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Centro implantado com apoio da Codevasf busca recuperação de áreas degradadas no Norte de Minas

Centro implantado com apoio da Codevasf busca recuperação de áreas degradadas no Norte de Minas

Produção de mudas e palestras voltadas aos produtores rurais estão entre as estratégias adotadas pelo CRAD/Mata Seca

Desenvolver modelos para recuperação de áreas degradadas, promover a capacitação para a formação de recursos humanos e disseminar práticas de recuperação florestal e desenvolvimento sustentável. Esses são alguns dos objetivos dos Centros de Referência em Recuperação de Áreas Degradadas (CRADs), implantados com apoio da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e de diversos parceiros.

O CRAD Mata Seca, instalado no campus Janaúba da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), é um das cinco unidades já criadas com esse propósito. Ele tem essa denominação porque, na região do Norte de Minas, existe forte presença da Floresta Estacional Decidual, ou Mata Seca, que tem sofrido acelerado processo de exploração e desmatamento. O Centro começou a funcionar em outubro de 2015.

“As ações do CRAD Mata Seca são importantes para o Norte de Minas porque, além de desenvolver modelos de recuperação florestal de áreas degradadas em áreas de Mata Seca, Cerrado e Caatinga que poderão ser replicados em maior escala, promovem a educação ambiental e fomento às atividades de revegetação, a formação de agentes multiplicadores e a conscientização de produtores rurais”, avalia Domênico Morano Junior, chefe da Unidade de Meio Ambiente da 1ª Superintendência Regional da Codevasf, com sede em Montes Claros.

As atividades executadas por meio do CRAD Mata Seca tiveram a parceria da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e da Unimontes (Universidade Estadual de Montes Claros/Campus Janaúba-MG). A estrutura de pesquisa implantada permite a realização de trabalhos de estudantes da graduação, projetos de pesquisa da pós-graduação e atividades de extensão, em temas ligado à preservação e conservação de florestas.

“Avalio o CRAD Mata Seca como de extrema importância, porque estamos em uma região semiárida. Temos tentado, com outros parceiros, definir estratégias de recuperação que vão além do plantio de mudas, tendo em vista as características locais, de intervalos curtos de chuvas. Algumas experiências têm dado certo, envolvendo proteção de nascentes, ações de manejo e conservação de solos em áreas de recarga, visando à redução do processo erosivo”, explica a gestora do CRAD Mata Seca pela UFMG, Nilza Sales.

Para Luiz Henrique Arimura, gestor do CRAD Mata Seca pela Unimontes, um aspecto importante desse trabalho é atuar junto à população. “Temos trabalhando para que as comunidades nos ajudem, e várias têm nos procurado para recuperar rios, nascentes… No CRAD, damos palestras para os produtores rurais e às vezes nos deslocamos para prestar informações a esse público. Eu costumo dizer que recuperar áreas degradadas é recuperar pessoas. Se não houver mudança de mentalidade, todo esse trabalho não adianta”, salienta.

Revitalização

MudasA estruturação dos Centros de Referência em Recuperação de Áreas Degradadas (CRADs) tem a finalidade de promover a recuperação de áreas degradadas na bacia do rio São Francisco e proteger a diversidade biológica e os recursos naturais.

Por meio do Programa de Revitalização da Bacia do Rio São Francisco, a Codevasf tem implantado os CRADs em parceria com os ministérios do Meio Ambiente (MMA) e da Integração Nacional (MI) e com as universidades federais de Brasília (UnB), de Lavras (Ufla-MG), do Vale do São Francisco (Univasf-PE), de Alagoas (Ufal), de Minas Gerais (UFMG/Unimontes-Janaúba/UFVJM), do Oeste da Bahia (Ufob-Barreiras) e Rural de Pernambuco (UFRPE/UAST-Serra Talhada).

Os objetivos dos CRADs estão ligados ao desenvolvimento de modelos de recuperação em áreas demonstrativas, à definição e documentação de procedimentos para facilitar a replicação de ações de recuperação e à promoção de cursos de capacitação de recursos humanos.

Para tanto, algumas metas foram estabelecidas como: implantar modelos demonstrativos de recuperação florestal em diferentes situações de campo, com repetições sistemáticas e monitoradas pelas entidades responsáveis pelo CRAD; reunir informações técnicas sobre recuperação de áreas degradadas para serem disponibilizadas aos produtores rurais da área da abrangência do CRAD; fornecer orientações técnicas aos produtores rurais, com vistas a fomentar o reflorestamento com espécies nativas em áreas de APP e de Reserva Legal; e criar um viveiro-escola para atividades de capacitação técnica, para fornecimento de mudas de espécies nativas para implantação de áreas demonstrativas e para doação.

A proposta é implantar sete centros de recuperação de áreas degradadas. Destes, cinco já foram implantados: CRAD/UnB-Cerrado, em Brasília (DF); CRAD/Ufla-Transição Cerrado e Mata Atlântica, em Arcos (MG); CRAD/Univasf-Caatinga, em Petrolina (PE); CRAD/Ufal-Transição Caatinga e Mata Atlântica, em Arapiraca (AL); e CRAD/UFMG-Mata Seca, em Janaúba (MG).

Fotografia: https://www.flickr.com/photos/codevasf/sets/72157684438100896/with/34644994370/

Ouça as entrevistas citadas na matéria:

https://soundcloud.com/codevasf/sets/crads-de-mata-seca-trabalham-na-recuperacao-florestal-de-areas-degradadas

atualizado em 12/06/2017 12:22