O cultivo de oliveiras no semi-árido brasileiro tem excelentes perspectivas. Essa foi a principal mensagem deixada pelo professor Shimon Lavee, da Hebrew University of Israel and Volcani Center Institute, durante reunião técnica com a Codevasf e a Embrapa, realizada ontem (21/09), em Brasília. “Ainda não há fatos concretos, começamos a pesquisa há 9 meses, introduzimos 17 variedades de oliveiras nas áreas experimentais em projetos de irrigação da Codevasf, nos municípios de Petrolina (PE), Bom Jesus da Lapa (BA) e Jaíba (MG), entre outras particulares, mas posso garantir que os resultados são melhores do que o esperado”, afirmou. A evolução das oliveiras nas áreas experimentais vai além das expectativas, pois estão apresentando uma boa florada e um ótimo desenvolvimento vegetativo. Os pesquisadores observaram um rápido crescimento, ocorrência isolada de gemas, florais e frutos. “É um trabalho que iremos colher os frutos no prazo de cinco anos, enquanto isso, é preciso muito trabalho”. As oliveiras, hoje, se concentram nos países mediterrâneos, com cerca 95% da produção mundial, com uma produção estimada de 3,1 milhões de toneladas por ano. Todo azeite de oliva e azeitonas consumidos no Brasil são importados e representam cerca de 370 milhões de dólares anuais. Além da demanda de azeite crescer em todo mundo, a produção não consegue acompanhar o consumo, o que representa uma excelente oportunidade para investidores do setor. Nessa corrida, a região do semi-árido brasileiro sai na frente com pesquisa com alta tecnologia, condições edafoclimáticas favoráveis e incentivo e apoio ao investimento.
Culturas Alternativas
A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) deve duplicar, nos próximos cinco anos, as áreas irrigáveis na região do vale do São Francisco. 134 mil hectares serão disponibilizados, em vários projetos a serem implantados neste período, tais como: Pontal (PE) e Salitre (BA), entre outros. Paralelamente à implantação da infra-estrutura desses projetos, a Codevasf, em parceria com a Embrapa Semi-Árido, está desenvolvendo um projeto de Avaliação Técnico-econômica e Experimental de Culturas Alternativas para essas novas áreas irrigadas do semi-árido brasileiro. O projeto tem uma abrangência maior, além da oliveiras, visa estudar novas alternativas de culturas economicamente viáveis para implantação na região, possibilitando oferecer novos cultivos, tais como: abacaxi, banana, cacau, caqui, pêssego, pera, nêspera, rambutã, romã, ameixa, tangerina, abacate, mangostão, pimenta do reino e sobreiro. “Hoje, a Codevasf já tem um estudo de viabilidade consistente para a implantação de uma cadeia citrícola no pólo Petrolina/Juazeiro e a Embrapa realiza experimentos sobre variedades para a região” , explica o coordenador do projeto, Paulo Roberto Coelho Lopes. Em sua palestra sobre os resultados parciais e perspectivas futuras do projeto sobre culturas alternativas, ele explicou a operacionalização do trabalho, que inclui a adaptação das culturas, desenvolvimento do sistema de manejo, disponibilização do cultivo e garantia da sustentabilidade das áreas irrigadas. O diretor da Codevasf, Clementino Coelho, afirmou que não há confronto entre a agricultura familiar e o agronegócio. “A Codevasf assegura os recursos para que a Embrapa possa realizar as pesquisas, a partir daí temos instrumentos para garantir o crescimento e, nesse processo, a agricultura familiar é compatível com o agronegócio”. O coordenador do projeto explica que algumas dessas culturas alternativas já estão implantadas em áreas de experimentação e sob avaliação. Outra preocupação da Embrapa diz respeito, também, à importação das mudas, que conta com o apoio e o acompanhamento do Centro Nacional de Recursos Genéticos-Cenargen/Embrapa. É a chamada biosegurança.
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