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Presidente da Codevasf faz balanço de oito meses de gestão e fala dos principais desafios para 2013

O presidente da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), Elmo Vaz, encerra 2012, após quase oito meses à frente da Companhia, fazendo um balanço de sua gestão e apontando desafios importantes para 2013 – entre eles, a designação, por meio de portaria do Ministério da Integração Nacional, para que a Codevasf assuma as funções de Operadora Federal do Projeto de Integração do Rio São Francisco com as Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional; e um orçamento de R$ 1,6 bi para ser executado em toda a sua área de atuação no âmbito do programa Mais Irrigação, lançado em novembro último, no Palácio do Planalto, pela presidenta Dilma Rousseff.
publicado: 03/01/2013 16h49, última modificação: 20/06/2018 17h15

O presidente da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), Elmo Vaz, encerra 2012, após quase oito meses à frente da Companhia, fazendo um balanço de sua gestão e apontando desafios importantes para 2013 – entre eles, a designação, formalizada por portaria do Ministério da Integração Nacional, da Codevasf para assumir as funções de Operadora Federal do Projeto de Integração do Rio São Francisco com as Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional; e um orçamento de R$ 1,6 bilhão para ser executado em toda a sua área de atuação no âmbito do programa Mais Irrigação, lançado em novembro último, no Palácio do Planalto, pela presidenta Dilma Rousseff.

Elmo Vaz avalia que há avanços alcançados nesses quase oito meses de gestão em 2012 – como o lançamento do edital de obras e de Concessão de Direito Real de Uso (CDRU) do projeto Pontal, em Pernambuco; da licitação para construção da barragem de Jequitaí, em Minas Gerais; as licitações para os projetos de irrigação Pariconha e Delmiro Gouveia, em Alagoas; a conclusão de sistemas integrados de abastecimento de água que alcançam 91 localidades rurais de municípios do semiárido de Bahia, Sergipe e Pernambuco; a conclusão de sistemas de esgotamento sanitário em diversos estados; a instalação de cerca de 50 mil cisternas de consumo do programa Água para Todos nos terreiros das casas de famílias situadas abaixo da linha de pobreza – e conclui afirmando que “se sente orgulhoso por dirigir uma Companhia que tem sido cada vez mais reconhecida pelas instituições de Governo Estaduais e Municipais e, principalmente, pela sociedade que se beneficia diretamente do nosso trabalho”. Confira a entrevista do presidente da Codevasf na íntegra.


  • PR/ACP: Quais foram os principais avanços e conquistas que o senhor vê nesses primeiros quase oito meses de sua gestão?

  • Elmo Vaz: Foram muitos, eu destacaria os avanços corporativos, que certamente irão impulsionar outros ganhos de eficiência. Na área de gestão de pessoas, chamamos mais 143 profissionais do concurso vigente. É um incremento de cerca de 10% no quadro de pessoal. Buscamos priorizar as áreas finalísticas das superintendências. Outra conquista significativa refere-se ao ajuste das gratificações de funções para especialistas, consultores e coordenadores de projetos e obras, em fase final de regulamentação por parte da Área de Gestão Administrativa e de Suporte Logístico (AA), ação que irá reconhecer e beneficiar cerca de 80 empregados de acordo com critérios estabelecidos. Isto será implementado já no início de 2013. E, entre muitas outras conquistas, não poderíamos deixar de destacar a inauguração da 8ª SR, no estado do Maranhão, ação que desafogou a superintendência do Piauí e irá contribuir sobremaneira para o desenvolvimento do Maranhão - ato que contou com a presença do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, e da governadora Roseana Sarney. Internamente, também vale lembrar que conseguimos, graças ao empenho da Área de Gestão Estratégica, inaugurar o sistema de vídeoconferência, que está proporcionando uma maior integração da empresa, agilidade nas decisões e economia de recursos. Após diversas rodadas de negociação com o sindicato dos trabalhadores (SINPAF), conseguimos fechar um bom acordo coletivo garantindo e ampliando diversas conquistas financeiras e sociais, e outros avanços importantes a exemplo do compromisso de criação de comissões paritárias, formadas por Codevasf e Sinpaf, para discussão de questões de interesse da empresa e dos empregados, como o plano de Saúde.


  • PR/ACP: O senhor considera que, hoje, já conhece bem a Codevasf e suas peculiaridades?

  • Elmo Vaz: Posso dizer que hoje entendo o funcionamento da empresa e tenho condições de contribuir para que ela continue avançando no desenvolvimento de seu trabalho, que é de altíssimo interesse da sociedade: os beneficiários de nossas ações são, principalmente, as populações do semiárido Nordestino, com pouco ou precário acesso aos serviços de saneamento básico, à inclusão produtiva, e muitas dependem do sucesso de nosso trabalho para sustentar suas famílias. Visitei todas as superintendências regionais da Codevasf ao longo desse tempo, ocasiões em que conversei com os servidores, conheci a maioria dos projetos e as ações que estão sendo desenvolvidas. Em 2013 pretendo implementar ações de aproximação entre a sede (as diretorias) e as superintendências, a exemplo de reuniões regionais, que estamos chamando de “diretoria itinerante”. Em janeiro temos agendada nossa primeira reunião de diretoria em 2013 fora de Brasília, na 1ª SR, em Montes Claros (MG). Esta é uma ação pioneira na história da Codevasf.


  • PR/ACP: Como foi para o senhor conhecer as oito SRs?

  • Elmo Vaz: Foi muito gratificante poder conhecer cada SR, seus colaboradores, ouvir suas principais dificuldades, críticas e sugestões. Durante as viagens, tive a oportunidade de conhecer os principais projetos de irrigação, conversar com a direção dos distritos e até com os beneficiários dos programas, a exemplo do Água para Todos. Conheci diversas iniciativas empresariais, processos produtivos, novas tecnologias, bem como as demandas e necessidades de cada um deles. Meu comprometimento e minha responsabilidade só aumentaram, e principalmente o meu entusiasmo para a busca das soluções – seja internamente ou junto às esferas superiores de Governo.


  • PR/ACP: Sobre obras e projetos, quais foram os principais deles que saíram do papel nesses primeiros oito meses de sua gestão?

  • Elmo Vaz: Foram muitos os projetos que saíram do papel e já foram ou estão sendo licitados. Eu destacaria o lançamento do edital de obras e de CDRU do projeto Pontal, em Pernambuco; a licitação para construção da barragem de Jequitaí, em Minas Gerais; as licitações para os projetos de irrigação de Pariconha e Delmiro Gouveia, no sertão do estado de Alagoas; o lançamento das obras do perímetro de Marrecas, em São João, no Piauí. Estamos concluindo os trabalhos de modelagem para lançamento dos editais de obras de infraestrutura da CDRU do Baixio de Irecê e Salitre, na Bahia, projetos que irão duplicar as áreas de irrigação sob responsabilidade da Codevasf, e assim ampliar sobremaneira a geração de emprego e renda nos diversos estados em que atua. Estamos elaborando o termo de referência do projeto de integração de bacias, que irá beneficiar uma das regiões mais áridas do estado da Bahia, que é a região do Sisal, projeto denominado Eixo Sul. Estamos trabalhando na revisão do projeto para licitação das obras dos Diques da Baixada Maranhense. Concluímos e licitamos centenas de obras de abastecimento de água e sistemas de esgotamento sanitários; firmamos centenas de convênios com os estados e municípios em todas as áreas. Concluímos a primeira etapa da Adutora do Algodão em parceira com o governo da Bahia, por meio da Embasa, e já autorizamos a licitação da segunda etapa desta obra, que irá atender os municípios de Caetité e Lagoa Real. Estamos licitando centenas de sistemas simplificados de abastecimento de água e construção de pequenas barragens em todos os estados, por meio do Plano Brasil sem Miséria – são recursos da ordem de R$ 100 milhões –, e, por último, conveniamos com os estados cerca de R$ 76 milhões, recursos oriundos do BNDES e do MI, para serem aplicados na construção de barragens subterrâneas e no fornecimento de kits de irrigação, potencializando a inclusão produtiva. Ainda na área de revitalização de bacias, lançamos o edital das obras de requalificação e combate aos processos erosivos da Serra da Canastra em Minas Gerais, no valor de R$ 68 milhões, e estamos concluindo os aterros sanitários de Juazeiro e Irecê, na Bahia, e do consórcio Ecotres, em Minas Gerais, que abrange os municípios de Conselheiro Lafaiete, Ouro Branco e Congonhas.


  • PR/ACP: Como o senhor definiria a Codevasf hoje?

  • Elmo Vaz: A Codevasf definitivamente não é mais uma empresa apenas de irrigação. Ela hoje abarca diversas outras vertentes do desenvolvimento regional e da revitalização de bacias, que vai desde a construção de sistemas de esgotamento sanitário (SES), aterros sanitários e obras de combate aos processos erosivos. Só na carteira de esgotamento sanitário, com recursos do PAC, temos em execução cerca de R$ 1,1 bilhão. Somos o principal braço executor do Ministério da Integração Nacional em diversos programas. Como exemplo, podemos citar o Água para Todos, dentro do Plano Brasil sem Miséria, cuja meta principal é a universalização do acesso à água para a população rural do semiárido brasileiro até 2014, seja através de sistemas de abastecimento de água ou mediante a instalação de cisternas de consumo nos terreiros das casas das famílias situadas na zona rural difusa. Instalamos até agora cerca de 50 mil cisternas de consumo de 16 mil litros cada, e já licitamos mais 100 mil unidades para serem instaladas até dezembro de 2013


  • PR/ACP: Na sua visão, quais são os principais desafios da Companhia?

  • Elmo Vaz: São muitos os desafios. Talvez o maior deles seja reestruturar internamente a Codevasf para o enfrentamento das novas demandas e atribuições que se apresentam, sem perder de vista o papel de pensar e ajudar a planejar o desenvolvimento regional no território em que atua. Penso que um desafio premente seria poder contribuir para que os atuais perímetros públicos de irrigação se emancipem e se tornem autossustentáveis – o que, de certa forma, passa por uma quebra de paradigma institucional. Ao mesmo tempo, temos de propor novas modelagens de gestão e operação para os novos projetos, a exemplo do que estamos propondo por meio de CDRU e de Parcerias Público-Privadas (PPP). Precisamos investir numa carteira de projetos estruturantes, principalmente em infraestrutura hídrica e de saneamento; pra isso precisamos alavancar mais orçamento. E, ainda, buscar incluir a massa de agricultura familiar que está excluída dos principais processos de desenvolvimento da agricultura irrigada, grande parte residente na porção mais seca das bacias em que a Codevasf atua. Temos um papel importante definido dentro do programa Mais Irrigação, que foi lançado em novembro pela presidenta Dilma e coloca definitivamente o tema da irrigação dos perímetros públicos do país no centro da agenda do governo federal. Nossos investimentos serão de R$ 1,6 bilhão; ficaremos responsáveis por 32 dos 66 perímetros inseridos no programa, e precisaremos licitar todos esses projetos e obras até o final de 2013.


  • PR/ACP: A Codevasf tem destacada atuação também na área ambiental. Como se dará o seguimento desta vertente de atuação da Companhia?

  • Elmo Vaz: A execução do orçamento do Programa de Revitalização de Bacias em situação de vulnerabilidade, maior programa ambiental do Brasil, com recurso eminentemente nacional, orçado em cerca de R$ 2 bilhões, exige da empresa capacidade técnica e institucional em alto nível para implementar e dar resultados concretos – recuperação ambiental para garantir água em qualidade e quantidade para múltiplos usos nas bacias onde atua. Precisamos avançar no controle social das áreas em que atuamos, melhorar nossa comunicação com a sociedade, aumentar nossa inserção nos processos políticos das discussões de recursos hídricos. Precisamos aprimorar a nossa participação nos diversos órgãos colegiados setoriais, como nos comitês de bacias hidrográficas, colegiados territoriais rurais, conselhos de meio ambiente. Enfim, são muitos os desafios.


  • PR/ACP: O senhor acha que a Codevasf está preparada para enfrentar tantos desafios?

  • Elmo Vaz: A Codevasf tem uma história e tem grandes profissionais. Portanto, posso afirmar que ela possui uma base sólida. É como uma edificação construída sobre uma boa fundação; se agora precisamos crescer, fica fácil: basta planejarmos e fazermos as adequações necessárias. Não tenho dúvida de que somos a maior empresa de desenvolvimento regional do país. Creio que precisamos fazer alguns ajustes e reestruturar a empresa. Estamos trabalhando nessa vertente, estamos buscando nos preparar para o futuro. Tenho uma preocupação com a gestão, sobretudo com a melhoria e ajustes dos processos internos. Precisamos implantar um sistema de avaliação de desempenho visando atingir metas e cumprir diretrizes de Governo. Penso que "quem não mede, não gerencia" (Falconi). Para isso, precisamos incrementar as capacidade técnicas e desenvolver lideranças dentro da empresa. Já estamos contratando uma consultoria para desenvolvimento de lideranças em todos os níveis da empresa e em breve iremos lançar um grande programa. Nosso caminho é um caminho sem volta: de modo geral, o Governo e a sociedade acreditam na Codevasf, e precisamos corresponder com resultados.


  • PR/ACP: A Codevasf tem um quadro heterogêneo de profissionais. Como tirar partido desse aspecto?

  • Elmo Vaz: É verdade. A heterogeneidade do conhecimento é uma vantagem competitiva importante. O leque de ações que a Codevasf tem para implementar exige profissionais das diversas disciplinas e áreas do conhecimento. Entretanto, a Companhia possui no seu quadro muitos técnicos em fase de se aposentar com um vasto conhecimento acumulado, ao mesmo tempo em que ingressam novos profissionais do último concurso. É um desafio das áreas de gestão de pessoas fazer com que esse conhecimento seja transferido. Temos que aproveitar a experiência daqueles que estão perto de se desligar, pois esse conhecimento acumulado pertence à empresa, e entendo que não podemos perdê-lo.


  • PR/ACP: Como o senhor tem visto as demandas de parlamentares para ampliação da área de atuação da Codevasf?

  • Elmo Vaz: A Codevasf vem se consolidando pelo trabalho eficiente que desenvolve, e com isso é chamada a apoiar outras demandas em novos territórios e bacias hidrográficas no Nordeste e em Minas Gerais. Atualmente tramitam na Câmara e no Senado diversos projetos de lei para ampliação da atuação da Codevasf em diversos estados. Particularmente, defendo que a Codevasf venha a se tornar uma empresa de atuação em toda a região Nordeste e no Norte de Minas, excluindo-se, evidentemente, as regiões metropolitanas. Para isto precisamos rever o leque de atividades a serem desenvolvidas para que não haja superposição de ações com outros órgãos ou instituições federais, a exemplo do DNOCS. Recentemente fomos designados por meio de portaria Ministerial como o operador Federal do Projeto de Integração de bacias do São Francisco (PISF), o que já nos levará, de certa forma, a atuar para além das bacias hidrográficas em que hoje atuamos.


  • PR/ACP: De que forma o senhor irá continuar orientando sua atuação?

  • Elmo Vaz: Continuarei viajando para ver de perto a execução dos projetos e obras em cada estado. Pretendo manter um canal aberto de diálogo com todos os setores, dirigentes dos distritos de irrigação, parceiros e colaboradores. Pretendo em 2013 buscar estreitar ainda mais nossas relações com outras instituições e ministérios, a exemplo de MDA, MAPA, Pesca, MMA e MDS. Sinto-me realizado com a oportunidade de poder contribuir com o governo da presidenta Dilma Rousseff e com a gestão do ministro Fernando Bezerra, com quem tenho dialogado permanentemente em busca de soluções. É um orgulho para mim dirigir uma Companhia que tem sido cada vez mais reconhecida pelas instituições de Governos Estaduais e Municipais e, principalmente, por saber que a sociedade é beneficiada diretamente pelo resultado do nosso trabalho. Só tenho a agradecer aos colegas diretores, ao Conselho Fiscal e de Administração, e principalmente a todos os empregados da Codevasf pelo apoio incondicional e acolhida. Pretendo continuar dando o melhor de mim, tendo como missão superar os desafios que temos pela frente. Por fim, desejo a todos um 2013 de muito trabalho, recheado de muitos resultados positivos.

Crédito da Foto: Carla Ornelas/ Secom BA