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Redução dos custos operacionais de Projetos Irrigados com o uso de peixes herbívoros

por Valeria Rosa Lopes publicado 25/05/2020 10h41, última modificação 25/05/2020 10h43

Macrófitas aquáticas submersas proliferam em grandes reservatórios e rios e se multiplicam de forma intensa em canais de projetos de irrigação no vale do São Francisco (figuras 1 e 2). Este fato está provocando a redução da vazão de água dos canais, problemas no sistema de adução e bombeamento, bem como aumento nos custos operacionais dos projetos de irrigação para a remoção mecânica, transporte e descartes frequentes desses vegetais em locais adequados.
Dentre as macrófitas aquáticas que causam problemas em canais de projetos de irrigação encontra-se a elódea (Egeria densa) (FIGURAS 1 e 2). Com ampla ocorrência em todo o mundo, a elódea apresenta desenvolvimento vegetativo, podendo estar enraizada no substrato ou viver de forma livre. Seu controle e/ou eliminação podem ser realizados de forma manual, mecânica ou biológica pelo uso de espécies de peixes herbívoras. Essas macrófitas ainda podem ser eliminadas de forma química, com o uso de herbicidas, mas sem atingir os resultados esperados, além de ser inviável por se tratar de água para uso na agricultura.
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Figura 1: Canal do Projeto Público de Irrigação Jaíba.

Diversas espécies de peixes, como a tilápia (Tilápia rendalli), o pacu (Piaractus mesopotamicus) e a carpa capim (Ctenopharyngodon idella), podem ser utilizadas de forma eficiente no controle biológico de macrófitas aquáticas submersas. Entretanto, as melhores respostas têm sido obtidas com a carpa capim (Figura 3). Trata-se de espécie originária da China, onde é criada para consumo humano, e que foi introduzida em vários continentes para o controle de plantas aquáticas daninhas. Apresenta elevada tolerância às variações das condições físico-químicas da água e rápido crescimento, podendo atingir mais de 100 cm de comprimento e 50 kg de peso médio. Por consumir diariamente o equivalente a 30 a 50% de seu peso corporal, em ampla variedade de plantas submersas, consegue rapidamente realizar o controle das macrófitas aquáticas mesmo em grandes ambientes.

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Figura 2: Projeto Público de Irrigação Salitre.

No Brasil, experiência de controle de elódea com a carpa capim foi realizada na represa de Perimbó, no Alto Vale do Itajaí, município de Petrolândia/SC, com o objetivo de recuperar o polo de atração turística daquele município, que estava sendo prejudicado pela invasão dessa planta aquática; na Argentina, foi possível alcançar, sob condições naturais, o controle efetivo de macrófitas aquáticas submersas em canais de irrigação após dois meses da introdução de carpas capim; nos Estados Unidos da América, carpas capim são utilizadas como “operárias” em reservatórios e perímetros irrigados da região do Colorado. Após realizarem a limpeza em determinado trecho de canal, as carpas são capturadas e transportadas para o controle de macrófitas em outros trechos de canais.

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Figura 3. Carpa capim Ctenopharyngodon idella (Valenciennes, 1844).
Fonte: Peixinhos Lange (Timbó/SC)

 

Apesar de se tratar de uma espécie de peixe exótica, é possível produzir a carpa capim triploide, portanto estéril, para povoar canais e reservatórios de irrigação sem riscos para o meio ambiente. Os Centros Integrados de Recursos Pesqueiros e Aquicultura da Codevasf poderão dar importante contribuição para os projetos de irrigação no fornecimento de alevinos de carpa capim com tamanho médio acima de 10 cm, quando já podem aproveitar praticamente todos os tipos de plantas aquáticas e não passam nas telas de contenção a serem instaladas em seções do canal.
Para isso, é necessário viabilizar a formação de plantéis de reprodutores e matrizes nos Centros Integrados de Aquicultura da Codevasf, implantar projetos pilotos de controle de macrófitas aquáticas em canais de irrigação de projetos de irrigação a serem selecionados e realizar o monitoramento, avaliando os resultados atingidos.