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Tecnologia alternativa melhora qualidade de água em comunidade rural do norte baiano

Tecnologia alternativa melhora qualidade de água em comunidade rural do norte baiano

Um sistema desenvolvido e implantado pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), por meio da 6ª Superintendência Regional, sediada em Juazeiro (BA), trouxe mais qualidade de vida aos integrantes da Associação de Produtores Rurais da Adutora (Apra III), localizada no distrito de Pilar, município de Jaguari, no norte baiano.

Segundo o analista em Desenvolvimento Regional da Codevasf Joselito Menezes de Souza, “a tecnologia obteve resultados satisfatórios para a comunidade, visto que, há mais de 30 anos, a população consumia água vinda de uma adutora de água bruta. Além disso, é um método que apresenta vantagens sobre outras tecnologias e é de construção, operação e manutenção acessíveis aos moradores da zona rural”.

A tecnologia consiste em um sistema de tratamento de água com baixa turbidez, que utiliza um processo de filtração lenta, em dupla camada, com areia fina, geotêxtil, e outros materiais de baixo custo, como caixas d’água. É uma alternativa viável para comunidades rurais difusas, que não têm acesso a sistemas convencionais de tratamento.

Os estudos e experimentos sobre essa tecnologia de filtração lenta começaram há dois anos, por meio de parceria com a Universidade Federal do São Francisco (Univasf). Em março deste ano, foi implantado na comunidade, com recursos provenientes da  associação beneficiada, um modelo do sistema de filtração. A mobilização, o treinamento e a análise dos resultados foram realizados por técnicos da Codevasf em Juazeiro.

tecnologia qualidade de águaPara Terezinha Loiola, moradora da comunidade da Apra III, os resultados do tratamento de água são notórios. “Antes, a gente usava água bruta e, mesmo usando cloro, percebia que as velas do filtro de barro ficavam amareladas ou bem escuras. Isso não era saudável. Com esse novo sistema, as velas do filtro não acumulam sujeira. A água fica mais pura e, certamente, isso é melhor para nossa saúde”, relata a dona de casa.

O analista em Desenvolvimento Regional da Codevasf Júlio César da Silva Santos, que acompanha a estruturação da comunidade há alguns anos, avalia o sistema como favorável. “Os moradores da Apra III possuíam uma boa quantidade de água, porém não tinham garantia da qualidade do recurso. Cada um utilizava um sistema de tratamento que lhe convinha, mas que não tratava adequadamente a água. A princípio, houve uma resistência para a mudança de tratamento de água, mas, aos poucos, a comunidade foi notando e reconhecendo os efeitos desse novo modelo. Agora, cerca de 30 famílias já adotaram o uso da técnica de filtração lenta”, explica.

“Já há alguns anos, nossos técnicos mostravam preocupação com a qualidade de água ofertada, principalmente nas comunidades interioranas. Por meio de estudos, projetos e testes práticos, várias alternativas para melhorar essa qualidade foram surgindo, porém nem todas se adequaram. Quando conheci essa iniciativa, vislumbrei a possibilidade de ofertar água potável também para irrigantes dos perímetros. Portanto, foi um projeto que teve nosso apoio, e espero que logo vire um programa de governo. Os pontos fortes dele são a praticidade e o baixo custo”, conclui o superintendente regional da Codevasf em tecnologia qualidade de água2Juazeiro, Elmo Nascimento.

Filtração lenta

O sistema é composto basicamente por três reservatórios (ou caixas de água) com capacidade unitária de 500 a 1.000 litros. O primeiro reservatório recebe água bruta de qualquer adutora, e nele ocorre a primeira etapa do tratamento, que é a segmentação de partículas em suspensão. O segundo reservatório possui, em seu interior, camadas de geotêxtil e areia fina, onde ocorrem os tratamentos físico-químico e biológico. No terceiro reservatório, é recebida a água filtrada após a passagem de um dispositivo dosador de cloro, medida que atende ao padrão disposto pelo Ministério da Saúde.

Periodicamente, são realizados testes em laboratório para comprovar a qualidade da água utilizada pela comunidade de Pilar e, até agora, os resultados são satisfatórios.

Fotos:

https://www.flickr.com/photos/169320297@N06/albums/72157709022902881

atualizado em 10/06/2019 16:41