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Tecnologia para melhor utilização do fósforo do solo e obtenção de melhores produtividades dos cultivos

por Valeria Rosa Lopes publicado 28/01/2021 12h39, última modificação 28/01/2021 12h39

O fósforo (P) é elemento fundamental para a vida, saúde e produtividade dos cultivos, pois  faz parte de compostos essenciais em diversas atividades dentro da planta, seja na forma de moléculas orgânicas ou inorgânica.

Uma atuação visível do elemento P é o desenvolvimento adequado das raízes e aceleração da maturidade da planta, devendo ser bem suprido desde o início do plantio. Esse elemento desempenha uma função importante no crescimento dos tecidos e divisão de células. Isso, devido à elevada acidez e características típicas de uma argila muito intemperizada.

O fósforo fixado na argila dos solos é um grande desafio para o manejo econômico das adubações realizadas pelos agricultores. Estima-se que exista uma reserva de aproximadamente 40 bilhões de dólares em fósforo fixado ou não disponíveis nos solos agrícolas brasileiros. Estudos apontam que quase metade do fósforo aplicado na agricultura em forma de fertilizante inorgânico nos últimos 50 anos continuam na terra: de um total de 45,7 milhões de toneladas de fósforo aplicados no Brasil desde 1960, quando começou a utilização regular desse insumo, 22 milhões de toneladas desse montante continuam fixados no solo (Embrapa, 20181).

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Fonte: Embrapa, 2020.

Para enfrentar o problema, pesquisadores como a Dra. Christiane Abreu de Oliveira Paiva da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolvem métodos e ferramentas para melhorar o aproveitamento dos fertilizantes, bem como, acessar esse fósforo fixado.

Em 2019, a Embrapa lançou no mercado um inoculante a partir de duas bactérias promotoras de crescimento vegetal: Bacillus subtilis e Bacillus megaterium, a primeira possui excelente performance na liberação de fósforo do solo fixado em argilas e óxidos, e a outra, permite à planta absorvê-lo a partir da quebra as moléculas do fósforo orgânico contido na matéria orgânica produzida pela primeira, em íons assimiláveis para planta.

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Fonte: Embrapa, 2020.

A partir da inoculação, à medida que ocorre a emissão de raízes, essas bactérias se multiplicam, formando uma camada de biofilme que aumenta a área e o poder de absorção e, além disso, também estimula a formação de um maior número de raízes finas nas plântulas. Isso confere à planta um maior poder de absorção não só de fosfato, mas também dos demais nutrientes nos estágios iniciais do ciclo da lavoura. Desta maneira, há maior precocidade do desenvolvimento e produtividade das culturas.

Estudos mostram a ação do inoculante também na eficiência da adução de semeadura, aumentando em até 20% sua performance. Os resultados apontam para incrementos médios de produtividade de grãos de 12% na cultura do milho e 10% na cultura da soja. Assim, o inoculante permite diminuir a adubação fosfatada reduzindo custos e promovendo melhoria biológica da qualidade do solo.

Considera-se que o produto é uma das tecnologias mais importantes lançadas nos últimos anos em benefício da agricultura brasileira. Os agricultores, poderão resgatar suas reservas de fósforo que se encontram inertes nos solos e entregá-los para as plantas, melhorando suas produtividades e obtendo melhores resultados agronômicos. Ela pode ajudar na economia dos agricultores deixando um legado para o Brasil de menor dependência na aquisição externa desse insumo, reduzindo a escassez futura do fósforo ou melhor conviver com variações constantes do preço do nutriente no mercado.


 

[1] Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (2018) Brasil adicionou 22,8 milhões de toneladas de fósforo em seus solos nos últimos 50 anos. Disponível em https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/33747073/brasil-adicionou-228-milhoes-de-toneladas-de-fosforo-em-seus-solos-nos-ultimos-50-anos