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PRODUTORES DO SALITRE TERÃO ADUTORA

publicado: 22/09/2004 16h10, última modificação: 17/08/2006 16h02

A TARDE

JUAZEIRO (DA SUCURSAL) – O canal adutor que vai permitir a irrigação no chamado projeto Salitrinho, destinado a pequenos agricultores, deverá ser entregue nos próximos 120 dias. A informação foi dada pelo diretor de Engenharia da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco), Clementino Coelho, em reunião com cerca de 180 pequenos agricultores do Vale do Salitre, ligados a dez associações comunitárias.

Com essa obra, esclarece Clementino Coelho, pode-se obter dois resultados imediatos, a conjugação do capital com a agricultura familiar, e a implantação do modelo da integração cooperado. No encontro com pequenos agricultores do Vale do Salitre, duas outras decisões ficaram acertadas: a Codevasf vai renegociar com a Coelba o débito de energia para fazer funcionar de imediato as barragens sucessivas, sem ônus para os agricultores só que a partir da religação, cada usuário vai arcar com o seu débito.

A segunda, diz respeito à construção do canal adutor que vai levar água do Grande Projeto Salitre para o chamado Salitrinho e essa água compartilhada, não terá custo adicional apenas a que for efetivamente utilizada pelos agricultores e dentro de uma política condizente com a realidade regional.

Para o diretor de engenharia da Codevasf, a empresa de desenvolvimento social do governo não pode fornecer água de graça, ser paternalista, assistencialista, mas tem o dever de promover parcerias públicas para assegurar o desenvolvimento.

COLONOS – A adutora, derivação do Grande Projeto Salitre, vai viabilizar essa correlação. “Nossa preocupação, disse, é com as grandes empresas que se utilizam da água bombeada para as barragens sucessivas e não pagam o que consomem”.

Vamos atrás de todos, já que os colonos aqui presentes se comprometem a pagar o custo da água efetivamente utilizada, embora reconhecidamente cara pela direção da Codevasf. A adutora vai ser construída e os pequenos agricultores não serão penalizados pela ineficiência do governo e ninguém dessa administração quer colocar sobrecarga em vocês, ela é do governo, buscamos o custo justo porque não podemos também oferecer água de graça para ninguém.

Clementino Coelho salientou que se deve aproveitar o momento para iniciar o processo de revitalização da Bacia do Rio Salitre, afluente perene do Rio São Francisco, mas que os salitreiros têm que se organizar. E destacou a recuperação do seu manancial, introduzindo água em sua bacia, barateando o seu custo.

A agricultura familiar é a grande saída para a emancipação do pequeno produtor, principalmente se ele praticar – a exemplo dos colonos do Sul do País - programas cooperados, vinculados a agricultura familiar integrada que é o caminho da consolidação da cadeia produtiva. “E o Nordeste possui as maiores condições de mercado porque fica próximo dos principais portos do mundo e dos mercados importadores, só precisamos nos organizar”, disse Coelho.

DISCUTÍVEL – Para o representante da Associação de Desenvolvimento Comunitário da Região do Horto Salitre, Paulo Félix de Lima, a proposta da Codevasf é discutível, mas as lideranças agrícolas vão apresentar uma contraproposta à estatal.

Ele informou que as lideranças do Vale do Salitre estão avaliando o que pode ser importante ou não para o agricultor. “As propostas tiveram nosso apoio, principalmente quanto à religação emergencial das barragens sucessivas até a conclusão do canal adutor que, como disse o diretor da Codevasf, deve estar pronto até a segunda quinzena de março.

Os pequenos produtores do Baixo Salitre esperam solução para a experiência que não deu certo, porque não tiveram como pagar a conta da energia usada no bombeamento da água, para as barragens construídas ao longo de 17 km do leito do Rio Salitre.

Toda a estrutura, que custou R$ 3 milhões, implantada pela Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), para o projeto, tubulações, casa de força, bombas e fiação, foi desativada há cerca de quatro anos, quando a Coelba deixou de fornecer energia por falta de pagamento das contas.