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Do site Pequenas Empresas Grandes Negócios: a Califórina é aqui

As vendas de frutas e flores no exterior crescem em progressão geométrica e multiplicam as oportunidades de agronegócio no país .
publicado: 13/10/2004 10h55, última modificação: 05/10/2006 11h30

As vendas de frutas e flores no exterior crescem em progressão geométrica e multiplicam as oportunidades de agronegócio no país . Quando se fala em exportações do agronegócio brasileiro, logo se pensa em soja, suco de laranja, açúcar e carnes, produtos em que o Brasil é o maior fornecedor mundial. Mas há um filão promissor, que nada tem a ver com os itens tradicionais da pauta de exportações do país. É o de frutas e flores. Se não movimenta bilhões de dólares como os carros-chefes da produção nacional, tem apresentado um desempenho extraordinário nos últimos anos e atraído milhares de empreendedores interessados em aproveitar a oportunidade.

De acordo com estimativas oficiais, as exportações de frutas devem fechar o ano com um saldo de 420 milhões de dólares e as de flores, de 25 milhões de dólares. O aumento nas vendas de frutas foi de 500% em relação às de dez anos atrás - só em 2004, o crescimento deve ser de 25% em relação ao ano passado.

No caso das flores, o que se pode dizer é que o resultado previsto para este ano representa um aumento de cerca de 300%, em unidades exportadas, em comparação a 2003, ano em que o país começou a vender flores para valer no exterior.

A Cooperativa Veiling Holambra, de São Paulo, a maior produtora de flores do país, responsável por 80% das exportações na área, deve vender 14 milhões de unidades de flores com hastes lá fora em 2004, contra os 3,5 milhões vendidos em 2003. "O Brasil tem muito espaço para ocupar no mercado internacional de frutas frescas e de flores", diz Dorothea Werneck, ex-presidente da Agência de Promoção de Exportações do Brasil (Apex) e ex-ministra da Indústria, Comércio e Turismo do governo de José Sarney, hoje responsável pelo gerenciamento de um programa de financiamento para pequenos e médios exportadores do Banco Santander. "As coisas estão indo tão bem este ano que faltaram contêineres para as exportações brasileiras", diz Maurício de Sá Ferraz, gerente de serviço de exportação do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf).

De acordo com os especialistas do setor, além da quantidade e da qualidade das produções nacionais, que são crescentes, as vendas de frutas e flores aumentam no exterior por conta de campanhas de marketing inéditas realizadas em conjunto pela Apex e pelos empresários.

No dia 22 de setembro, por exemplo, a loja do Carrefour em Varsóvia, na Polônia, uma das maiores do grupo francês, deu início a uma promoção de produtos brasileiros para seus consumidores. O Carrefour ofereceu à clientela a possibilidade de degustação de frutas frescas da produção nacional, como manga, uva, melão, limão-taiti, banana, tangerina, melancia e caju.

A iniciativa faz parte do projeto Brazilian Fruit Festival, criado a partir da união de forças do grupo Carrefour, do Ibraf e da Apex. E, depois de Varsóvia, o projeto itinerante deverá seguir para Portugal e Espanha e, ao longo de 2005, percorrerá 15 países da Europa, do Oriente Médio e da Ásia.

A sessão de degustação realizada em Varsóvia é apenas um dos braços de um programa mais abrangente de marketing, conduzido pelo Ibraf e pela Apex. O programa prevê maior participação brasileira em feiras internacionais do comércio de frutas e road shows de produtos pela Europa, maior comprador de frutas brasileiras, e pelos Estados Unidos. "É incrível, mas a nossa produção de manga era desconhecida nos países europeus até pouco tempo atrás, embora já tivéssemos condições de exportar grandes quantidades da fruta", afirma Ferraz, do Ibraf.

 Além das campanhas de marketing, pode-se atribuir o crescimento das exportações de frutas à adequação dos produtores às normas do EurepGap (protocolo firmado entre atacadistas e redes de supermercados europeus que estabelece regras de produção que levem em conta ausência de resíduos químicos nas frutas, respeito ao meio ambiente e condições dignas de higiente e trabalho).