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Potencial do Vale

Os estudos realizados pelo Plano Diretor para o Desenvolvimento do Vale do São Francisco - Planvasf englobam uma área total de 691,0 mil km2 (69,1 milhões de ha). Essa área se refere à totalidade do território dos municípios, mesmo daqueles parcialmente inseridos no Vale, e não inclui áreas do Distrito Federal e de Goiás. Para a área assim definida, apontaram-se os seguintes usos: área de proteção ambiental de Piassabuçu, reserva ecológica do Raso da Catarina, região metropolitana de Belo Horizonte, águas internas e terras. As áreas de preservação atingem 0,1 milhões da ha (0,1% da área estudada); a área metropolitana de Belo Horizonte ocupa 0,4 milhões de ha (0,6%); as águas internas ocupam 0,6 milhões de ha (0,9%) e as terras propriamente ditas ocupam 68 milhões de ha (98,4%).

No que se refere à aptidão das terras para agricultura irrigada, esses estudos concluem que 44,6% (30,3 milhões de ha) são aptos: ocorrem 1,3 milhões de ha da classe 2 e 29,0 milhões de ha da classe 3; cerca de 0,9% (0,6 milhões de ha da classe 4) podem ter utilização específica (arroz irrigado), outros 6,0% (4,1 milhões de ha da classe 5 ) são terras que requerem estudos mais aprofundados, e os restantes 48,5% (33,0 milhões de ha da classe 6) são inaptos. Essa classificação não considerou o aspecto água, ou seja, os solos foram classificados exclusivamente quanto à aptidão para irrigação, independentemente de haver ou não água.  A distribuição dos solos, por Estado, com relação à aptidão para culturas irrigadas é apresentada no quadro 31, a seguir.

Quadro 31
Aptidão dos Solos para a Agricultura Irrigada (mil ha)
EstadoAptosArrozEstudosInaptosTotal
Minas Gerais10.5341571.17513.60825.474
Bahia17.5923791.84413.14632.961
Pernambuco1.630-4705.0677.167
Sergipe1505127532814
Alagoas405255017251.656
Total30.3115664.11733.07868.072
Fonte: Planvasf

OBS.: O Planvasf excluiu Goiás e Distrito Federal em seus levantamentos.

Considerando as terras aptas e de uso específico para a rizicultura irrigada, uma
distância máxima de 60 km da fonte de água e uma elevação de até 120 m, o Planvasf identificou um potencial irrigável no Vale da ordem de 8,1 milhões de ha (classes de terra 2, 3 e 4, segundo a classificação do United States Bureau of Reclamation). A distribuição desse potencial pelos estados do Vale é demonstrado no quadro 32, a seguir:


Quadro 32
Solos Irrigáveis com Acessibilidade a Águas Superficiais (ha)
EstadoClasse de Terras para Irrigação
 234Total
Minas Gerais178.0002.389.7005.5002.573.200
Bahia552.2004.310.200-4.862.400
Pernambuco-453.500-453.500
Sergipe-65.000-65.000
Alagoas-133.70012.200145.900
Total730.2007.352.10017.7008.100.000
Fonte: Planvasf

OBS.: O Planvasf excluiu Goiás e Distrito Federal em seus levantamentos.

 
Considerando distâncias e elevações menores, o potencial é da ordem de 3,0 milhões de ha. Aliando-se os fatores restritivos (distância e elevação de água) aos usos múltiplos dos recursos hídricos do São Francisco, o potencial irrigável se reduz a cerca de 1,5 milhões de ha, o que representa 4,2% das terras aptas à produção agrícola de sequeiro e 4,9% das terras aptas à irrigação. Estudos desenvolvidos pelo Planvasf com a colaboração da Chesf determinaram um ponto de equilíbrio - 800 mil ha - relativo à então previsão da estrutura geradora até o ano 2000.

A retirada de água para irrigar área superior a 800 mil ha (200 mil até então irrigados mais 600 mil até o ano 2000) passaria a influir no atendimento ao mercado de energia elétrica. Procedida a análise econômica, verificou-se que o valor adicionado pelo programa de irrigação superava, largamente, tanto os custos das perdas de geração, quanto os custos anuais de operação das soluções energéticas propostas. Esse posicionamento levou o Planvasf a estabelecer, no que concerne ao programa de desenvolvimento da irrigação, com um total de 1.336 mil ha, as metas parciais de 594 mil ha no período 89/2000 e de 742 mil ha após o ano 2000.
atualizado em 29/03/2010 15:34