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Produção de piabas fortalece cadeia alimentar no São Francisco

O reduzido número de espécies forrageiras de peixes no São Francisco está comprometendo a cadeia alimentar desse ecossistema. Para combater essa situação, técnicos do Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Itiúba (Ceraqua), localizado em Porto Real do Colégio (AL), estão produzindo piabas para inserção no rio e em seus afluentes
publicado: 05/11/2010 09h02, última modificação: 20/06/2018 17h09

O reduzido número de espécies forrageiras de peixes no São Francisco está comprometendo a cadeia alimentar desse ecossistema. Para combater essa situação, técnicos do Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Itiúba (Ceraqua), localizado em Porto Real do Colégio (AL), estão produzindo piabas para inserção no rio e em seus afluentes. Assim como outras espécies, ela serve de alimento para peixes carnívoros, como o dourado e o surubim, que são espécies nativas do rio São Francisco.

Segundo o engenheiro de pesca Álvaro Albuquerque, chefe do Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Itiúba, até o momento foram inseridos na bacia do rio São Francisco em Alagoas cerca de 50 mil peixes forrageiros, como a piaba. Até o final do ano, deverão ser inseridos mais 50 mil. A inserção irá contribuir com o fortalecimento da oferta de alimentos para as espécies carnívoras da cadeia alimentar desse ecossistema. Espécies herbívoras, aquelas que se alimentam de fitoplânctons e que estão na base da cadeia alimentar, tiveram uma redução drástica em seus estoques pesqueiros ao longo dos anos na bacia do rio São Francisco, provocada, principalmente, pela mudança no ciclo natural das cheias a partir da construção de barragens para produção de energia elétrica e pela introdução de espécies exóticas de peixes carnívoros, predadores dos estoques pesqueiros, explicou Álvaro Albuquerque.

O chefe do Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Itiúba lembra que há alguns anos ainda era possível visualizar grandes cardumes de piabas no São Francisco, imagem que hoje se tornou uma raridade. Para dar uma dimensão da necessidade urgente de aumento dos estoques pesqueiros de espécies forrageiras, ele explicou que, para se produzir em ambiente natural 1 quilo de peixes carnívoros, são necessários 10 quilos de peixes forrageiros. O resultado positivo da inserção de piabas no São Francisco irá repercutir também entre os pescadores, que terão mais pescado a sua disposição, explicou.

A produção das piabas tem início com a captura do peixe no ambiente natural, ou nos canais de irrigação do Perímetro de Irrigação do Itiúba. Os animais são utilizados como matrizes reprodutoras em viveiros no Centro. No local, eles são alimentados para se desenvolverem até atingir o ponto para produção de alevinos. Em quarenta dias os animais estão prontos para o peixamento.

Para o superintendente regional da Codevasf em Alagoas, Antônio Nélson de Azevedo, é preocupação da Codevasf produzir espécies nativas que recomponham o estado natural da cadeia alimentar e contribuam para o equilíbrio ambiental desse importante ecossistema. "Essas ações fazem parte do Programa de Revitalização do Rio São Francisco e do Programa de Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura. O Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Itiúba, como um dos centros tecnológicos da Codevasf, encontram e aplicam soluções para minimizar o problema da pressão sobre os estoques pesqueiros no rio São Francisco", argumentou.