| OLIVEIRA
VAI CHEGAR AO SEMI-ÁRIDO
COM INFORMAÇÕES DA GAZETA MERCANTIL
A “árvore da eternidade” vai chegar ao semi-árido
nordestino. A oliveira será implantada em áreas
irrigadas no alto sertão de Pernambuco e da Bahia, além
de trechos de Minas Gerais. Os testes estão sendo feitos
por pesquisadores da Embrapa Semi-Árido e técnicos
da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco
e do Parnaíba (Codevasf) em Petrolina. Dois israelenses
estão prestando consultoria ao projeto, o professor Shimon
Lavee da Hebrea University e do Volcani Center e Yuval Chen
que já presta consultoria a uma empresa argentina. Os
técnicos avaliam o desempenho agronômico de 15
variedades de oliveiras. A comercialização e a
industrialização da oliva – para a produção
de azeite – será a etapa seguinte na cadeia produtiva.
A iniciativa do cultivo de oliveira em áreas irrigadas
é pioneira no país. O cultivo da oliveira foi
introduzido na Ásia Menor, território hoje ocupado
pela Turquia, sendo, depois, levado pelos fenícios para
as ilhas gregas.
Mas foram os gregos os responsáveis pela sua cultura
na bacia mediterrânea. Nos séculos XV e XVI, o
cultivo das oliveiras chegou a Portugal e, posteriormente, à
Espanha e Itália. Experiências de sucesso já
foram feitas na Argentina e no Peru, onde foram testadas diferentes
variedades da planta, adaptadas às condições
climáticas de cada um desses países.
A pesquisa pretende trazer e estender para terras brasileiras
a fronteira agrícola dessa cultura que se encontra em
fase de expansão impulsionada pelo consumo crescente
de azeite no mercado internacional.
IMPORTAÇÃO
No Brasil não há nenhum plantio em escala comercial
de oliveira. O consumo dos derivados dessa cultura no País
é praticamente todo importado.
Os importadores brasileiros investem anualmente cerca de US$
600 milhões para abastecer o mercado interno com 50 mil
toneladas de azeite e 35 mil toneladas de azeitona. O mercado
local é considerado de grandes proporções
e, por tratar-se de uma commoditie, a oliveira deverá
agregar mais valores ao agronegócio brasileiro, afirma
o pesquisador Joston Simão Assis, da Embrapa Semi-Árido.
As áreas tradicionais de cultivo da oliveira estão
ficando esgotadas. A Península ibérica (Portugal
e Espanha) e outros países mediterrâneos da Europa,
onde a espécie é secularmente cultivada têm
pouca capacidade de ampliar os plantios já existentes.
Na América do Sul e Austrália, por outro lado,
as oliveiras ganham espaços cada vez maiores. A Argentina,
que responde por 70% das importações brasileiras
de azeite, já possui 60 mil ha cultivados. O Chile está
com 10 mil hectares e tem a meta de chegar a 14 mil ha. Na Austrália
são 20 mil.
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