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Diário do Nordeste: Presidentes da ANA e CHESF defendem transposição

O principal argumento dos parlamentares contrários ao projeto de transposição de águas do Rio São Francisco para o Semi-Árido nordestino foi desmontado ontem pelos presidentes da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), Dilton da Conti, e da Agência Nacional de Águas (ANA), Jerson Kelman.
publicado: 21/10/2004 06h20, última modificação: 26/09/2006 15h59

"Dizer que vai faltar água no rio por causa da transposição não é verdadeiro”, garantiu Conti, presidente da Chesf.

 

O principal argumento dos parlamentares contrários ao projeto de transposição de águas do Rio São Francisco para o Semi-Árido nordestino foi desmontado ontem pelos presidentes da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), Dilton da Conti, e da Agência Nacional de Águas (ANA), Jerson Kelman.

Em audiência pública na comissão especial que discute a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que prevê a criação de um fundo para a revitalização do ‘Velho Chico’, os dirigentes garantiram que há água suficiente no rio para o projeto. “Dizer que vai faltar água no rio por causa da transposição não é verdadeiro”, garantiu Conti. “Há disponibilidade hídrica para o projeto.

O rio não está secando”, complementou Kelman. O presidente da Chesf negou ainda que com o projeto a capacidade de produção de energia da companhia diminuiria em 20%. “Isso não é verdade. Numa situação mais desfavorável, a redução seria de 1,5% da nossa geração”, disse.

Ele explicou que, mesmo neste caso extremo, não haveria nenhum prejuízo para a Região Nordeste, já que a Chesf não utiliza hoje toda a sua capacidade instalada para geração de energia elétrica. A garantia de que a transposição não provocará prejuízos aos estados banhados pelo Rio São Francisco advém de estudos elaborados pela ANA, indicando que hoje o rio oferece 1.825 metros cúbicos de água por segundo, enquanto que a demanda na Bacia é de é de 262 metros cúbicos por segundo e a demanda ambiental de 1.300 metros cúbicos por segundo.

O saldo, portanto, é de 263 metros cúbicos por segundo e a demanda do projeto de transposição é de 65 metros cúbicos por segundo. “Tecnicamente o projeto é viável. Hoje, pela quantidade de água que há no rio, daria para atender à irrigação três vezes mais”, afirmou Kelman.

Os dois dirigentes destacam, no entanto, que de nada adiantará a transposição se o governo não investir em projetos que levem água dos açudes para as cidades. “Minha posição pessoal é a de que é preciso que o governo continue os investimentos em cisternas, para atender às pequenas comunidades; do contrário, não vai chegar a elas uma gota sequer do rio. Nas cidades médias, como é o caso de Campina Grande, a água só vai chegar por meio de tubulações. Sem isso, essa população não será atendida”, disse Kelman. Segundo ele, transpor água do São Francisco para os açudes sem estes componentes é “inútil”.

Defensor da mesma tese, o presidente da Chesf alertou que o projeto de transposição não pode ser de um governo, mas sim um projeto de estado, para que não se corra o risco de jogar dinheiro fora. Com a Câmara esvaziada – apenas três deputados participaram da comissão – não houve questionamentos com relação às considerações dos presidentes da Chesf e da ANA.