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Dióxido de Cloro, uma solução sustentável para a agricultura irrigada

por Valeria Rosa Lopes publicado 20/07/2020 11h41, última modificação 20/07/2020 11h51

O dióxido de cloro é um produto químico (ClO2) que tem sido utilizado desde a década de 1940, nos EUA, na desinfecção de água potável. Sua aprovação para o tratamento de água se deu quando se descobriu que o cloro e outros produtos similares formavam THM (trihalometanos) e produtos secundários, que começavam a ser reconhecidos pelos riscos à saúde humana. Desde então o dióxido de cloro vem sendo utilizado no pré-tratamento e na desinfecção final do tratamento de águas em inúmeras estações em diversos países.

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Figura 1: Sanitização de manga com hidróxido de cloro.
Fonte: www.tyba.com.br, 2020.
Devido suas propriedades desinfetantes, visto a sua eficácia como bactericida, viricida, fungicida e esporicida em objetos e superfícies, tem sido usado em diversas aplicações inclusive em gêneros alimentícios.
O Dióxido de Cloro estabilizado, nas concentrações recomendadas, não reage quando em contato direto com os tecidos biológicos, não resultando em irritação na pele, olhos ou no sistema respiratório. Estudos também mostram que não tem efeito carcinogênicos em humanos e por isso é classificado no grupo D, pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA).
Composto estável com características biocidas, mesmo a baixas concentrações, a partir de 0,1 mg/L, atua na remoção de microrganismos em água para o consumo humano e em agroindústrias. Para o uso no tratamento pós-colheita de frutas e hortaliças, em banhos de imersão ou pulverização, a dosagem mais utilizada é de 1 ml/L.
Considerado um dos desinfetantes mais seletivos, visto que não é “consumido” pela matéria orgânica. Isto permite menores dosagens do princípio ativo para obter uma maior eficiência no processo de desinfecção.
Seu uso é largamente difundido nas seguintes aplicações:
•    Tratamento de efluentes.
•    Indústrias de Alimentos e Bebidas.
•    Desinfecção de água bruta.
•    Limpeza de garrafas e pasteurizadores.
•    Tratamento de vapor condensado na indústria de laticínios.
•    Tratamento de água de processo em agroindústrias e frigoríficos.
•    Lavagem e desinfecção de frutas, vegetais, frutos do mar, peixes e aves.
•    Produtos odontológicos: enxaguantes e sprays bucais.
•    Branqueamento de papel.
•    Desinfecção de ambientes e equipamentos hospitalar.
•    Limpeza e remoção de biofilmes em tubulações.
Dentre as inúmeras vantagens do dióxido de cloro frente a outros desinfetantes, podem ser elencadas as abaixo descritas:
•    Atua em uma ampla faixa de pH, entre 4 e 10;
•    Destrói mais eficazmente esporos, bactérias, vírus e outros patógenos, quando comparado com o cloro;
•   O tempo de contato necessário para o dióxido de cloro atuar é menor quando comparado a outros produtos desinfetantes;
•    Mesmo altas concentrações de dióxido de cloro não provoca corrosão;
•    Possui menor toxicidade;
•    Não possui odor irritante nas dosagens recomendadas;
•    Não requer enxágüe;
•    Pode ser usado em contato com alimentos frescos
•    Pode ser aplicado com pulverizadores, atomizadores, duchas ou por imersão.
•     Produto ecologicamente correto, visto a não liberação de resíduos prejudiciais à saúde humana.
•    Desinfetante aceito na prática da agricultura orgânica.
•    Não há formação de clorofenóis e outros compostos de forte odor, que podem ser produzidos durante a cloração da água
•    Não há formação de trihalometanos (THM) ou outros hidrocarbonetos clorados
•    Não reage com amônia;
•    Degrada biofilmes em tubulações e tanques.

Aplicações do Dióxido de Cloro na agricultura irrigada
Na agricultura, o Dióxido de Cloro estabilizado é utilizado na conservação de diversos produtos em câmara frias, tratamento de água, pré e pós-colheita, tratamentos de frutas, raízes e verduras bem como na desinfecção de utensílios, caixarias, substratos e bandejas.

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Figura 2: Sanitização de manga com hidróxido de cloro
Fonte: www.tyba.com.br, 2020.
Em campo é usado para o controle de fungos e bactérias em culturas de ciclo curto e perenes.
Na região do Polo de Fruticultura Irrigada de Juazeiro e Petrolina, a Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), desenvolveu, no ano passado, um estudo sobre o uso do ozônio e do dióxido de cloro estabilizado no beneficiamento de frutos de manga da variedade ‘Palmer’, tipo exportação. O trabalho, desenvolvido no paking house da Fazenda “Special Fruit”, localizada no município de Juazeiro, avaliou métodos de sanitização com os referidos princípios ativos que se apresentam como alternativas no controle de patógenos, além de serem importantes meios de sanitização e conservação da qualidade pós-colheita dos frutos, mantendo suas características físico-químicas em níveis aceitáveis por maior período. Ambos os sanitizantes apresentaram resultados satisfatórios quanto à inibição do processo de penetração de fungos do gênero Alternaria sp. no interior dos frutos.

packing.jpgFigura 3: Packing house de manga e uva.
Fonte: Lopes, 2019.
Considerando a importância dos aspectos de segurança alimentar e nutricional o dióxido de cloro é uma boa alternativa como de produto de baixa toxicidade e ambientalmente seguro para uso na agricultura e pecuária.