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Mais de 3,3 mil famílias do semiárido baiano já receberam cisternas do Água para Todos

O Água para Todos, coordenado pelo Ministério da Integração Nacional (MI), já é uma realidade para milhares de nordestinos. No semiárido baiano, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), que executa as ações do programa em sua área de atuação, instalou, até agora, mais de 3,3 mil cisternas de consumo em diversas localidades dos municípios de Boquira, Ibotirama, Chorrochó, Santa Brígida e Uauá. O número de beneficiários validados, aptos a receber os reservatórios, chega a mais de 11 mil.
publicado: 26/09/2012 15h45, última modificação: 20/06/2018 17h14

O Água para Todos, coordenado pelo Ministério da Integração Nacional (MI), já é uma realidade para milhares de nordestinos. No semiárido baiano, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), que executa as ações do programa em sua área de atuação, instalou, até agora, mais de 3,3 mil cisternas de consumo em diversas localidades dos municípios de Boquira, Ibotirama, Chorrochó, Santa Brígida e Uauá. O número de beneficiários validados, aptos a receber os reservatórios, chega a mais de 11 mil.

Dona Sizaltina Almeida, moradora da comunidade de Baixa Funda, município de Ibotirama (a 648 km de Salvador), já conta com água da cisterna para beber, tomar banho, escovar os dentes e fazer outras tarefas de rotina. A região onde ela vive vinha sofrendo com a estiagem, mas uma chuva no final de julho permitiu a acumulação de quase 8 mil litros de água no reservatório recebido pela família do programa Água para Todos. “Eu gostei muito, assim como as demais famílias que já receberam. Essa cisterna será importante para todos nós. Vai melhorar muito a qualidade da água que a gente usa. Agora poderemos contar com água limpa, tratada”, comemora a dona de casa.

Antes da cisterna, conta dona Sizaltina, a água consumida pela família vinha de um poço de mais de 30 metros de profundidade, puxada por um balde com auxílio de um sistema rudimentar de roldana, cujo esforço para retirada não impedia que praticamente metade da água capturada pelo balde fosse derramada pelo caminho. A outra opção era caminhar alguns quilômetros até uma comunidade vizinha, com baldes amarrados em lombo de jegue – e, ainda assim, a água que restava nos baldes ao final da jornada de retorno era salobra.

Até 2014, o governo federal, por meio do Água para Todos, irá beneficiar 750 mil famílias com a instalação de cisternas de polietileno, com capacidade para armazenar até 16 mil litros de água de chuva captada dos telhados das casas. Os reservatórios possuem tecnologia moderna testada e aprovada em países como México, Austrália e Indonésia. As principais vantagens do reservatório são a resistência do material e a rapidez de execução e condições de armazenamento, que impedem a incidência de luz solar e evitam a proliferação de algas que podem causar danos à água. A água adequadamente armazenada pode ser usada para beber, cozinhar e escovar os dentes, principalmente nos longos períodos de estiagem.

Em sua área de atuação, a Codevasf já instalou 22.429 cisternas em 38 municípios, em áreas rurais prioritariamente situadas no semiárido nordestino brasileiro. Com a aceleração do ritmo de validação das famílias, a ampliação das equipes de campo e o aumento de frentes de trabalho das empresas instaladoras das cisternas, a Companhia assegura o cumprimento da meta de beneficiar 60 mil famílias até dezembro deste ano, para que estas possam ter mais tranquilidade durante a seca. Com isso, estará dando a partida, ainda este ano, para validar mais 120 mil famílias, traduzindo investimentos totais de R$ 900 milhões.

Participação social

Um dos pontos fortes do programa é a interação com a comunidade. Para isso, são organizados Comitês Gestores Municipais formados por representantes da sociedade civil organizada, sindicatos de representação rural, associações rurais, igrejas, pastorais e do poder público municipal, além de Comissões Comunitárias. O Comitê auxilia na mobilização local das comunidades visando o cadastramento e validação das famílias a serem beneficiadas, garantindo a correta distribuição dos reservatórios.

A indicação das localidades cabe ao Comitê, bem como a relação dos beneficiários, obedecendo aos critérios do programa – famílias de áreas rurais, prioritariamente do semiárido, em situação de pobreza e extrema pobreza associada à carência de acesso à água com renda per capita de até R$ 140,00, desde que inscritas no Cadastro Único, e também aos aposentados que, mesmo possuindo renda per capita familiar acima de R$140,00, vivam exclusivamente de sua renda previdenciária.

E para garantir o perfeito funcionamento e uso adequado das cisternas, são promovidos cursos de Gestão da Água com as famílias beneficiadas. Nessas capacitações os participantes são orientados quanto à utilização da água sem desperdício e instruções para a manutenção dos reservatórios.

Todo esse esforço de mobilização tem gerado grandes expectativas quanto à melhoria da qualidade de vida da população. Para Andreza de Cássia Lino, coordenadora do Comitê Gestor Municipal do programa em Ibotirama (BA), o Água para Todos vem se destacando como importante ação social. “O programa contribui com o controle social, com a sustentabilidade do município. Tínhamos comunidades com muitos problemas com relação ao acesso a água potável. Nessas primeiras comunidade onde foram instaladas as cisternas, muitas famílias já contam com água no reservatório, ou seja, elas já têm como enfrentar a seca, com a água captada de chuvas que caíram no mês de abril”, explica.

Além disso, Andreza Lino aponta a geração de renda como outro benefício para a comunidade. “Nesse período crucial da seca, muitas famílias não desenvolvem nenhuma atividade econômica. Com a chegada do programa, foi aproveitada a mão-de-obra da zona rural para instalação das cisternas. Então se associou ao programa a questão da sustentabilidade nessas áreas. As comunidades estão muito ansiosas para começar o período chuvoso e as famílias começarem a fazer a reserva de água para ser usada no próximo período de estiagem”, aponta.

Diante dos resultados obtidos até o momento pelo programa, o coordenador nacional do Água para Todos na Codevasf, Carlos Hermínio de Oliveira, avalia positivamente as ações. “A análise dos dados do primeiro semestre de 2012 revela que a metodologia de execução do programa vem assegurando uma expressiva participação social e estabelecidos mecanismos de controle social, que vem sendo bem absorvidos pelas prefeituras municipais, órgãos de governo estaduais e federais, sociedade civil e notadamente pelos beneficiários, o que se traduz num dos pontos fortes do programa. Outro ponto forte é o investimento na capacitação de nossas equipes e das empresas contratadas, e principalmente das famílias beneficiárias do Programa, e com isto vem assegurando uma maior qualificação e melhores resultados dos impactos sociais do Programa”, explica.

Plano Brasil sem Miséria

O Água para Todos faz parte do Plano Brasil Sem Miséria, instituído pelo governo federal em julho de 2011. O objetivo é elevar a renda e as condições de bem-estar da população. As famílias extremamente pobres que ainda não são atendidas serão localizadas e incluídas de forma integrada nos mais diversos programas de acordo com as suas necessidades. O plano é direcionado aos brasileiros que vivem em lares cuja renda familiar é de até R$ 140,00 por pessoa. De acordo com o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estão nesta situação 16,2 milhões de brasileiros.

O Plano Brasil Sem Miséria agrega transferência de renda, acesso a serviços públicos, nas áreas de educação, saúde, assistência social, saneamento e energia elétrica, e inclusão produtiva. Com um conjunto de ações que envolvem a criação de novos programas e a ampliação de iniciativas já existentes, em parceria com estados, municípios, empresas públicas e privadas e organizações da sociedade civil, o Governo Federal quer incluir a população mais pobre nas oportunidades geradas pelo forte crescimento econômico brasileiro. Mais informações sobre o assunto estão disponíveis no site do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome – www.mds.gov.br.

Crédito da imagem: Ana Paula Couto/Ministério da Integração Nacional