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Ações da Codevasf apoiam apicultura e geram emprego e renda no semiárido baiano

Os municípios de Pilão Arcado, Remanso e Campo Alegre de Lourdes, no norte da Bahia, vêm ganhando destaque em virtude da vocação para a apicultura. A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) tem apoiado a atividade na região e já estruturou mais de 600 famílias de apicultores e associações comunitárias com kits produtivos e capacitações técnicas. Os investimentos federais nessas ações já somam mais R$ 4,4 milhões, gerando emprego e renda para a população.
publicado: 16/08/2017 12h26, última modificação: 20/06/2018 17h38

Mais de R$ 4 milhões já foram investidos na aquisição de kits apícolas, treinamentos e acompanhamento da produção de mel

Os municípios de Pilão Arcado, Remanso e Campo Alegre de Lourdes, no norte da Bahia, vêm ganhando destaque em virtude da vocação para a apicultura. A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) tem apoiado a atividade na região e já estruturou mais de 600 famílias de apicultores e associações comunitárias com kits produtivos e capacitações técnicas. Os investimentos federais nessas ações já somam mais R$ 4,4 milhões, gerando emprego e renda para a população.

O analista em desenvolvimento regional da Unidade de Desenvolvimento Territorial da Codevasf em Juazeiro, Everaldo de Andrade Cavalcanti, classifica a apicultura como uma atividade vantajosa para o semiárido, pois é socialmente justa, economicamente viável e ambientalmente correta. “Os municípios de Pilão Arcado, Remanso e Campo Alegre de Lourdes foram identificados como os principais produtores de mel da região norte do nosso estado e que apresentavam grande vocação para desenvolver ainda mais significativamente suas cadeias produtivas”, explica.

A ação da Codevasf nesses municípios foi dividida em três etapas: identificação e cadastramento de famílias; repasse de kits produtivos; capacitação; apoio técnico na implantação dos kits; acompanhamento dos trabalhos e, por fim, georreferenciamento dos apiários implantados.

Em Campo Alegre de Lourdes, 257 famílias receberam kits produtivos familiares. Em Pilão Arcado, foram 181 famílias atendidas e, em Remanso, 191, totalizando 629 beneficiadas. Esses kits são compostos individualmente por 20 colmeias Langstroth completas; 20 suportes para colmeias; dois equipamentos de proteção individual (EPIs); 20 kg de cera alveolada; uma carretilha; um formão; luvas; botas; dois macacões completos com chapéu e um fumigador.

A Codevasf também disponibilizou kits comunitários de apicultura para associações de produtores. Um deles é o kit manual para extração e beneficiamento de mel, formado por uma centrífuga manual para até 32 quadros, dois tanques decantadores com capacidade singular para até 200 kg de mel, uma mesa desoperculadora para 20 quadros, seis bandejas em aço inox para melgueira e dois baldes, também em inox, com capacidade para 12 litros de mel. O outro tipo é o kit comunitário elétrico, formado por uma centrífuga elétrica para até 32 quadros, além dos demais itens que integram o kit manual.

Em Campo Alegre de Lourdes, três associações comunitárias rurais já receberam centrífugas manuais e duas já contam com centrífugas elétricas. Em Pilão Arcado, quatro centrífugas manuais estão em funcionamento. Já em Remanso, duas centrífugas elétricas e uma manual já se encontram em plena utilização.

Mais de 6 mil baldes plásticos atóxicos com capacidade individual para armazenar 25 kg de mel também já foram destinados diretamente a apicultores locais, e ainda há três kits comunitários para extração e beneficiamento de mel a serem distribuídos, sendo um para Pilão Arcado e dois para Remanso.

Os investimentos do governo federal na aquisição dos materiais e equipamentos que compõem os kits produtivos de apicultura ultrapassam os R$ 3,2 milhões. Nas demais etapas do processo, que inclui, por exemplo, as capacitações e o acompanhamento da produção, foi aplicado cerca de R$ 1,2 milhão.

Produção e resultados

Capacitação apiculturaSegundo estimativas da Unidade de Desenvolvimento Territorial da Codevasf em Juazeiro, o valor mínimo de comercialização do quilo de mel está oscilando entre R$ 11,00 e R$ 15,00 na região, e o custo de produção para os apicultores está próximo dos R$ 4,00 por quilo do produto. Em Campo Alegre de Lourdes, os apicultores utilizam os serviços da Cooperativa dos Apicultores de Campo Alegre de Lourdes (Coapical). A direção da entidade calcula que, nesta época de pouca florada devido à intensa estiagem, os apicultores campo-alegrenses estão tendo um lucro em torno de 65% por quilo de mel produzido.

Em Pilão Arcado, o apicultor Bartolomeu Félix da Cunha foi beneficiado com um kit produtivo familiar de apicultura e participou da capacitação. Hoje, ele contabiliza cinco coletas de mel em seu apiário e comemora os primeiros resultados. “Todo o mel que produzimos, nós vendemos em Campo Alegre de Lourdes, e o dinheiro que conseguimos, além de pagar as contas, sobrou para comprar mais algumas colmeias”, afirma.

O vizinho de Bartolomeu, Carlos Leite Ribeiro, também vive a mesma situação: “Em 2009, comprei algumas colmeias, mas não deu certo. Mas quando me inscrevi nesse programa e fui selecionado, nossa situação mudou. Recebi 20 colmeias, aprendi as orientações e já retiramos mel umas sete vezes, do final de outubro de 2016 até março deste ano”.

Na localidade de Ponta da Serra I, no município de Remanso, os apicultores estão organizados na Associação dos Pequenos Produtores Rurais de Ponta da Serra I e Arredores. Do total de 26 associados, 18 foram selecionados para participar da capacitação em Apicultura Básica promovida pela Codevasf, e os excelentes resultados obtidos posteriormente nos apiários levou a comunidade a construir recentemente, com recursos próprios, uma Casa de Mel.

Neste ano, a associação Ponta da Serra I ainda foi contemplada com um kit comunitário elétrico para extração e beneficiamento de mel. “Esses equipamentos são muito importantes para nós, pois nós vamos poder buscar a certificação de mel orgânico junto às entidades competentes, o que antes era difícil, pois usávamos uma centrífuga manual em zinco”, explica o presidente da entidade, Francisco Eudes Ramos.

“Repassar conhecimento técnico e estruturar comunidades de produtores familiares com os equipamentos necessários para o desenvolvimento de uma atividade produtiva é uma ação da Codevasf que vem dando bons resultados, principalmente neste extenso período de estiagem pelo qual passamos”, conclui o superintendente regional da Codevasf em Juazeiro, Misael Aguilar Silva Neto.

Fotografia: https://www.flickr.com/photos/codevasf/albums/72157687686917655