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Codevasf firma acordo para ajudar a desenvolver aquicultura em Angola

Dez técnicos de Angola serão capacitados durante seis meses, a partir da próxima semana, no Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Betume, em Sergipe, para ajudar a incrementar a piscicultura familiar e a aquicultura em seu país. Este foi o compromisso firmado nesta terça (17) num protocolo assinado pelo presidente da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba), Elmo Vaz, e o embaixador da República de Angola no Brasil, Nelson Manuel Cosme, representando o Instituto de Desenvolvimento da Pesca Artesanal e da Aquicultura (IPA), do Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas de Angola.
publicado: 17/07/2012 13h30, última modificação: 20/06/2018 17h13

Dez técnicos de Angola serão capacitados durante seis meses, a partir da próxima semana, no Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Betume, em Sergipe, para ajudar a incrementar a piscicultura familiar e a aquicultura em seu país. Este foi o compromisso firmado nesta terça (17) num protocolo assinado pelo presidente da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba), Elmo Vaz, e o embaixador da República de Angola no Brasil, Nelson Manuel Cosme, representando o Instituto de Desenvolvimento da Pesca Artesanal e da Aquicultura (IPA), do Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas de Angola. O diretor da Área de Revitalização das Bacias Hidrográficas da Companhia, José Augusto Nunes, também assinou o documento. 

Pelo acordo de cooperação técnica, dez técnicos do país africano, durante seis meses, receberão instruções sobre técnicas de propagação artificial e criação de peixes, conservação ambiental e limnologia – estudo científico das águas dos lagos e lagoas quanto às suas condições físicas, químicas, meteorológicas e biológicas. A capacitação irá contribuir para que Angola opere dois centros em fase de construção, que, a princípio, têm o objetivo de atender à piscicultura familiar e promover o desenvolvimento da aquicultura daquele país.

“É uma grande honra poder compartilhar com Angola nossa experiência nas áreas de piscicultura e aquicultura. Espero que os técnicos angolanos possam tirar grande proveito do intercâmbio, e que esse seja apenas o início de outros acordos que possamos vir a firmar com o país”, disse Elmo Vaz, presidente da Codevasf – empresa pública vinculada ao Ministério da Integração Nacional (MI).

O embaixador da República de Angola, Nelson Manuel Cosme, também se mostrou entusiasmado com a parceria, reforçando os benefícios futuros para a população de seu país. “Esse acordo se insere dentro de um contexto maior de parcerias entre Brasil e Angola, e é de extrema importância, tendo em vista que o trabalho do Instituto de Desenvolvimento da Pesca Artesanal e da Aquicultura (IPA) trará impactos sociais para Angola, proporcionando emprego e renda para a população”, afirmou o embaixador, que ainda destacou o interesse do país africano em adquirir com a Codevasf conhecimentos nas áreas de irrigação e Arranjos Produtivos Locais (APLs).

Na solenidade, estiveram presentes o chefe de gabinete no Ministério da Integração Nacional, Wagner Maciel, que representou o ministro Fernando Bezerra, o assessor internacional do MI, Mauro Couto, os diretores da Codevasf Solon Braga (Área de Gestão dos Empreendimentos de Irrigação), e Guilherme Almeida (Área de Desenvolvimento Integrado e Infraestrutura), além dos representantes da Embaixada da República de Angola José Gongo, Paulo Mateta e Jerónimo Fernando.


Incentivo à aquicultura - Dentre as atividades desenvolvidas pela Codevasf, com significativa repercussão sobre o sistema produtivo e o meio ambiente, destaca-se o Programa de Pesca e Aquicultura. As ações tiveram início com a construção das grandes hidrelétricas no rio São Francisco, como a de Três Marias, em Minas Gerais, e de Sobradinho, na Bahia. Tais empreendimentos provocaram o surgimento de obstáculos à migração reprodutiva dos peixes e restringiram, acentuadamente, as cheias à jusante dos reservatórios, reduzindo o enchimento das lagoas marginais que funcionam como berçários para dezenas de espécies de peixes.

A Codevasf opera e mantém hoje sete Centros Integrados de Recursos Pesqueiros e Aquicultura, sendo dois em Minas Gerais (Três Marias e Gorutuba) e na Bahia (Ceraíma e Xique-Xique), e um nos estados de Pernambuco (Bebedouro), Sergipe (Betume) e Alagoas (Itiúba). Além disso, a empresa participa da implantação de um Centro de Referência em Pesca e Aquicultura localizado em Parnaíba, no Piauí.

Esses centros são resultado da estruturação das antigas estações de piscicultura da Codevasf, executados por meio dos recursos do Programa de Revitalização das Bacias Hidrográficas, dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Foram concebidos para servir de base para ações focadas no desenvolvimento de pesquisas e tecnologias de reprodução, larvicultura e alevinagem de espécies de peixes nativas, como também de pesquisa e monitoramento da qualidade da água da bacia do São Francisco, produção de alevinos para o repovoamento de seus mananciais, fiscalização, educação ambiental, capacitação e gestão integrada dos recursos pesqueiros da bacia.

Além dos Centros Integrados, a Codevasf implanta e mantém, desde 2004, unidades de capacitação de criação de peixes em tanques-rede em rios, grandes reservatórios e canais de irrigação, além de criação em viveiros escavados. O objetivo é formar mão-de-obra qualificada e incentivar o crescimento da atividade piscícola. O foco principal desta ação está no apoio a associações de criadores, com a capacitação de produtores e o fornecimento de tanques-rede, alevinos e ração para os primeiros ciclos de criação. Muitas associações já não dependem do apoio de recursos do governo federal, sendo a aquicultura a principal fonte de renda dos associados.

Outra importante ação da Codevasf para o desenvolvimento da aquicultura é o apoio ou manutenção de Unidades de Beneficiamento de Pescado (UBPs), notadamente as de Morada Nova de Minas, em Minas Gerais, e Propriá, em Sergipe. Essas unidades são importantes por agregar valor ao pescado cultivado pelas associações parceiras da Companhia e permitir que o peixe chegue a mercados mais distantes.