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Nordeste Rural: mais da metade da água dos açudes do Nordeste se perde com a evaporação

Estudos feitos em 90 açudes da região demonstraram que cerca de 75% da água são perdidas dessa forma, restando apenas 25% para o abastecimento humano. Pouco ou nada sobra para as atividades produtivas.
publicado: 13/10/2004 10h40, última modificação: 05/10/2006 11h42

Estudos feitos em 90 açudes da região demonstraram que cerca de 75% da água são perdidas dessa forma, restando apenas 25% para o abastecimento humano. Pouco ou nada sobra para as atividades produtivas. Ou seja: para cada metro cúbico disponível, perdem-se três metros cúbicos de água com a evaporação. O custo é enorme, porque é preciso guardar quatro para, no final, usar apenas um metro cúbico de água.

 A intermitência dos rios do Nordeste Setentrional é decorrente dos baixos índices de chuvas - em média, de 600 mm anuais, contra mais de 1.900 mm na região Sudeste - e da concentração desses volumes em dois ou três meses do ano.

Estudos mostram que considerando apenas o século XX, foram registrados 25 anos com secas, resultando em uma probabilidade de 25% de um ano qualquer ser seco e um intervalo médio de quatro anos, entre anos com seca. Os mesmo valores seriam obtidos se fossem considerados os séculos XIX e XX.

Os números revelam que o fenômeno da seca é relativamente comum e ocorreu historicamente com uma freqüência de 25% em qualquer ano. No Polígono das Secas - que abrange oito Estados nordestinos, além de parte do norte de Minas Gerais -, a probabilidade de seca sobe para 80% em razão do solo do tipo cristalino, caracterizado pela baixa absorção de água.

Nesse cenário, apesar de indispensáveis para o armazenamento de água, os açudes têm sua eficiência restringida pelos fatores climáticos. Em geral, em razão dos longos períodos de seca, o uso das águas dos açudes, mesmo quando cheios, é controlado para garantir o abastecimento humano em uma eventual situação de escassez. Por outro lado, quando as chuvas são intensas, o excedente transborda, não tendo utilização prática para a vida dos moradores.