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Reprodução artificial e peixamentos da Codevasf garantem estoque de pescado no Baixo São Francisco alagoano

Milhares de alevinos das espécies piau, xira, matrinxã, curimatã pioa, surubim, pacamã e pirá foram inseridos nesta quarta-feira (28) pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) no trecho do rio São Francisco que corta o município alagoano de Traipú.
publicado: 28/06/2017 16h13, última modificação: 20/06/2018 17h37

Milhares de alevinos das espécies piau, xira, matrinxã, curimatã pioa, surubim, pacamã e pirá foram inseridos nesta quarta-feira (28) pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) no trecho do rio São Francisco que corta o município alagoano de Traipú.

A ação de repovoamento marca as celebrações de São Pedro, 29 de junho, quando também se comemora o Dia do Pescador, profissional que dia após dia trabalha para levar à mesa dos brasileiros um dos alimentos mais saudáveis que existe.

As espécies, todas nativas, foram produzidas a partir da tecnologia de propagação artificial utilizada por técnicos da Codevasf que atuam no Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Itiúba.

A unidade científica e tecnológica da Companhia em Alagoas está localizada no município ribeirinho de Porto Real do Colégio, e executa os peixamentos como parte das ações de revitalização da bacia hidrográfica do rio São Francisco.

“Esse é um dos nossos sete Centros Integrados de Recursos Pesqueiros que são considerados referência no desenvolvimento de pesquisas e tecnologias de reprodução e cultivo de espécies nativas do rio. Os peixamentos fazem parte do processo de recuperação de ecossistemas aquáticos e sobretudo contribuem para garantir o sustento das famílias dos pescadores e comida na mesa dos brasileiros”, afirma Inaldo Guerra, diretor da Área de Revitalização da Codevasf.

Conhecimento científico

Até que o peixe nativo volte ao seu habitat natural, é necessário um longo trabalho que envolve tecnologia e a aplicação de conhecimento científico sobre a centro Itiúbareprodução artificial de espécies da bacia.

O engenheiro de pesca da Codevasf Paulo Pantoja, chefe do centro integrado de Itiúba, explica que o trabalho começa com a captura de animais selvagens para formação de plantel de reprodutores, o que foi realizado, por exemplo, para a reprodução das espécies como o surubim, o pacamã e o pirá.

Em seguida, eles são estocados até atingir o estágio maturacional de reprodução. Constatada a produção de ovócitos, é realizada a hipófise, ou seja, a aplicação de hormônio no caso das espécies matrinxã, surubim e pirá.

No caso, por exemplo, do pacamã, a indução é natural, por acasalamento. “A partir desse momento, com o sucesso da desova, o peixe vai para a fase de incubação até a eclosão da larva, que é seguido por um processo de alimentação especial. Esses peixes serão estocados até chegar a um tamanho ideal para o peixamento, que é de 5 cm a 7 cm”, detalhou o engenheiro de pesca.

Pantoja destacou também que a Codevasf possui dados a partir de monitoramento da ictiofauna e de relatos de pescadores que indicam o retorno de espécies nativas às águas do Baixo São Francisco após os peixamentos realizados pela Companhia ao longo da bacia hidrográfica.

“Já foi observada a captura de animais que foram oriundas de peixamento, como a curimatã pioa. É possível avaliar que existe uma manutenção ou mesmo um crescimento da população de peixes no rio São Francisco. A tendência é que, se esses animais tiverem condições de maturação, aconteça a reprodução no ambiente do rio para manter a população em níveis aceitáveis e que garanta a atividade dos pescadores”, reforçou o chefe do centro integrado.

Esperança para a pesca

peixamentoFilho e neto de pescadores e de carpinteiros construtores de barcos em Piaçabuçu, na região da foz do rio São Francisco, o pescador Antônio Amorim representa a categoria como presidente da Colônia de Pescadores Z-19 “Americo Pereira de Brito”.

Segundo ele, o Dia do Pescador é a data para se comemorar o trabalho de todo um ano. “Esse é um dos dias mais importantes que temos aqui, não somente no Baixo São Francisco, mas em todo Brasil. Fazemos todos os anos uma grande festa aqui em Piaçabuçu. Se o pescador não trabalhar, como é que o peixe vai para a mesa dos brasileiros”, afirmou.

Para o pescador, os peixamentos representam esperança de manutenção da atividade pesqueira que vem gerando trabalho e renda há várias gerações nas comunidades ribeirinhas ao longo da bacia hidrográfica, a exemplo de sua família e de outros pescadores da foz do São Francisco.

Fotografias:

https://www.flickr.com/photos/codevasf/sets/72157682704231444

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