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Do Diário do Nordeste: impactos ambientais e sociais são questionados

A transposição das águas do Rio São Francisco foi o assunto mais debatido durante o II Encontro Microrregional do Fórum Araripense de Prevenção e Combate à Desertificação, realizado no final de semana, no Salão Paroquial do município.
publicado: 13/10/2004 06h00, última modificação: 13/10/2006 09h44

A transposição das águas do Rio São Francisco foi o assunto mais debatido durante o II Encontro Microrregional do Fórum Araripense de Prevenção e Combate à Desertificação, realizado no final de semana, no Salão Paroquial do município.

Os impactos ambientais e sociais do projeto foram questionados durante os debates. A plenária optou por não realizar a discussão em grupos e sugeriu a retirada de propostas para os temas acesso a água, reforma agrária e combate à desertificação, conforme previa a programação. O documento final será elaborado pelos delegados de cada município, para ser apresentado no Encontro Estadual, a ser realizado no próximo dia 21, em, Limoeiro do Norte.

A coordenação do encontro lamentou a ausência de técnicos do governo que foram convidados e não apareceram. A questão da transposição, que vem sendo questionada pelos integrantes do Fórum, foi levantada pelo técnico do Dnocs, Marcos Rangel.

Ele começou relatando o histórico de ocupação do Nordeste e as secas. Falou sobre as soluções apresentadas ao longo do tempo, inicialmente com a utilização desordenada dos recursos fluviais e seu posterior esgotamento. O segundo assunto foi a irrigação que, segundo Marcos Rangel, beneficiava apenas os grandes proprietários.

Por último, o representante do Dnocs falou sobre a açudagem e a sua conseqüente saturação, tendo que buscar a alternativas de poços, opção que foi prejudica pela formação do solo com rochas cristalinas. Ele destacou o Programa Um Milhão de Cisternas Rurais (P1MC), que objetiva captar água de chuvas por meio de cisternas construídas nas casas dos sertanejos.

Porém lamentou que o benefício não consegue atender a toda população. Rangel lembrou ainda o grande processo de imigração dos nordestinos para as outras regiões do país, defendendo a transposição do São Francisco como uma alternativa para a melhoria de vida das pessoas das áreas mais secas do Nordeste. Ressaltou que a transposição irá absorver um maior volume de água nos períodos de cheias do rio e um menor, durante o período mais seco, estabilizando a produção e a geração de emprego e renda durante o ano inteiro no semi-árido nordestino.

 Detalhou algumas questões do projeto de transposição, como os eixos de integração hídrica do Nordeste, nos estados da Bahia, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe, Paraíba e Piauí, atingindo um total de 397 municípios e, aproximadamente, 14 milhões de habitantes. Em seguida, foi aberto o debate com as perguntas da platéia, onde foi observada uma maior preocupação com os impactos sociais e ambientais da transposição.

 Questões como quem pagará os custos do projeto? Quem será realmente beneficiado com a transposição, os “grandes” ou os “pequenos”? Como serão beneficiados os municípios da região do Cariri? A transposição não beneficiará a uns e prejudicará a outros? Como a transposição influenciará no combate a desertificação? Estas e outras questões foram amplamente debatidas durante o encontro .

 O II Encontro Microrregional do Fórum Araripense de Prevenção e Combate à Desertificação, coordenado pela Associação Cristã de Base (ACB) e Cáritas Diocesana, contou com a presença de 150 participantes de entidades governamentais e não governamentais da Região do Cariri, como a Ematerce, Companhia de Gerenciamento dos Recursos Hídricos, Banco do Brasil, Dnocs, Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Ceará, Sebrae, Associação Cristã de Base, Cáritas Diocesana, Fundação Araripe, Oikos Cariri, Grunec, Campo Mais Alegre, Casa Lilás, Arca, Fundação Lima Botelho, acadêmicos de geografia e biologia da Universidade Regional do Cariri (URCA) e demais representantes dos municípios da região.