Você está aqui: Página Inicial > Notícias > 2004 > SEMI-ÁRIDO NORDESTINO PRODUZIRÁ AZEITONA
conteúdo

Notícias

SEMI-ÁRIDO NORDESTINO PRODUZIRÁ AZEITONA

publicado: 23/08/2004 10h45, última modificação: 17/08/2006 16h02

A “árvore da eternidade” vai chegar ao semi-árido nordestino. A oliveira será implantada em áreas irrigadas nas cidades de Petrolina(PE), Juazeiro e Bom Jesus da Lapa(BA). Mil mudas da planta, doadas pelo Vulcany Institute, de Israel, já se encontram na Embrapa, em Brasília, cumprindo a quarentena exigida pelas leis brasileiras.

Segundo o diretor da Área da Engenharia da Codevasf, Clementino Coelho, outras culturas integradas, que se caracterizam pelo alto valor agregado de mercado e que oferecem novas oportunidades para os produtores poderão ser cultivadas nos Vales. Para isso, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba e a Embrapa assinarão um convênio para a realização de projetos de pesquisa para a introdução e avaliação de caqui, ameixa,kiwi,pitaya,mangostão,rambotã,abacate,pêssego, tangerina e a oliva.

As pesquisas começaram em maio e estarão concluídas dentro de três anos. Nesse período, serão avaliadas 19 variedades de oliveira. Após a conclusão, pelo menos três espécies serão cultivadas em áreas de projetos de irrigação da Codevasf. É o que prevê o especialista israelense Yuval Chen.

A comercialização e a industrialização da oliva – para a produção de azeite – será a etapa seguinte na cadeia produtiva. Consultor do Projeto Internacional de azeitona, Yuval acompanhará o início do plantio das mudas, previsto para setembro. A iniciativa do cultivo de oliveira em áreas irrigadas é pioneira no país. O Brasil importa 100% da azeitona e do azeite consumido no país O cultivo da oliveira foi introduzido na Ásia Menor, território hoje ocupado pela Turquia, sendo, depois, levado pelos fenícios para as ilhas gregas.

Mas foram os gregos os responsáveis pela sua cultura na bacia mediterrânea. Nos séculos XV e XVI, o cultivo das oliveiras chegou a Portugal e, posteriormente, à Espanha e Itália.Experiências de sucesso já foram feitas na Argentina e no Peru, onde foram testadas diferentes variedades da planta, adaptadas às condições climáticas de cada um desses países.

 Apesar da expansão, estima-se a necessidade do aumento de 10 mil hectares/ano de oliva para atender à demanda. As áreas plantadas estão se esgotando e a perspectiva de introdução da oliveira no Vale do São Francisco é bastante positiva. A oliveira é uma árvore de tamanho médio – que pode atingir até 10m de altura. As folhas permanecem três anos na árvore. As flores são pequenas e brancas.

 Elas aparecem um ano após a plantação. O fruto é a azeitona, que pode ser verde, preta ou em tons acastanhados. O principal produto da oliva é o azeite. Para a produção de um litro de azeite, são necessários entre 4 e 5 quilos de azeitona. O valor comercial do produto é tão antigo quanto a própria árvore, um símbolo da imortalidade.

Segundo especialistas, as oito oliveiras que restam na base do Monte das Oliveiras,em Jerusalém têm, pelo menos, dois mil anos. É que a árvore tem capacidade de se auto-regenerar, transformando, todos os anos, os novos botões que nascem, em folhas de madeira nova, que fica agregada à arvore antiga.