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Vale do São Francisco começa a produzir pera, maçã e caqui

Há quase três décadas atrás, Petrolina surpreendeu o mundo da fruticultura ao produzir uva – cultura tipicamente de clima frio – em grande escala, com alta qualidade e em pleno Semiárido. Agora, com o projeto de integração e avaliação de culturas alternativas para as áreas irrigadas do Semiárido brasileiro, desenvolvido pela Embrapa e financiado pela Codevasf, a região começa a surpreender novamente.
publicado: 17/08/2011 10h02, última modificação: 20/06/2018 17h11

Há quase três décadas atrás, Petrolina surpreendeu o mundo da fruticultura ao produzir uva – cultura tipicamente de clima frio – em grande escala, com alta qualidade e em pleno Semiárido. Agora, com o projeto de integração e avaliação de culturas alternativas para as áreas irrigadas do Semiárido brasileiro, desenvolvido pela Embrapa e financiado pela Codevasf, a região começa a surpreender novamente.

O projeto busca viabilizar alternativas tomando como exemplo culturas já consolidadas no Vale do São Francisco como: uva, manga e goiaba. Os principais alvos das pesquisas são a pera, a maçã e o caqui, além de citros e outras culturas menos comuns como ameixa, rambutã, cacau e oliveira.

Hoje, poucos anos após o início dos estudos, os resultados já começam a surgir. Segundo o coordenador das pequisas na Embrapa, Paulo Roberto Coelho Lopes, os resultados têm sido muito bons. “Apesar de ainda ser preciso mais tempo para ter um controle relacionado às pragas e melhorar o manejo, essa primeira safra nos campos experimentais já está produzindo excelentes frutos. Por conta do clima da região, com sol praticamente o ano inteiro, a fruta é bastante doce”, informa.

O primeiro a fazer testes com pera, maçã e caqui em área comercial foi Milton Bin, proprietário de lote agrícola no Perímetro Irrigado Senador Nilo Coelho. Foram mil mudas de cada, com previsão de colheita para o final de 2011. “As pereiras já estão florando. Não diziam que era impossível plantar uva aqui? E no entanto, veja hoje como estamos ”, afirma Bin. Atualmente, 97% da uva brasileira consumida no mundo é colhida nas videiras irrigadas pelas águas do rio São Francisco.

Paulo Roberto, tem estado bastante esperançoso. “Estamos caminhando para a validação e em busca de uma maneira de tornar possível duas safras por ano, tanto de maçã quanto de pera. Acredito que estamos no caminho certo”, destaca.

Para o superintendente da Codevasf, Luís Eduardo Frota, essa é uma iniciativa histórica. “É um marco. É a primeira vez em toda a região que estamos produzindo essas culturas em local e escala comercial. Graças aos canais de irrigação poderemos produzir com qualidade mais uma cultura tipicamente de clima temperado. Desde que começamos as pesquisas, já destinamos R$ 1 milhão e 800 mil para esses estudos. Em 2011 serão mais R$ 400 mil, onde totalizaremos mais de R$ 2 milhões. ” afirma Frota.