A vazão máxima derivada do São Francisco poderia ser, sem inviabilizar a operação do Complexo Paulo Afonso, numa situação limite e a longo prazo, metade da vazão regularizada por Sobradinho, ou seja, algo em torno de 1.100 m3/s. Nesse cenário, a vazão firme no Complexo Paulo Afonso cairia para 1.150 m3/s, passando as usinas a se especializarem no suprimento de ponta.
Supondo que cada m3 derivado, se utilizado efetivamente, permite irrigar cerca de 2.100 ha, os 1.100 m3/s derivados do São Francisco permitiriam irrigar uma área total de 2,3 milhões de ha, metade da qual situada no próprio Vale.
O valor econômico das perdas ocasionadas por tal plano equivaleria a US$ 150.000/ano por m3/s derivado, já considerado o pagamento do custo de reposição da energia. O acréscimo no valor da produção, ao se implantar a agricultura irrigada, poderia atingir US$ 2.000/ha/ano. Irrigando 2,3 milhões de ha, o valor incremental na agricultura poderia ser superior a US$ 4 milhões/ano. A retirada de água do São Francisco, tanto para irrigação no próprio Vale quanto para transposição, ocasionaria uma perda de geração de energia nas usinas são franciscanas da ordem de 2,5 MW, energia essa que poderia viabilizar produções industriais de até mais que US$ 4 milhões/ano.
Dado porém, que o insumo água é vital para a produção agrícola regional, as perdas do Complexo Paulo Afonso poderiam ser compensadas com a importação de energia da Amazônia, transferida através da interligação Norte-Nordeste, não afetando, assim, o suprimento energético e a produção industrial do Nordeste.
Os benefícios da transposição, especialmente em termos de geração de empregos e população beneficiada, seriam, inquestionavelmente, muito significativos e poderiam alcançar um contingente de cerca de 3 milhões de pessoas.
Não bastassem os insofismáveis benefícios sociais, ainda os benefícios econômicos decorrentes do incremento da produção agrícola irrigada superariam, em cerca de 10 vezes, os custos da perda de geração de energia, sendo que a água, como insumo energético, poderia ser substituída por energia transferida de outras regiões, enquanto que, como insumo agrícola, não tem substituto economicamente viável.