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Centros Integrados da Codevasf são referência em aquicultura e recursos pesqueiros

Contribuir para a revitalização da bacia do rio São Francisco. Esse é o principal objetivo dos Centros Integrados de Recursos Pesqueiros e Aquicultura operados pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). Essas unidades são resultado da estruturação das antigas estações de piscicultura implantadas pela empresa e hoje têm se tornado referência em atividades como pesquisa e reprodução de peixes para repovoamento do rio e fomento à aquicultura comercial.
publicado: 30/08/2012 10h24, última modificação: 20/06/2018 17h14

Contribuir para a revitalização da bacia do rio São Francisco. Esse é o principal objetivo dos Centros Integrados de Recursos Pesqueiros e Aquicultura operados pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). Essas unidades são resultado da estruturação das antigas estações de piscicultura implantadas pela empresa e hoje têm se tornado referência em atividades como pesquisa e reprodução de peixes para repovoamento do rio e fomento à aquicultura comercial.

Ao todo, são sete centros integrados: dois em Minas Gerais (Três Marias e Gorutuba), dois na Bahia (Ceraíma e Xique-Xique) e um nos estados de Pernambuco (Bebedouro), Sergipe (Betume) e Alagoas (Itiúba). As unidades contam com uma infraestrutura básica composta de laboratórios de limnologia (estudo das águas), ictiologia (estudo dos peixes) e reprodução artificial de peixes; escritório; depósitos; viveiros para produção de alevinos; viveiros para reprodutores e matrizes. A Codevasf também está implantando um Centro de Referência em Aquicultura e Recursos Pesqueiros no município de Parnaíba (PI), em parceria com o Governo do Estado do Piauí.

As estações de piscicultura da Companhia foram criadas com o objetivo de mitigar os impactos ambientais gerados a partir da instalação de grandes hidrelétricas no rio São Francisco, como a de Três Marias, em Minas Gerais, e a de Sobradinho, na Bahia. O trabalho consistia, basicamente, em produzir milhões de alevinos para utilização em peixamentos de rios, lagoas, açudes, aguadas e grandes reservatórios, visto que as hidrelétricas criaram obstáculos para o enchimento das lagoas marginais, verdadeiros berçários para dezenas de espécies de peixes.

A partir de 2007, com a inclusão no Programa de Revitalização da Bacia do Rio São Francisco, essas estações de piscicultura foram transformadas em centros integrados, ampliando o âmbito de suas ações para o desenvolvimento de pesquisas e tecnologias de reprodução, larvicultura e alevinagem de espécies de peixes nativas, produção de alevinos para o repovoamento de mananciais, além de fiscalização, educação ambiental, capacitação, monitoramento da qualidade da água e gestão integrada dos recursos pesqueiros da bacia do rio São Francisco.

Para incrementar a estrutura de seus centros, a Codevasf investiu, de 2007 a 2011, mais de R$ 24 milhões em obras e equipamentos, com recursos do PAC. Para manutenção e operação, em 2012, serão disponibilizados recursos da ordem de R$ 3 milhões, previstos no Plano Plurianual 2012-2015 e estabelecidos pela Lei Orçamentária Anual.

Ações de repovoamento

A produção de alevinos de espécies nativas é uma das atividades de destaque dos centros integrados; no ano passado, foram 15 milhões. “A capacidade total de produção dos centros pode chegar a 23 milhões de alevinos, e esse número ainda poderá aumentar depois de concluídas todas as reformas”, explica Leonardo Sampaio, chefe da Unidade de Recursos Pesqueiros e Aquicultura, ligada à Gerência de Desenvolvimento Territorial da Codevasf.

Os alevinos produzidos pela Companhia são destinados, entre outras funções, ao repovoamento das espécies nativas de peixes da bacia do São Francisco. Por meio dessa atividade denominada peixamento, a empresa visa mitigar os efeitos das ações do homem prejudiciais ao meio ambiente, como barramentos, sobrepesca, poluição e assoreamento, favorecendo a sobrevivência e permanência das espécies originárias do “Velho Chico”.

Outra consequência positiva dos peixamentos é o aumento e a manutenção dos estoques pesqueiros, garantindo o futuro da atividade pesqueira tanto de subsistência quanto comercial, o que gera renda para a população local. De acordo com relatos de pescadores, peixes como o matrinxã e o pirá, que não eram mais encontrados no rio, reapareceram em suas redes e linhas de pesca após as ações de repovoamento realizadas pela Codevasf.

Excelência em pesquisa

Para viabilizar o trabalho de revitalização, a Codevasf investe em pesquisas nos Centros Integrados de Recursos Pesqueiros e Aquicultura. Foi nessas unidades onde se obteve, pela primeira vez no país, a reprodução artificial de 35 espécies nativas da bacia hidrográfica do São Francisco, como surubim, matrinxã e pirá.

A unidade de Três Marias (MG), por exemplo, desenvolve essa atividade desde o final da década de 70 e, desde então, é referência internacional em estudos com peixes naturais do “Velho Chico”. Já são mais de 1.200 publicações científicas. Só em 2011, o centro contribuiu para publicação de 51 pesquisas nas áreas de biologia pesqueira, limnologia, reprodução, larvicultura e alevinagem de espécies nativas.

Em virtude de sua atuação e experiência nesse segmento, a Codevasf é bastante procurada por estudantes e pesquisadores. “A parceria com universidades é muito representativa, e frequentemente pesquisadores utilizam as instalações de nossos centros integrados para realização de pesquisas e aulas práticas visando à formação da nova geração de profissionais das áreas de aquicultura e pesca, biologia, química, entre outras”, afirma Leonardo Sampaio.

A professora Denise Maria Pinheiro, do Instituto de Química e Biotecnologia da Universidade Federal de Alagoas (IQB/Ufal), é uma das pesquisadoras que desenvolvem trabalhos científicos no Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Itiúba/AL. Uma das pesquisas consiste na análise da qualidade do pescado do rio São Francisco, o que possibilita aos estudantes uma experiência de campo. “A Codevasf faz coleta no rio todo mês. Os alunos acompanham e levam o material para analisar no laboratório. O interessante é que eles podem ver seus trabalhos aplicados na prática”, destaca.

Para a professora Edma Carvalho de Miranda, que também integra o quadro de pesquisadores do IQG/Ufal, ao realizar atividades em campo, os estudantes saem com mais “bagagem” para o mercado de trabalho. “Todos os meus alunos que já se formaram estão empregados. Muitos deles gostaram tanto da atividade de pesquisa que seguiram carreira acadêmica. Para um professor, isso é extremamente gratificante, e a parceria com a Codevasf tem sido imprescindível”, afirma.

Pelo trabalho que desenvolve, a empresa também tem despertado o interesse de instituições internacionais, como é o caso do Instituto de Desenvolvimento da Pesca Artesanal e da Aquicultura (IPA), do Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas de Angola. Por meio de um acordo de cooperação técnica firmado neste ano, dez técnicos do país africano estão sendo capacitados pela equipe da Codevasf no Centro Integrado de Betume, em Sergipe.

Na área de pesquisa, a atuação dos centros não se resume apenas a reprodução artificial de espécies nativas. Outra frente de trabalho diz respeito ao monitoramento da qualidade da água dos rios. Desde 2007, foram adquiridos equipamentos de última geração para essa atividade. O Centro Integrado de Três Marias/MG, por exemplo, já realiza análises quanto à presença de pesticidas e metais pesados como o mercúrio no sedimento dos rios e na carne dos peixes da região. Esses levantamentos são realizados ao longo de toda a bacia e, a longo prazo, geram uma série histórica capaz de mostrar como está a qualidade do ambiente e que medidas necessitam ser tomadas pelos órgãos públicos e pela sociedade para que ocorram melhorias.

Apoio aos produtores

Outro objetivo dos Centros Integrados de Recursos Pesqueiros e Aquicultura é atuar como base de apoio, fomento e desenvolvimento da aquicultura nos estados de atuação da Codevasf. Para isso, fornecem ração e alevinos para unidades demonstrativas de pescado, capacitam e prestam apoio e assistência técnica a pequenos produtores, incentivando o associativismo e cooperativismo.

Atualmente, a empresa apoia cerca de 50 unidades de piscicultura em tanques-rede, canais de irrigação e viveiros escavados. O pescado produzido pelas unidades apoiadas tem diferentes destinações: pode ser vendido diretamente ao consumidor final ou para unidades de beneficiamento onde a matéria-prima terá seu valor agregado. Além disso, pode ser utilizado na merenda de escolas municipais, por ser um alimento de alto valor proteico e com boa aceitação pelas crianças.

“Em alguns casos, a produção de peixes em tanques-rede atrai empresas maiores, o que gera desenvolvimento àquela região. A inserção de pescadores na atividade de criação de peixes, além de gerar renda, também diminui a pressão sobre os estoques pesqueiros”, explica a gerente de Desenvolvimento Territorial da Codevasf, Kênia Marcelino.

Genilson Maurício dos Anjos, da Associação dos Piscicultores do Baixo São Francisco, em Alagoas, é um dos produtores apoiados pela Codevasf. A entidade, que reúne18 associados dos municípios de Igreja Nova, Penedo e Piaçabuçu, trabalha com cultivo de tilápias.

Segundo o piscicultor alagoano, a Companhia auxiliou a associação ao fornecer tanques-rede, ração e alevinos. Hoje, o peixe é vendido in natura nas feira de Penedo e Arapiraca. Ao todo, a associação chega a fornecer, a esses locais, até uma tonelada do produto por semana. “Têm pessoas aqui na associação que sobrevivem apenas dessa atividade. Cada associado tira em média R$ 400 mensais e, dependendo do mês, esse valor pode chegar a R$ 800”, afirma Genilson.