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Codevasf investe R$ 400 milhões em ação ambiental que amplia volume de água nas bacias e reduz assoreamento

Mais água disponível, por mais tempo, para consumo e produção de populações que sofrem com estiagens prolongadas. Esse é o objetivo da ação de recuperação e controle de processos erosivos, tocada pela Codevasf dentro do Programa de Revitalização das Bacias dos Rios São Francisco e Parnaíba. Contabilizando R$ 400 milhões no Orçamento Geral da União (OGU) para o período 2004 a 2014, a ação – cujos reflexos, em geral, aparecem no médio e longo prazo – já tem resultados positivos para mostrar.
publicado: 14/12/2012 12h15, última modificação: 20/06/2018 17h15

Mais água disponível, por mais tempo, para consumo e produção de populações que sofrem com estiagens prolongadas. Esse é o objetivo da ação de recuperação e controle de processos erosivos, tocada pela Codevasf dentro do Programa de Revitalização das Bacias dos Rios São Francisco e Parnaíba. Contabilizando R$ 400 milhões no Orçamento Geral da União (OGU) para o período 2004 a 2014, a ação – cujos reflexos, em geral, aparecem no médio e longo prazo – já tem resultados positivos para mostrar.

“O cercamento da nascente e a revegetação, feitas no ano passado, fizeram com que, apesar da seca desse ano, não ficássemos sem água, pois a bacia do Ribeirão Boa Vista abasteceu os municípios de Divinópolis e Carmo da Mata. Há seis anos, chegamos a ter que fazer barricadas na bacia para segurar a água, mas graças à recuperação de áreas degradadas feita pela Codevasf, não precisamos fazer nada disso neste ano”, testemunha Regina Greco, presidente do Comitê da Bacia do Rio Pará e uma das dirigentes da Associação dos Usuários da Bacia do Rio Pará, no centro-oeste de Minas Gerais, região do Alto São Francisco – uma área de 12,5 mil quilômetros quadrados onde vivem e produzem cerca de 950 mil pessoas.

Com sete diferentes empreendimentos concluídos este ano, a recuperação e controle de processos erosivos reúne ações espalhadas pelos cerca de 945 mil quilômetros quadrados dos Vales do São Francisco e do Parnaíba e afeta, direta ou indiretamente, a uma população de aproximadamente 23 milhões de habitantes.

“São ações que aplicam métodos diversos para cada um dos diferentes tipos de situação – calcados, principalmente na revegetação, no cercamento e na proteção de nascentes, e na implantação de barraginhas e terraços”, explica o presidente da Codevasf, Elmo Vaz.

O objetivo final é, em geral, o mesmo: aumentar a oferta de água disponível por meio de mecanismos que mantêm a água das chuvas por mais tempo concentrada nas bacias e sub-bacias – retardando sua chegada aos rios, que despejam nos oceanos -, propiciar a infiltração desta água doce no solo e reduzir o carreamento de sedimentos para os cursos d’água, freando o processo de assoreamento.

“É água que contribui diretamente para a recarga do lençol freático e umidifica o solo, servindo para o consumo humano, a dessedentação animal e o desenvolvimento de pequenas áreas de cultivo”, observa o engenheiro agrônomo Tiago Geraldo de Lima, da Unidade de Conservação da Água, Solo e Recursos Florestais da Codevasf.

Regina Greco, que é produtora rural, pôde atestar os efeitos na prática. “A água que infiltrou para o lençol freático, brotou novamente na nascente e caiu nos córregos. Mantivemos com ela o gado de leite e as hortaliças, mesmo durante a dura estiagem deste ano, e ainda teve água para gerar energia nas seis pequenas centrais hidrelétricas instaladas na cabeceira da nascente do rio Pará”, garante. Na revitalização ambiental da bacia do rio Pará, que integra a ação de recuperação e controle de processos erosivos, a Codevasf investiu R$ 380 mil.

A conservação da vegetação, ou mesmo a revegetação, é uma das estratégias importantes. “Aprendemos a importância das árvores para o ciclo da água: se não há árvores, somente 17% do volume de água das chuvas conseguem infiltrar para o solo; se as árvores estão lá, 93% do volume de chuva conseguem infiltrar”, ensina Regina que, com a participação da comunidade, mantém atualmente quatro hortos de produção de mudas que são usadas pelas famílias da região para recuperar as áreas degradadas das nascentes – um dos resultados da ação de comunicação e conscientização social também realizada pela Codevasf, atrelada às demais ações.


Barraginhas e terraços


Além do trabalho de revegetação, as ações de recuperação e controle de processos erosivos contemplam dois mecanismos importantes na conservação da água e solo: as “barraginhas” e os terraços.

As “barraginhas são espécies de “buracos” escavados em locais estratégicos nos terrenos das propriedades e nas margens das estradas vicinais. Os terraços, por seu turno, são “sulcos” ou valas construídos transversalmente à direção do maior declive do terreno.

Dispostos de forma integrada, as “barraginhas” e os terraços operam juntos para reduzir a velocidade e o volume da enxurrada, contendo o processo que leva à erosão do solo e retendo grande parte dos sedimentos que asssoream rios e nascentes, ao mesmo tempo em que elevam a umidade do solo e aumentam a oferta e a qualidade da água na superfície.

Há mais benefícios advindos do mecanismo. “Com o aumento da infiltração, o solo fica mais úmido, ampliando a produtividade dos cultivos feitos nesses locais”, explica o engenheiro agrícola Círio José Costa, da Unidade de Conservação da Água, Solo e Recursos Florestais da Codevasf. Somente no Vale do Urucuia, noroeste de Minas, foram instaladas mais de 11 mil “barraginhas”, distribuídas por sete municípios num investimento R$ 2,6 milhões.


Voçoroca de Santa Filomena


Outra das iniciativas executadas pela Codevasf dentro da ação de recuperação e controle de processos erosivos em 2012 foi a estabilização de uma das maiores voçorocas registradas no país, localizada na Serra da Banja, município de Santa Filomena, no Piauí.

A voçoroca, explica o engenheiro florestal Antonio José da Silva Neto, nada mais é que um gigantesco “buraco” aberto pela força da água das chuvas que escorre pela superfície - uma erosão hídrica, que ocorre quando o caminho de escoamento se concentra num determinado percurso.

Pela voçoroca de Santa Filomena, nada menos que 300 mil metros cúbicos de sedimentos foram carreados e levados para as áreas mais baixas da paisagem, agravando o processo de assoreamento da calha do rio Parnaíba.

Ao aplicar um pacote de ações que incluíram adequação de estradas rurais, implantação de terraços em nível, revegetação, cercamento de áreas e educação ambiental, a Codevasf conseguiu estancar o estrago, reduzindo o aporte de sedimentos que chegavam à calha do rio. Além disso, a ação disciplinou o caminho percorrido pela água da chuva, que passou a infiltrar no solo ao invés de escorrer superficialmente pelo interior da voçoroca.

De quebra, ao impedir que grandes volumes de água de chuva cheguem rapidamente ao rio pelo trajeto da voçoroca, a ação conseguiu amenizar os alagamentos nos municípios do entorno nos períodos chuvosos. O investimento da Codevasf na estabilização da voçoroca de Santa Filomena foi de R$ 1,3 milhão.


Barramentos de pedra no sertão pernambucano


Em Afogados da Ingazeira, no sertão de Pernambuco, barramentos artesanais construídos com as pedras da própria região estão fazendo brotar água do solo em torneiras e cacimbas, mesmo no período da estiagem.

O sistema idealizado por um cidadão, o engenheiro Artur Padilha, já contabiliza 58 milhões de litros de água guardados no subsolo raso, a salvo da evaporação e disponível para consumo humano e animal, para atividades econômicas como agricultura irrigada e apicultura, e ainda propiciando o crescimento da vegetação que alimenta o gado.

Num convênio com a Cooperativa de Energia, Comunicação e Desenvolvimento do Alto Pajeú (Ceralpa), a Codevasf investiu R$ 430 mil nesta ação, possibilitando a implantação de 92 barramentos que beneficiaram cerca de 120 famílias situadas em duas microbacias no entorno dos riachos Carapuça e Matinha, de acordo com Artur Padilha, que acompanhou a execução da ação.

O barramento natural idealizado pelo engenheiro, que é dono de uma propriedade rural encravada no alto sertão, é simples: ao longo do leito dos riachos, são arrumadas pedras em formato de meia lua, de margem a margem, de modo que a parte côncava fica voltada para a foz. Na época das chuvas, a água e o solo que descem das encostas ficam represados, a água infiltra pelo solo e alimenta os lençóis freáticos.

Depois, a água é captada por cacimbas de pedra, onde são instalados canos que puxam a água para as propriedades, para bebedouros de animais ou mesmo para torneiras. Nas áreas úmidas, a vegetação brota, servindo de pasto para o gado – tudo isso em pleno período de estiagem.


Centros de referência


A implantação dos Centros de Referência em Recuperação de Áreas Degradadas (CR-ad’s) é outra vertente da ação de recuperação e controle de processos erosivos da Codevasf. Foram construídos até agora três desses centros em parceria com universidades federais, distribuídos em biomas distintos ao longo da bacia do São Francisco, num investimento de aproximadamente R$ 5 milhões.

Em 2012, a mais nova das unidades do CR-ad foi instalada em parceria com a Universidade de Brasília (UNB). O objetivo dos centros é estabelecer modelos de recuperação, promover a capacitação e disseminar práticas de recuperação e desenvolvimento sustentável. No caso da unidade implantada com a UNB, o trabalho está sendo desenvolvido em parceria com o Instituto Estadual de Florestas do Estado de Minas Gerais, entre outras instituições. O endereço eletrônico é http://www.crad.unb.br/.

Além deste, outros dois Centros de Referências em Recuperação de Áreas Degradadas já foram criados com o apoio da Codevasf: o CR-ad/UFLA, em Arcos (MG) e o CR-ad/Univasf, em Petrolina (PE). A Codevasf também possui recursos empenhados e descentralizados para a implantação do CR-ad da UFMG (Minas), da UFAL (Alagoas) e da UFRPE (Pernambuco), além da previsão de construção de outro em Barreiras, na Bahia, em parceria com a UFBA.


Parcerias nos estados


Em parcerias com os governos estaduais, ações de recuperação ambiental de sub-bacias e de contenção de processos erosivos estão sendo tocadas pela Codevasf.

Na Bahia, um convênio de R$ 18 milhões com Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) e com a Companhia de Engenharia Ambiental e Recursos Hídricos (Cerb) está promovendo trabalhos de recuperação das sub-bacias dos rios Carinhanha, Corrente e rio Grande, no oeste do estado, por meio de ações que incluem cercamento de nascentes e estabilização de margens, revegetação de áreas de preservação e construção de barraginhas.

Ainda na Bahia, um outro convênio tocado em parceria com o Ministério da Defesa, no valor de R$ 21 milhões, está fazendo a revitalização e a contenção de seis quilômetros da margem direita do rio São Francisco na ilha de Tapera, nos limites do município de Xique-Xique.

Em Minas Gerais, duas parcerias com o governo do estado, por meio da Fundação Rural Mineira (Rural Minas) e da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento promovem ações de conservação e revitalização de sub-bacias, num investimento de R$ 45 milhões. Também em Minas, a Codevasf está investindo R$ 60 milhões em ações ambientais no Parque Nacional da Serra da Canastra.

No Piauí, são quatro parcerias em andamento. Uma delas, de R$ 3 milhões, com a Fundação Agente, está promovendo a recuperação de áreas degradadas em processo de desertificação; em outra, uma parceria com a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do estado, a Codevasf está está apoiando a demarcação topográfica, levantamento físico, agrícola e jurídico do Parque Nacional das Nascentes do rio Parnaíba, com investimentos de 4,5 milhões.

Também em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí, a Codevasf está apoiando as obras de controle e estabilização de dunas na região do Delta do Parnaíba, um investimento de R$ 1,6 milhão. Com a Associação de Reposição Florestal do Estado do Piauí (Piauiflora), a Codevasf está apoiando a implantação de viveiros de referência para produção de mudas de espécies nativas para atender toda a Bacia do Parnaíba no estado. O investimento é de 1,5 milhão.

Além disso, em parceira com a Secretaria de Agricultura e Reforma Agrária (SARA) do estado de Pernambuco, e com o Instituto de Pesquisa Agronômica (IPA), a Codevasf está apoiando a implantação do Programa de Desenvolvimento Florestal da região do Araripe, um investimento de R$ 7 milhões.