Você está aqui: Página Inicial > Notícias > 2007 > Água já é realidade nas cisternas de famílias do semiárido alagoano
conteúdo

Notícias

Água já é realidade nas cisternas de famílias do semiárido alagoano

“Fui premiada com essa benção. Sem a cisterna, não tinha onde colocar água e só restava a água da barragem, que é salgada e suja, mas que só tinha ela para nós. Caíram umas chuvas, e já tenho água acumulada na minha cisterna. Agora eu tenho água para fazer a comida e cuidar dos meninos”. Moradora do povoado de Riachão, município de Craíbas, em Alagoas, dona Vani Vitorino, 38 anos, casada, três filhos, comemora junto com o marido, José Chaves, que completa: “Agora nós podemos dizer que somos ricos. Com ela toda cheia de água, vamos viver o verão sossegados”.
publicado: 19/09/2012 12h02, última modificação: 20/06/2018 17h14

“Fui premiada com essa benção. Sem a cisterna, não tinha onde colocar água e só restava a água da barragem, que é salgada e suja, mas que só tinha ela para nós. Caíram umas chuvas, e já tenho água acumulada na minha cisterna. Agora eu tenho água para fazer a comida e cuidar dos meninos”. Moradora do povoado de Riachão, município de Craíbas, em Alagoas, dona Vani Vitorino, 38 anos, casada, três filhos, comemora junto com o marido, José Chaves, que completa: “Agora nós podemos dizer que somos ricos. Com ela toda cheia de água, vamos viver o verão sossegados”.

Dona Vani e seu José estão entre as 3.743 famílias que já receberam as cisternas de consumo do programa Água para Todos no estado de Alagoas, onde a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) está dando celeridade às ações do programa Água para Todos, que é coordenado pelo Ministério da Integração Nacional (MI) e integra o Plano Brasil sem Miséria, do governo federal. São moradores da zona rural dos municípios de Craíbas, Arapiraca e Estrela de Alagoas. O equipamento tem capacidade para acumular 16 mil litros de água e garante mais tranqüilidade nos períodos de estiagem aos moradores do semiárido brasileiro.

Maria de Fátima Silva Alves, 66 anos, é vizinha de dona Vani e, por conta das chuvas que caíram em agosto, também já tem feito uso da cisterna. Perto da hora do almoço, retira água acumulada da chuva e completada pela caminhão da Defesa Civil para fazer um suco de maracujá. “Quanta diferença, eu sinto agora com minha cisterna. Uma beleza dessa, não vamos mais precisar andar com balde na cabeça. Era um sofrimento só. Às vezes, tinha que pedir um balde a vizinha. Minha vida mudou cem por cento com essa cisterna. Com uma desse tamanhão, cheia, dá para passar tranquilamente o verão com água”, comemora dona Fátima.

Nascida e criada no povoado Riachão, como faz questão de declarar, dona Fátima Alves passou mais de 50 anos longe da comunidade. Há dois anos voltou a residir no povoado com o marido e dois netos, que ficaram sob a responsabilidade dos avós após a morte da filha, mãe das crianças. Na volta à terra natal, encontrou o mesmo sofrimento com a escassez de água. “Naquele tempo dos meus pais, a gente bebia água salobra de um riacho aqui perto. A água salobra era para tudo na vida. Para beber, cozinhar, lavar roupa. A gente cavava a cacimba e vinha com os baldes”, lembra a agricultora.

Dona Fátima conta que, ao voltar à comunidade Riachão há dois anos, encontrou a mesma situação. “Não tinha mudado muito. O mesmo sofrimento e agonia para ter água em casa. Tinha vezes que os viajantes passavam aqui pedindo água para beber e a gente dava a que tinha. Eles não gostavam e reclamavam. Mas fazer o que, minha gente? É a água que tinha. A gente não ia ficar com sede”, explica.

A melhoria nos índices de saúde da comunidade é outro reflexo da chegada das cisternas. A agente comunitária de saúde Valdirene Farias, que atende aos moradores do povoado Riachão, já percebeu uma redução drástica no número de pessoas com doenças desde o início da implantação das cisternas em maio deste ano. “Muita gente bebia água contaminada vinda da barragem. Outras vezes, recebiam do caminhão da defesa civil, mas era colocada no tambor sem cuidado, e contaminava do mesmo jeito. Com as cisternas colocadas pela Codevasf, a água fica protegida, melhor conservada. Ela é de qualidade, bem fechada, o que evita que caia insetos e sujeiras dentro da água. Quando passei nas casas, recentemente, vi que não teve mais casos como diarreia. Antes tinha muitos casos”, apontou.


Validação tem ritmo acelerado


A intensificação nas instalações das cisternas para consumo humano do Água para Todos, executado pela Codevasf em Alagoas, integra as ações do Comitê Integrado de Combate à Seca, do qual a companhia faz parte. Após a implantação dos reservatórios, aquelas localidades onde a chuva não foi suficiente para encher as cisternas de 16 mil litros totalmente são abastecidas por caminhões da Defesa Civil Estadual financiados com recursos do Ministério da Integração Nacional e carregados com água tratada da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal), que passam nas casas e abastecem os equipamentos, como forma de suprir as famílias com água para atividades de sobrevivência durante o período de estiagem prolongada.

Uma das frentes que mais tem avançado diz respeito à validação de beneficiários de acordo com os critérios estabelecidos pelo programa. Segundo o último balanço apresentado pela coordenação nacional do Água para Todos na Codevasf, já são 7.092 famílias alagoanas consideradas aptas a receber os reservatórios, 95% da meta inicial, com previsão de, até meados de setembro, ser concluída a validação do total dos beneficiários em Alagoas.

Para isso, elas comprovaram residir em áreas rurais, prioritariamente do semiárido, e estar em situação de pobreza e extrema pobreza associada à carência de acesso à água com renda per capita de até R$ 140,00, inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). O benefício também se estende aos aposentados que, mesmo possuindo renda per capita familiar acima de R$ 140,00, vivam exclusivamente de sua renda previdenciária.


Busca ativa amplia metas


Zelma Cândido de Oliveira, 43 anos, é moradora do povoado Ipojuco, no município de Craíbas, e já foi contemplada com a cisterna do Água para Todos. Ela afirma que, com o reservatório, sua família terá mais tranquilidade nos períodos de seca. “Antes da cisterna chegar na minha casa, a vida era muito difícil. Aqui na região, falta muita água, e a gente tinha que ir buscar no açude, que fica distante e tem uma água barrenta. Com essa cisterna, a gente vai poder guardar água limpa que vai ajudar na hora de cozinhar, uma água boa para beber. É uma bênção de Deus”, conta.

O número de pessoas atendidas com cisternas no semiárido alagoano ainda pode aumentar, como resultado do processo de busca ativa de potenciais beneficiários, que identificou centenas de famílias em situação de vulnerabilidade social, mas que não estavam inscritas no CadÚnico. O coordenador regional do programa na Codevasf, Eduardo Motta, aponta ainda como causa da ampliação das metas o fato de muitas comunidades rurais constarem oficialmente como atendidas por abastecimento de água, porém sem receber regularmente o líquido nas tubulações.

Somente em Estrela de Alagoas, serão instaladas mais 900 cisternas para consumo humano. Inicialmente, a meta para o município era de 1.137 equipamentos, e passará para mais de 2,1 mil cisternas como resultado da busca ativa de beneficiários e da inclusão de comunidades com abastecimento irregular de água. O município de Craíbas também terá sua meta de instalação de cisternas ampliada em mais 600 unidades.


Etapas e participação social


Antes da instalação da cisterna, o programa Água para Todos estabelece algumas etapas para garantir a participação social no processo. Inicialmente, é feita uma apresentação dos objetivos do programa no município pela equipe da Codevasf. Nesse momento, é feita uma eleição para escolha do Comitê Gestor Municipal, formado por representantes da sociedade civil organizada, sindicatos de representação rural, associações rurais, igrejas, pastorais e poder público municipal. O Comitê, que passa por uma capacitação a respeito do programa, tem o papel de indicar as comunidades e a relação de beneficiários segundo critérios definidos.

Na sequência, são feitas reuniões para apresentação do programa às famílias nas comunidades. Nessa fase, é escolhida uma Comissão Comunitária composta por três pessoas, que têm a responsabilidade de auxiliar na mobilização, na realização de capacitações e reuniões, no acompanhamento das ações por parte do beneficiário e da empresa instaladora e nas visitas de monitoramento das ações do programa na comunidade.

De posse da lista de cidadãos cadastrados pelo Comitê Gestor, a equipe de apoio técnico e mobilização social da Codevasf realiza a validação “in loco” dos beneficiários. Depois, por meio da Comissão Comunitária, são agendados os cursos de Gestão da Água para as famílias beneficiadas, com o objetivo de orientá-las sobre o uso racional da água e as medidas para manutenção da cisterna. Na visita ao beneficiário, a equipe também lhe indica o local a ser escavado para possibilitar a instalação do reservatório.

O alagoano José Carlos Alves da Silva é coordenador do Comitê Gestor de Craíbas, trabalho que lhe permite acompanhar de perto a realidade da zona rural de seu município. Ele destaca, então, a importância do Água para Todos para os moradores dessas localidades. “Nossa região é muito carente de água. Por isso, foi importantíssima a chegada das cisternas. Os beneficiários são muito agradecidos por essa iniciativa”, relata.


Sobre o programa


O Água para Todos é coordenado pelo Ministério da Integração Nacional e integra o Plano Brasil Sem Miséria, lançado pela presidenta Dilma Rousseff em Arapiraca (AL) em julho de 2011 para erradicar a pobreza extrema. Em sua área de atuação, a Codevasf já instalou 21.560 cisternas em 36 municípios, em áreas rurais prioritariamente situadas no semiárido nordestino brasileiro.

Com a aceleração, no último mês de julho, do ritmo de validação das famílias, a ampliação das equipes de campo e o aumento de frentes de trabalho das empresas instaladoras das cisternas, a Codevasf assegura o cumprimento da meta de beneficiar 60 mil famílias até dezembro deste ano, para que estas possam ter mais tranquilidade durante a seca. Com isso, a empresa estará dando a partida, ainda este ano, para validar mais 120 mil famílias, traduzindo investimentos totais de R$ 900 milhões, conforme orientação da Secretaria de Desenvolvimento Regional (SDR) do Ministério da Integração Nacional.