de chuvas agravou o problema, e a Embasa, responsável pela operação do sistema, encontrava, cada vez mais, dificuldade para atender à demandas dos municípios por água tratada, já que, além da redução da disponibilidade hídrica da região, a expansão das atividades fez aumentar o número de habitantes da região, o que levou a um sistema de racionamento de água que começou em julho de 2010.

A Adutora do Algodão, com abastecimento de água por meio de captação do rio São Francisco, permitirá a solução do problema de suprimento de água de forma definitiva e terá capacidade para atender, nos próximos vinte anos, a mais de 300 mil habitantes daquela região.