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PRODUTORES VÊM PARA O NE EM BUSCA DE TERRAS

publicado: 08/07/2004 19h05, última modificação: 17/08/2006 16h06

Impossibilitados de expandir a produção, empresários do setor estão buscando - e encontrando - no Nordeste, mais notadamente na Região do Vale do Rio São Francisco, as condições ideais para produção de vinhos.

Sem novas áreas agrícolas disponíveis para a viticultura, plantadores de uva e produtores de vinhos do Vale dos Vinhedos, na Serra Gaúcha, estão subindo o País em busca de novos "terroir" (terras) para cultivo e experimento de castas de parreirais. Impossibilitados de expandir a produção, empresários do setor estão buscando - e encontrando - no Nordeste, mais notadamente na Região do Vale do Rio São Francisco, solo, clima, água e as condições ideais para produção de vinhos de boa qualidade.

"As poucas áreas disponíveis estão sendo oferecidas por R$ 300 mil, o hectare, valor que inviabiliza qualquer empreendimento no setor", argumenta o sócio-diretor da Vinícola Miolo e enólogo, Adriano Miolo. Segundo ele, a região do Vale dos Vinhedos, localizada na encosta superior nordeste do Rio Grande do Sul, reúne cinco mil hectares de terras próprias para a viticultura, mas que já estão totalmente ocupados.

"O futuro na viticultura passa pelo Nordeste brasileiro", defende Adriano Miolo. A expansão do cultivo da uva no Vale do São Francisco - numa proporção de 50 novos hectares todos os anos - bem como em outras regiões do Sul do País, até 2012, e o conseqüente incremento na produção de vinhos, são parte da estratégia de crescimento da empresa, de olho no mercado externo.

Em 2003, a Miolo produziu 1,2 milhão de litros de vinhos, a partir de uvas colhidas nos 700 hectares da Fazenda Ouro Verde, no município de Casa Nova, na Bahia. Esse volume representou quase um terço de sua produção total, de 4,3 milhões de litros de vinho e 25% de todo o vinho produzido no Nordeste, no ano passado.

Atualmente, o Vale do São Francisco conta com seis vinícolas implantadas, com produção de apenas cinco milhões de litros de vinhos finos e mais oito milhões de litros de vinhos de mesa e destilados de uva para produção de sucos, refrigerantes, vinagre e doces, entre outros.

Para o enólogo, a região apresenta grande potencial vitinicultor. Apesar de solos e clima diferenciados do Sul, onde a videira se desenvolve por regime de chuvas, no Nordeste tem-se a vantagem de se poder produzir até duas safras por ano, sendo uma abril e outra entre setembro e outubro.

*Do Jornal Diário do Nordeste/Fortaleza-CE 28.06.2004