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FIM DO DESPERDÍCIO DE ÁGUA LEVA EMPREGO E RENDA AO SERTÃO DO PIAUÍ

publicado: 19/07/2004 11h25, última modificação: 17/08/2006 16h06

Registro e encanamento do poço Capim Grosso, Piauí      Poço Capim Grosso, Piauí

A utilização racional do poço jorrante Capim Grosso, localizado no município de São João do Piauí (a 486 km de Teresina), está mudando a realidade do primeiro assentamento de reforma agrária do estado. A água que era desperdiçada há 20 anos, está sendo utilizada, agora, para irrigar 20 hectares, para a produção de horticultura e fruticultura. A implantação do projeto piloto de irrigação da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) beneficia uma comunidade de 423 pessoas, no assentamento Marrecas. Amanhã (20), o presidente da Empresa, Luiz Carlos Everton de Farias e governador do Piauí Wellington Dias (PT) vão plantar as primeiras videiras no projeto que prevê, além da uva, o plantio de manga, figo e goiaba.

Aberto em 1982, o poço profundo jorrava uma vazão de 120m³ por hora, o que produzia 40 metros de coluna d'água. Os números do desperdício impressionam: diariamente, 2880m³ de água eram jogados fora. Lembrando que uma caixa d'água padrão corresponde a mil litros, eram 2,8 delas indo pelo ralo todos os dias. Da abertura do poço, até o início do trabalho da Codevasf, há 18 meses, foram desperdiçados mais de 21 milhões de m³ de água. Isso numa região do semi-árido, onde a população tem poucas alternativas de renda.

Utilizando a água, a Codevasf implantou, este ano, 3.600 m de adutora com quatro reservatórios de 10 mil litros, além de um chafariz, utilizado para abastecer as comunidades vizinhas. Também foram instalados 2.450m de rede de energia elétrica rural. Em 20 hectares irrigados, já estão sendo colhidos abóbora, batata doce, feijão, melancia e banana.

Nesta terça-feira começa o plantio de duas modalidades de uva: a italia e benitak. Responsável pela implantação da fruticultura irrigada no Vale do São Francisco, a Codevasf inicia o trabalho no Vale do Parnaíba através de projetos de pesquisa, como o de Marrecas. Os produtores selecionados pela própria Associação, estão aprendendo técnicas de plantio de uva. A colheita é uma das mais rentáveis da fruticultura irrigada. Gera até cinco empregos por hectares e tem mercado certo. A Codevasf oferece assistência técnica e, no próximo mês, um grupo de produtores de Marrecas vai aprender com a experiência de Petrolina (PE). Eles passarão por treinamento no Perímetro Irrigado Nilo Coelho. A região é responsável pela produção de 98% da uva exportada pelo Brasil.

O fortalecimento da fruticultura irrigada é meta do projeto piloto, onde estão previstos, o plantio de manga, goiaba, figo, atemóia e limão. Para isso, a Codevasf vai "domar" mais três poços jorrantes existentes na região, cuja água será suficiente para irrigar toda a área prevista. O assentamento Marrecas está localizado numa área de 10. 560 hectares e a única fonte de renda da população era a criação de caprinos e ovinos.

O projeto piloto de Marrecas é o segundo que a Codevasf implanta no Vale do Parnaíba. Ano passado, começou o plantio de uva na cidade de Santa Rosa.